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    Tragédia


    Suzy e Maria Eduarda são veladas em meio à tristeza de toda a cidade

    O velório ocorreu na manhã deste sábado (28), no bairro Japiim, onde Suzy e a enteada moravam. Amadas pela sua comunidade, elas também foram 'abraçadas' por milhares de internautas nas redes sociais

     

    A igreja de Suzy, no bairro Japiim, foi o local escolhido para amigos e familiares despedirem-se dela e da enteada
    A igreja de Suzy, no bairro Japiim, foi o local escolhido para amigos e familiares despedirem-se dela e da enteada | Foto: Lucas Henrique

    Manaus (AM) - O processo de partida é sempre doloroso, mesmo que a morte seja universalmente a única certeza da vida. No entanto, prestes a zerar por completo o batimento cardíaco, alguns ainda são agraciados com momentos reconfortantes seja no leito de um hospital, ou até mesmo em casa próximo daqueles que ama. Suzy Pedrosa Caldas, de 37 anos e Maria Eduarda de apenas 17, não tiveram esta oportunidade graças à imprudência no trânsito da cidade. As vidas de ambas foram ceifadas de forma trágica na manhã desta sexta-feira (27) e o velório ocorreu neste sábado (28), no bairro Japiim, em meio a muita tristeza. 

      O acidente fatal, na Avenida General Rodrigo Otávio - Zona Sul -, envolvendo madrasta e enteada, chocou Manaus, pela violência da batida causada por um caminhão de areia, que esmagou por completo o carro de modelo Honda Fit, dirigido por Suzy. A reportagem esteve presente no velório, onde familiares e amigos despediram-se de ambas com muito amor. Infelizmente, as lágrimas nos rostos dos presentes transmitiam o desespero de uma perda abrupta, de quem não merecia partir tão cedo, com saúde e sonhos por realizar. O marido de Suzy e pai de Maria Eduarda, André Caldas, agradeceu pelo carinho que tem recebido de toda a cidade.  

    "A nossa igreja nos acolheu nesse momento difícil e toda nossa comunidade está aqui presente hoje, agradeço muito pelas diversas mensagens de apoio que tenho recebido. Minha esposa era uma pessoa muito querida, por isso todos vieram aqui nos passar algum conforto seja por um abraço, carinho ou aperto de mão. Sabemos da maneira trágica que foi, mas creio que tudo está no controle de Deus. Estamos aqui para nos despedir delas de maneira digna", disse. 

     

    O Marido de Suzy, André Caldas, agradeceu pelo carinho da comunidade
    O Marido de Suzy, André Caldas, agradeceu pelo carinho da comunidade | Foto: Reprodução

    O momento de despedida contou com cerca de 80 pessoas no local, que entravam na igreja para prestar suas homenagens, alguns ficavam no recinto, mas por vezes, consternados, precisavam sair do local fechado para tentar recompor-se. O caixão de Suzy levou por cima o vestido que usou em seu casamento com André, certamente um dos momentos mais felizes de sua vida, em ato simbólico. Ele explicou o motivo da homenagem.

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    Ela sempre falava ser a noiva de cristo, como não pode ser aberto o caixão devido o estado do corpo, então coloquei em cima do caixão o vestido que ela usou em nosso casamento. Foi um dos momentos mais especiais das nossas vidas "

    André Caldas, marido de Suzy e pai de Maria Eduarda

     

    "Eu não sabia que elas estavam juntas"

    Ele também comentou a respeito da personalidade da filha, assim como o pai e a madrasta, era religiosa. Momentos antes da tragédia, as duas estavam prestando assistência à mãe de Maria Eduarda no hospital. Ao chegar no local do acidente, André não sabia que sua filha também estava no carro. 

    "A minha filha era uma pessoa sempre muito atenciosa, que tinha um carinho tremendo com todos. Apesar de não ser filha da minha esposa, as duas sempre tiveram muito carinho uma com a outra. A mãe da Maria Eduarda estava internada então minha filha a acompanhava ao hospital e conversou com minha esposa para fazer uma oração com elas. Ontem ela foi fazer justamente isso e as duas estavam voltando juntas para casa. No entanto, eu não sabia que elas estavam juntas, fiquei sabendo na hora que minha filha estava no carro também, eu desabei".

    Não há certeza científica de vida após a morte, apesar de o processo ser relatado em diversos credos religiosos. O discernimento entre bem e mal, também considerado nos cenários de 'céu' e 'inferno' são comumente pregados, no entanto, se o método técnico não comprova a existência destes mecanismos, a humanidade segue dando vida àqueles que se foram, em seus corações. Se as vidas de Suzy e Maria Eduarda esvaíram-se em segundos, pela eternidade serão amadas. Ao exemplo de Raimunda Nogueira, de 60 anos, que conhecia Suzy por frequentar a mesma igreja, ela comentou memórias sobre as duas.

    "Ela sempre foi uma mulher de alma muito boa. Muito prestativa aqui na igreja e na comunidade como um todo. Ela fazia a condução dos nossos pequenos para o colégio, sempre de bom humor, não existe uma pessoa pra falar mal de nenhuma das duas. Nós só sentimos muito amor", afirmou.

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