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    Aventura


    Do Amazonas ao Alasca de moto, você toparia?

    Durante a trajetória para chegar ao Amazonas, o publicitário Danilo Couto enfrentou, inclusive, um acidente na BR-319 quando saía de Santarém (PA), o que atrasou sua viagem em quatro meses


    Manaus - Ele saiu de Santa Catarina com o sonho de chegar ao Alasca de motocicleta. Um longo percurso que tem como passagem o Amazonas e o publicitário paulista Danilo Couto, que já está há uma semana em Manaus, revelou que conhecer a Amazônia era um dos seus sonhos de consumo. 

    A meta do viajante é subir para a América do Norte pelo Oceano Atlântico e voltar pela rota do Oceano Pacífico, mas quanto ao trajeto ele diz não se prender a nenhum roteiro. “Quero que a viagem seja leve, então eu vou decidindo quando estou no local quanto tempo vou demorar e para qual cidade vou a partir dali”, anunciou o publicitário, indicando que já mudou de roteiro algumas vezes. “A ideia inicial era ir até ao México, mas percebi que posso ir mais longe”. 

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    Sobre esse episódio, Danilo conta que mudou de ideia por conta de um acidente na rodovia Transamazônica, quando pegou a estrada para Santarém, no Pará. “Meu destino era Alter do Chão, mas caí na estrada, porque tinha chovido e quando chove fica uma lama muito espessa. Só quando cheguei a Santarém que soube que minha perna tinha quebrado”, conta, acrescentando que por conta disso teve que parar a viagem por quatro meses. “Foi quando refiz minha rota e decidi ir até o Alasca”, enfatizou.

    Em Manaus, Danilo fez vários amigos de grupos de moto e de mochileiros.
    Em Manaus, Danilo fez vários amigos de grupos de moto e de mochileiros. | Foto: Reprodução

    Inspiração viajante

    Para amantes de viagens, não é segredo que o estopim para o sentimento de necessidade de mais aventuras surja a partir de uma viagem inicial. Segundo ele, a viagem que mudou seu modo de pensar foi quando esteve na África do Sul, em 2014, onde ficou dois meses e meio, em isolamento por algum tempo. “Eu fui para o meio do mato e lá peguei gosto pela coisa. Havia dias que eu andava 50 quilômetros, atravessava rios, florestas. Algumas vezes eu estava sozinho, mas sempre encontrava alguém”, relata.

    Quando voltou para a vida "real" - com a rotina de publicitário em São Paulo - ele ficou doente por conta da jornada excessiva que a capital impunha. Depois disso, ele decidiu ir para Santa Catarina, no Sul do País, abriu um albergue, onde conheceu centenas de mochileiros e suas histórias.

    “A vontade que eu tinha de me aventurar só aumentava. Foi quando eu decidi fazer essa viagem de uma vez, porque sabia que qualquer empreendimento que eu fosse prosseguir, dali em diante, levaria algum tempo para alavancar e por isso, decidi logo fazer a viagem dos meus sonhos”, comenta.

    Para Danilo o dinheiro não é extrema necessidade, já que durante a viagem pela África e já pelo Brasil, ele contou com a ajuda e apoio de várias pessoas.
    Para Danilo o dinheiro não é extrema necessidade, já que durante a viagem pela África e já pelo Brasil, ele contou com a ajuda e apoio de várias pessoas. | Foto: Reprodução

    E o que ele mais gosta durante as viagens? Danilo conta que são as amizades que faz, especialmente porque decide conhecer a cidade a partir das dicas dos nativos. “Para mim, o mais importante é o contato com o povo que vive a cidade diariamente porque assim posso sair do roteiro convencional turístico”.

    Para o aventureiro, o dinheiro não é extrema necessidade, já que durante a viagem pela África e agora já pelo Brasil, ele sempre contou com a ajuda e apoio de várias pessoas. “Sem dinheiro eu consegui me virar bem com a outra moeda: a amizade e a solidariedade", revela.

    Perrengues de viagem 

    Até agora, Danilo conta que seu maior perrengue foi na BR-319 ao quebrar a perna. “Tinha muita lama, a moto desliza muito, o tempo todo. Foi quando eu derrapei e caí. Demorei um pouco para me recuperar, mas como não tinha ninguém na estrada eu não tive escolha, subi na moto e continuei”, disse, lembrando que só quando chegou ao pronto-socorro descobriu a perna quebrada. “Foi uma experiência muito ruim porque eu não tinha carteirinha do SUS, então ninguém queria me atender”, conta.

    “Quero que a viagem seja leve, então eu vou decidindo quando estou no local quanto tempo vou demorar, e qual cidade vou dali”.
    “Quero que a viagem seja leve, então eu vou decidindo quando estou no local quanto tempo vou demorar, e qual cidade vou dali”. | Foto: Reprodução

    Por conta da perna quebrada o viajante ficou quatro meses se recuperando na sua cidade natal, no Estado de São Paulo. “Não tive escolha, tive que voltar para Rio Claro, com a perna engessada não conseguiria continuar a viagem”, recorda sobre o tempo essencial para repensar a viagem e replanejar. 

    Para o Alasca na “natureza selvagem”

    O publicitário, que gosta do filme “Na Natureza Selvagem” que conta a história de um viajante que decide abandonar tudo em busca de uma vida simples no meio Alasca selvagem, viu no longa um estímulo para também chegar lá. Mas, antes, o itinerário era chegar no México.

    “Eu fui mudando meu trajeto quando percebi que poderia gastar menos do que tinha planejado. Porque no caminho eu encontro muitas pessoas dispostas a me ajudar. E também participo de grupos de mochileiros e de motoclubes que são muito unidos. Nas cidades que eu chego sempre recebo ajuda de alguém, durmo na casa deles”.

    Para Danilo o dinheiro não é extrema necessidade, já que durante a viagem pela África e já pelo Brasil, ele contou com a ajuda e apoio de várias pessoas.
    Para Danilo o dinheiro não é extrema necessidade, já que durante a viagem pela África e já pelo Brasil, ele contou com a ajuda e apoio de várias pessoas. | Foto: Reprodução

    Ele conta que pretende passar pelos lugares que o personagem principal do filme passou. “Tomara que esteja no meu caminho os lugares, vai ser muito legal conhecer os lugares que ele passou. Quem sabe tirar foto no famoso carro que foi a casa dele no Alasca”, finaliza o viajante. 

    Para acompanhar a trajetória de Danilo, basta acessar as redes sociais (Faceboook e Instagram) ou pelo siteMoto e Mochila Brasil.

    Edição: Lívia Nadjanara

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