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    protesto


    Manifestantes reclamam de abusos trabalhistas da Unimed, em Manaus

    Um grupo de ex-funcionários atrapalhou o trânsito na avenida Constantino Nery e chamou a atenção de todos para a demissão em massa da empresa sem o devido pagamento dos direitos trabalhistas

    Ao todo, 280 colaboradores foram dispensados
    Ao todo, 280 colaboradores foram dispensados | Foto: Ione Moreno/Em Tempo

    Manaus - Ex-funcionários da rede privada de hospitais Unimed protestaram contra uma demissão em massa na manhã desta quinta-feira (20). Segundo eles, a empresa demitiu 280 colaboradores sem aviso prévio nem qualquer direito trabalhista rescisório. O trânsito foi prejudicado em alguns momentos em frente à unidade da empresa, situada na avenida Constantino Nery, bairro São Geraldo, Zona Centro-Sul de Manaus.

    Há 20 dias, conforme explicou o técnico de enfermagem Edmison Ferreira, de 33 anos, as demissões começaram. Pegos de surpresa, ele relatou que os funcionários não fizeram nem os exames demissionais, garantidos por lei, conforme a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

    "Não tivemos direito a férias, décimo, rescisão e muita gente reclamou de receber o FGTS pela metade... São muitos pontos errados. Não pagaram a primeira parcela do décimo ao longo do ano. Estamos sem nada", afirmou.

    Diversos trabalhadores disseram ser funcionários de carreira, colaborando com a empresa por quase dez anos. A recepcionista Mônica Freitas, de 33 anos, por exemplo, encaminhou exames médicos por oito anos. Recém-chegada das férias, ela foi chamada ao departamento de Recursos Humanos (RH) e, em seguida, dispensada.

    Sindicatos não fazem parte da negociação com a empresa
    Sindicatos não fazem parte da negociação com a empresa | Foto: Ione Moreno/Em Tempo

    "Não ouvi comentários sobre essa demissão nem nada parecido. Fiquei surpresa. É até engraçado, porque fiquei até com lesões por esforço repetitivo (LER) por causa do meu trabalho, e do nada sou demitida assim. Vamos passar o Natal sem nada, se não pagarem o décimo. Vou querer todos os meus direitos", apontou.

    Ela ainda denunciou que era obrigada a pagar o plano de saúde da empresa e que a Unimed não arcou com nenhuma despesa da LER. Ao todo, ela fez quatro procedimentos cirúrgicos por causa do ofício na empresa. Os manifestantes alegaram que os sindicatos das categorias não estão atuando nas negociações com a direção da empresa.

    "Montamos uma liderança e recebemos apoio do vereador Professor Fransuá. Líderes da comissão se encontraram com o parlamentar para intermediar os ex-funcionários. Se eles decidirem pagar o décimo completo e 40% do FGTS, que é o previsto pela CLT, aceitamos. Se não, estamos prontos para ir ao Ministério do Trabalho", completou Ferreira.

    Dentre os demitidos estão ex-colaboradores dos setores de administração, serviços gerais, técnicos de enfermagem, enfermagem e etc. Essa é a segunda vez que eles deflagram ato público em frente à empresa. Em resposta, a diretoria da Unimed enviou nota oficial justificando a demissão em massa por conta de uma reestruturação interna.

    O motivo informado foi a perda de clientes no ano de 2018 e a diminuição da receita. Sobre o pagamento rescisório dos funcionários, ela explicou que não possui verbas o suficiente para a quitação das dívidas. "Não deixaremos de honrar os compromissos com os ex-funcionários, no entanto, e estamos abertos a negociações sobre os valores devidos, nos termos da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) e da CLT", diz trecho da nota.

    Ela ainda divulgou que efetuou o salário de novembro e está liberando gradativamente os recursos do FGTS e seguro-desemprego. 

    Edição: Isac Sharlon

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