Cima no AM em 2019


Apesar de previsão de cheia nos rios, clima não terá alterações no AM

A média nesse período de janeiro está em 26.6 graus, segundo o Inmet

Segundo o Inmet, o Amazonas no período de janeiro a abril terá esse clima frio, devido à chuva
Segundo o Inmet, o Amazonas no período de janeiro a abril terá esse clima frio, devido à chuva | Foto: Divulgação

Manaus - Embora o clima do Amazonas seja muito previsível, com estações marcadas por sol quente ou chuva,  muitas pessoas, diante das mudanças climáticas que se acentuaram nos últimos anos, questionam se haverá alteração em 2019. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), no período de janeiro a abril, o clima continuará bem mais ameno, devido à chuva. O aumento da temperatura só acontecerá mesmo, na época normal, meses de agosto, setembro e outubro.

Ainda de acordo com o órgão, a média nesse período de janeiro está em 26.6 graus. Porém, a temperatura mínima ainda está abaixo da temperatura esperada para esse início de ano. O único dia que teve aumento significativo na temperatura foi no dia 4 de janeiro, quando a temperatura chegou a 33.3°C.

O que pode surpreender em 2019 é a possibilidade de cheia nos rios da região, pois de acordo com o Serviço Geológico do Brasil (CPRM), há a possibilidade de enchente, pois os rios estão com o nível bem elevado, em comparação com o mesmo período do ano passado.

Há prejuízos aos agricultores por causa da chuva?  

De acordo com o Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável (Idam), baseado nessa previsibilidade, os agricultores já podem traçar estratégias para não terem perdas com as plantações.

Segundo o engenheiro da instituição, José Milton, as lavouras têm os seus ciclos. Elas aproveitam a época com mais chuva para realizar o desenvolvimento vegetativo, pois crescem em grande parte com a água. A água é o principal meio para transporte dos nutrientes até as diversas partes das plantas.

Já nos períodos menos chuvosos as plantas aproveitam para lançar os órgãos produtivos e reprodutivos que são as flores e posteriormente os frutos. Se em um período, ela precisa de água, em outro, ela precisa de sol para fazer a fotossíntese, e isso só acontece com a presença do sol. Se a estiagem for muito prolongada e sem água, as plantas procuram usar mecanismos de defesa e mecanismos de reserva.

Ainda de acordo com  o engenheiro, não se pode plantar hortaliças a céu aberto em época de chuva, pois o agricultor terá um impacto com o prejuízo.  Segundo ele, só se deve  plantar em casas de vegetação, pois as hortaliças adquirem doenças, devido a alta umidade.

"No Idam orientamos os agricultores a realizarem a melhor prática para aquele período, ou seja, orientamos o modo que ele vai cultivar dependendo do período de chuva, para que as plantações se adaptem ao clima", explicou. 

Defesa Civil 

Em relação a prejuízos em períodos chuvosos, a Defesa Civil criou um Centro de Monitoramento e monitoramento e Alerta (Cemoa). O monitoramento é feito desde que a instituição foi criada no dia 28 de dezembro de 2008. O centro subsidia o órgão na tomada de ações de prevenção e planejamento na possibilidade da ocorrência de eventos extremos como enchentes e estiagens.

No ano de 2018 o órgão otimizou suas ações e começou fazer parte  do Centro Integrado Comando e Controle (CICC) e assim passou a monitorar eventos extremos meteorológicos em grandes eventos culturais ( com grande concentração de público como Parintins, Manacapuru, Itacoatiara e etc ).

O centro realiza o monitoramento climatológico em conjunto com os órgãos oficiais Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam) e Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM). Os dados colhidos podem minimizar o efeito do desastre uma vez que não existe a possibilidade de um desastre natural. Seja por inundação ou estiagem.

Calor atípico do Amazonas

Manaus é considerada uma das cidades mais quentes do Brasil. Além de estar nas proximidades da linha do Equador, a cidade está localizada no centro da maior floresta equatorial do mundo, com predominância de clima quente e úmido o ano todo.

Para viver nessa região, as pessoas traçam estratégias de modo que suportem o intenso calor.  Há moradores que preferem ficar dentro de casa e ligar o ar condicionado como é o caso da dona de casa Karen Loren, de 28 anos. Ela diz que faz uso constante do ar condicionado.  

"Em dias de calor utilizo mais o ar condicionado, com certeza. Para fugir do calor amazônico a gente acaba utilizando mais. Porém, o problema disso tudo é que o aumento na conta de energia chega a quase 30% a mais, Infelizmente", disse

Já kássia Lima, de 19 anos, prefere ir para os banhos locais. "Ah, eu prefiro ir logo para banhos, pois me divirto com amigos e familiares, mas quando não posso ir para os banhos, fico em casa e utilizo o ar condicionado", explicou

Em Itacoatiara, distante em linha reta de 176 quilômetros de Manaus, considerada um município com temperaturas elevadas, a jovem Vanessa Guedes, de 25 anos, relatou que para fugir da "quentura" os Itacoatiarenses acabam utilizando muito o ar condicionado também, além de tomarem vários banhos durante o dia.

"O condicionador de ar é mais usado em dias quentes e no verão  porém, nos dias muitos quentes sempre tomamos mais banhos. Eu, por exemplo, tomo cinco banhos em dias em que a temperatura não está tão alta, mas quando estão os banhos aumentam.

"O custo da energia aumenta conforme o uso, geralmente uso 4 horas de condicionador ligado por noite, no verão é usado de 6 a 8 horas por noite, um aumento de 50 a 100%, na conta de energia".

Record de calor em 2015

A tarde de segunda-feira,  21 de setembro de 2015, foi considerado o dia mais quente em Manaus, em um período de 90 anos. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a temperatura naquele dia chegou a 38,9°C na estação oficial da capital do Amazonas, com sensação térmica de mais de 42 graus.

Na ocasião, o Inmet explicou que as temperaturas em 2015 estavam sendo influenciadas pelo "El Niño". O fenômeno acontece quando as águas do Oceano Pacífico ficam mais quentes que o normal. Com isso, os ventos que sopram na altura do Equador diminuem e ficam mais fracos, causando mudanças climáticas.

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