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    lição de vida


    'Fiquei grávida na primeira transa, e agora?'

    Conheça histórias de jovens de Manaus que engravidaram na primeira relação sexual

    Yasmin Darla - Grávida na primeira transa | Foto: Ione Moreno

    Manaus - Sexo é gostoso e faz bem à saúde, mas pode causar muita dor de cabeça, principalmente entre os mais jovens. Apesar de estar cada vez mais presente na educação básica de adolescentes e jovens, a temática do sexo ainda é cercada de tabus para alguns e essa falta de informação pode ser o fim ou o começo de uma nova vida.

    Muitas garotas se perguntam se é possível engravidar logo na primeira relação sexual. Após a primeira menstruação, a mulher se encontra apta à engravidar. Uma relação sexual desprotegida pode causar uma gravidez não desejada, mesmo que ela seja o primeiro contato sexual da jovem.

    O Em Tempo traz histórias de jovens de Manaus que engravidaram na primeira relação sexual. Este é o caso da matemática Yasmin Darla, de 23 anos, mãe de Isabel Louise de cinco meses. Apaixonada, em 2017, ela teve sua primeira relação sexual, mas semanas depois descobriu que estava grávida.

    É o caso da matemática Yasmin Darla, 23, mãe de Isabel Louise de cinco meses
    É o caso da matemática Yasmin Darla, 23, mãe de Isabel Louise de cinco meses | Foto: Ione Moreno


    “Eu já desconfiava que estava grávida, porque minha menstruação, apesar de ser irregular, já tinha atrasado algumas vezes. Eu resolvi fazer o teste para ter certeza e, no dia 17 de janeiro do ano passado, deu positivo. Foi um choque para mim, mesmo você desconfiando quer ter aquela certeza”.

    Yasmin é filha de família tradicional católica, apesar de já ter 23 anos, foi uma surpresa bem grande para os seus pais descobri que ela estava grávida.

    “Para a mamãe foi um ‘baque’ maior. Apesar de ter desconfiado, ela não queria ter essa certeza. Para contar ao meu pai, minha mãe falou que dessa vez eu é que tinha que contar. Quando ele soube, brigou comigo, ficou de mal por um tempo até assimilar a notícia”.

    A matemática conta que em nenhum momento pensou em abortar e que, desde o primeiro momento, ela só queria proteger a filha. Ela enfatiza que quer acompanhar o crescimento da Isabel e depois focar na carreira profissional.

    Yasmin Darla - Grávida na primeira transa
    Yasmin Darla - Grávida na primeira transa | Foto: Ione Moreno

    “O início é um pouco difícil, você não sabe de nada. Eu nunca tive irmão pequeno para ajudar minha mãe. Então para mim foi complicado, principalmente porque a bebê sentia dores de cólica. E na fase de amamentação meus seios feriram. Eu estudo para concurso público, mas a minha carreira para eu seguir vai ser depois que ela estiver um pouco maior. Aí eu volto com todo o foco”, diz.

    Outra jovem que também engravidou na primeira relação sexual é Sandy Soares, de 19 anos. Há dois anos, ela se apaixonou por um jovem da mesma igreja que frequenta e, já na primeira relação sexual,  ficou grávida de Isabella Soares - que hoje está com 1 ano e sete meses.

     "Eu não imaginava que ia engravidar tão cedo, mas quando aconteceu eu falei logo para os meus pais. Eles não aceitaram logo no início por causa da minha idade, mas depois foram concordando", destaca.

    Sandy Soares mãe de Isabella Soares
    Sandy Soares mãe de Isabella Soares | Foto: Rebeca Mota

    Ela conta que para ela ser mãe está sendo um aprendizado. "Todos os dias eu estou aprendendo a ser mãe". 

    Uma estudante de 17 anos que não quis se identificar, está grávida após a sua primeira relação sexual.

    "Eu estou muito triste, não queria passar por esse momento tão cedo. Eu estava super focada para ingressar em carreira militar. Está sendo muito difícil, mas estou tendo o apoio da minha mãe".

    A mãe desta jovem de 17 anos, diz que foi um susto saber da gravidez, ainda mais sabendo que a filha tinha toda informação sobre gravidez precoce e meios de prevenção. 

    "Nós imaginamos um futuro para nossos filhos, mas geralmente as coisas acontecem diferente. Ainda estou me acostumando com a ideia, afinal ela só está com quatro semanas, mas vou dar todo apoio".

    Ginecologista responde...

    “Com certeza é possível. Desde que a menina já tenha menstruado e está no período fértil dela, consequentemente está correndo risco de engravidar”, diz o ginecologista Thiago Gester.

    Não há mistério. Sexo sem anticoncepcional e sem camisinha pode engravidar, mesmo que você seja virgem. Aliás, se você for virgem, o risco de engravidar pode até ser maior, alerta o médico. 

    O preservativo é o meio mais barato para prevenir gravidez e DSTs
    O preservativo é o meio mais barato para prevenir gravidez e DSTs | Foto: divulgação


    “Na gravidez precoce tem a questão da insegurança, depressão, tem gente que pensa em cometer suicídio ou em abortar. O impacto orgânico é que pode levar a jovem a um parto prematuro. Isso depende muito da idade, quanto mais precoce, mais está propício a desenvolver hipertensão e deslocamento de placenta. O ideal não é engravidar nem muito cedo e nem muito tarde, como na faixa etária cima dos 40 anos”, diz.

    Pesquisa

    Pesquisas científicas mostraram que um alto nível de estresse altera o equilíbrio hormonal da mulher. Ou seja, ela pode ficar mais fértil. Muitas vezes, a primeira relação sexual causa ansiedade e isso pode deixá-la até mais propensa a uma gravidez. 

    A ginecologista Mariana Telles alerta para prevenção das DST e destaca que a camisinha deve ser usada em todo tipo de ato sexual (anal, oral e vaginal).

    "Uma consulta prévia com o/a clínico/a geral, médico/a de família ou ginecologista pode  tirar dúvidas e aumentar as informações sobre métodos contraceptivos mais indicados em cada situação".

    Depois de tomadas todas as precauções para prevenir a transmissão de doenças e evitar uma gravidez não planejada, é importante que as pessoas envolvidas criem intimidade e não tenha pressa para que as coisas aconteçam de forma prazerosa.  

    "A tensão e a expectativa exagerada podem interferir diretamente no prazer, pois dificultam a lubrificação genital e o relaxamento da musculatura dessa região, dificultando o prazer", orienta.

    Pauta e edição: Bruna Souza

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