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    Manifestação


    Amazonas se une a ato nacional em meio a crise no governo Bolsonaro

    Cerca de três mil pessoas estiveram reunidas no Centro de Manaus para protestar contra a política de contingenciamento do governo

    Ato foi o segundo do dia. O primeiro aconteceu em frente ao campus da UFAM, no Coroado | Foto: Marcely Gomes/EM TEMPO

    Manaus - Servidores da educação pública de ensino superior no Amazonas protestaram contra o contingenciamento de verbas do Governo Federal na tarde desta quarta-feira (15). A manifestação, que também ocorreu em todo o país, aconteceu na Praça da Saudade, no Centro de Manaus.

    Segundo estimativas da organização, mais de três mil pessoas participaramm do ato, que seguiu em marcha pela avenida Epaminondas, em direção à avenida Eduardo Ribeiro. Policiais militares da 24ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom) e o Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização do Trânsito (Manaustrans) deram apoio ao protesto, que reuniu servidores técnicos, alunos e professores da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas (IFAM) e da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

    Este já é o segundo ato protesto do dia contra o contingenciamento das verbas federais. Pela manhã, em meio à forte chuva que caía sobre a capital, professores, técnicos e alunos fizeram uma marcha do campus da UFAM, no Coroado, até a avenida General Rodrigo Otávio, uma das principais vias de ligação entre as zonas Sul e Leste de Manaus.

    Manifestantes levavam cartazes com palavras de ordem contra o presidente e o governo
    Manifestantes levavam cartazes com palavras de ordem contra o presidente e o governo | Foto: Marcely Gomes/EM TEMPO

    Defesa da educação pública

    O presidente da Associação dos Docentes da Universidade Federal do Amazonas, professor Dr. Marcelo Vallina, diz que o movimento tem um único objetivo, que é a defesa da educação pública, gratuita e de qualidade. Segundo ele, a situação política do governo atual tem sido cortar tanto para o ensino superior como para a educação básica.

    "Nós já estamos esse problema de orçamento desde a aprovação da Emenda Constitucional 95. Estamos, na UFAM, com cortes que já vem desde 2010. Isso dificulta propor uma política de educação de qualidade. Como vamos formar profissionais desde a creche até a universidade sem recursos para isso?", questiona o docente.

    Mobilizações

    Vallina também salienta que além do contingenciamento de verbas, outro ataque que o setor de educação está sofrendo é a reforma da Previdência, que segundo ele, visa atacar não apenas os professores, que já estão empregados, mas também a juventude, que está dando uma lição de cidadania. Ele aponta que outro eixo de mobilização da classe tem sido mostrar o que está sendo produzido em termos de pesquisa científica nas universidades e institutos federais. 

    "90% de toda a produção é feita por entidades públicas. De hoje para a frente, nós vamos mostrar o que, de fato, fazemos. Há uma campanha de mentiras contra as universidades públicas, e queremos mostrar o que produzimos, o que fazemos, qual o nosso trabalho real dentro das instituições", argumenta.

    Ato é o primeiro programado para o mês de maio. Segundo a organização, outros devem continuar até junho, e terminar com uma greve geral
    Ato é o primeiro programado para o mês de maio. Segundo a organização, outros devem continuar até junho, e terminar com uma greve geral | Foto: Marcely Gomes/EM TEMPO

    A coordenadora geral do Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Superior do Amazonas (Sintesam), Neuza Borges, afirma que o ato do dia 15 de maio é o primeiro de uma série de outros que vão até o mês de junho, quando deve ser deflagrada uma greve geral. "Essa manifestação de hoje não acontece só aqui em Manaus, mas em todo o Brasil. Vamos fazendo os atos até o mês de junho, e em junho, vamos deflagrar a greve geral, diz.

    Neuza aponta que só na UFAM, o corte foi de R$ 39 milhões, que segundo ela, representam investimentos em ensino e pesquisa. "Estamos reunidos aqui em prol da educação. Essa união é necessária, e o governo federal precisa entender que o país precisa de educação. Sem educação não se vence nada. Esse governo não governa, desce ladeira abaixo e quer levar o povo junto", completa.

    Ato unificado

    Na Praça da Saudade, além dos cartazes e palavras de ordem contra o presidente Jair Bolsonaro (PSL), podiam-se ver bandeiras e cartazes de movimentos ligados a partidos políticos como a União da Juventude Socialista (UJS), ligada ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB), e da Juventude Socialista, ligada ao Partido Democrático Trabalhista (PDT), além de bandeiras da União Nacional dos Estudantes (UNE), União Brasileira de Estudantes Secundaristas (UBES) e Associação Nacional de Pós-Graduandos.

    Os estudantes também levavam adesivos nas roupas, com frases como "educação não é balbúrdia" e "em defesa da UFAM". Um grupo de 50 alunos do campus Manaus Zona Leste (CMZL) do IFAM, em apoio ao ato, levou banners de apresentações de trabalhos acadêmicos. "Viemos aqui para mostrar os projetos que fazemos do instituto federal, para mostrar que não se faz balbúrdia dentro dos IFs, como o ministro falou", argumenta o estudante Kalel Paiva, do curso Técnico Subsequente em Recursos Pesqueiros do IFAM.

    Estudantes da UEA, da UFAM e do IFAM, além de servidores técnicos e professores, participaram do ato
    Estudantes da UEA, da UFAM e do IFAM, além de servidores técnicos e professores, participaram do ato | Foto: Marcely Gomes/EM TEMPO

    Já a estudante Luma Bonet, do curso Integrado em Administração do IFAM, diz que a política de contingenciamento de verbas do governo federal está tirando cerca de R$ 1,8 milhão do Campus Zona Leste. "Esse é um dinheiro que poderia pagar três anos de alimentação grátis. Nós estamos muito acordados para os atos desse governo, que mais do que nunca, quer sucatear a educação", completa.

    "A ideia que Bolsonaro tem sobre as universidades brasileiras é totalmente errada. Infelizmente a sociedade está comprando essa ideia. A UFAM é uma grande produtora de pesquisa científica. Sim, há lazer e festas, mas também temos aulas e pesquisas incríveis. O presidente chegar e dizer que nós passamos o dia fazendo balbúrdia é inaceitável", finaliza a estudante Yanca Monteiro, de 18 anos, que cursa História na federal do Amazonas.

    No país

    Pelo menos 75 das 102 universidades e institutos federais do País convocaram protestos para esta quarta-feira, (15), em resposta ao bloqueio de 30% dos orçamentos determinado pelo Ministério da Educação (MEC). Eles terão apoio de universidades públicas estaduais de diversos Estados – incluindo São Paulo, onde os reitores de USP, Unicamp e Unesp convocaram docentes e alunos para “debater” os rumos da área.

    Além de Manaus, outras capitais brasileiras também foram palco de marcha contra o contingenciamento
    Além de Manaus, outras capitais brasileiras também foram palco de marcha contra o contingenciamento | Foto: Marcely Gomes/EM TEMPO

    Posicionamento

    Em nota, o Ministério da Educação (MEC) disse que está aberto ao diálogo com as instituições de ensino. A pasta informou que o ministro Abraham Weintraub recebeu reitores de Institutos Federais e Universidades desde que tomou posse, e se colocou à disposição para "debater soluções que garantam o andamento dos projetos e pesquisas em curso". 

    A pasta reafirma que o bloqueio atingiu 3,4% do orçamento total das universidades federais, mas diz que o MEC manteve salários dos servidores. "Importante frisar que o MEC, mesmo diante de um quadro de contingenciamento imposto pelo Decreto nº 9.741, de 28 de março de 2019 e da Portaria nº 144, de 2 de maio de 2019, manteve os salários de todos os professores e profissionais de ensino, assim como seus benefícios já adquiridos", finaliza a nota. 

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