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    Manaus 350 anos


    Manauaras de coração: histórias de quem escolheu a capital para morar

    Conheça pessoas de diferentes origens, credos e culturas, mas que aqui encontraram o tal “Eldorado”

    A paulistana Paula Gabriel conta que Manaus é especial pelas pessoas que vivem nela | Foto: Leonardo Mota

    Manaus - São 350 anos de história narrada pelos mais de 2,18 milhões de habitantes que povoam Manaus e há aqueles que não nasceram aqui, mas escolheram a capital amazonense para chamar de casa. Seja por trabalho, estudo ou simplesmente por querer mudar de ares, os manauaras de coração vieram para cá trazendo sonhos e esperanças, construíram uma vida e se apaixonaram pela cidade. 

    O Portal EM TEMPO conversou com algumas dessas pessoas e descobriu como foi a decisão de se mudar para Manaus, o que mais amam na cidade e por que essa terra é tão especial. 

    Uma história de amor com Manaus

     Foi em 1998 que o cantor Nicolas Jr desembarcou em Manaus pela primeira vez. Ele ainda não sabia, mas seria na capital manauara que ele construiria família e uma carreira musical. Nascido no município de Terra Santa, no interior do Pará, Nicolas veio para fazer um curso em um estúdio de gravação. O que era para durar um mês acabou virando duas décadas de amor a Manaus. 

    “Acabei ficando. Me encantei com o meio musical e, pouco tempo depois, comecei a tocar e fazer música. Veio a ideia do disco e então uma sucessão de coisas. Estou aqui até hoje”, conta o artista, que se diz apaixonado pela cidade.

    “Me considero manauara com certeza. Eu adoro esse lugar. Tanto é que meu trabalho traduz muito do que eu penso da cidade”, acrescenta o músico, que explora os aspectos sociais da cidade, cultura, língua e o jeito de ser do caboclo manauara em suas canções. Basta escutar músicas como ‘Feira da Panair’, ‘O Amazonês’ e ‘Manaus’ para comprovar o fascínio de Nicolas pelas coisas manauaras. “Me identifico muito com o lugar, a cidade, o Amazonas e eu transporto isso para minhas músicas”, diz Nicolas.

    O músico tem uma lista de lugares favoritos em Manaus, desde o Teatro Amazonas até a Praia da Lua. O Porto da cidade é um dos locais que cativou o coração do paraense-amazonense. “O Porto me lembra muito a chegada e a partida. Tem muitos encontros, pessoas se reencontrando, se despedindo. É uma ebulição de sentimentos, gosto muito de observar aquilo ali”, revela.

    Mas o que conquistou de verdade Nicolas foi o povo manauara. “O povo é muito receptivo. Mesmo com tantos problemas sociais que a gente encontra, o  povo amazonense é o que me cativa mais, porque é muito acolhedor. Uma das coisas que me fez ficar em Manaus foram as pessoas”, declara.

    “Vi essa cidade crescer. Há lugares que eu conheço que são maravilhosos, cidades incríveis e bonitas, mas Manaus tem a coisa do povo e faz com que a gente fique. Essa é a grande graça da cidade”, diz o músico. 

    Construindo uma cidade melhor 

    Paula lembra o dia exato em que chegou em Manaus para ficar: 29 de agosto de 2015
    Paula lembra o dia exato em que chegou em Manaus para ficar: 29 de agosto de 2015 | Foto: Leonardo Mota

     Já a paulistana Paula Gabriel lembra o dia exato em que chegou a Manaus para ficar: 29 de agosto de 2015. Paula veio para Manaus a trabalho. Formada em Relações Internacionais, ela atuava no escritório da Fundação Amazonas Sustentável (FAS) em São Paulo quando resolveu trazer o festival Virada Sustentável para Manaus.

    “Precisei vir bastante a Manaus para criar o conselho criativo do evento, já que queríamos que a Virada fosse construída por pessoas da cidade. Foram dois meses na casa de amigos até a realização do evento. No final de agosto eu me mudei e, segundo minha mãe, me adaptei no dia seguinte”, relembra ela com carinho.

    Não foi difícil para Paula se acostumar com o ritmo da nova casa. Segundo ela, os manauaras e amazonenses têm um jeito diferente de aproveitar o tempo. 

    “Gosto muito do ritmo da cidade, assim como do interior do Amazonas, por onde viajei pela FAS. Acho que os amazonenses vivem muito bem, respeitam o horário do almoço, apreciam um bom café da tarde sem pressa, assim como o pôr do sol e a natureza”, considera.

    Para Paula, a melhor parte de viver em Manaus é o fato de ela estar localizada na floresta amazônica. “Gosto de morar na Amazônia, de estar próxima da natureza, de poder tomar um banho de rio e me energizar”, exemplifica.

    Como o trabalho de Paula tem tudo a ver com a criação de cidades sustentáveis, preocupadas com o equilíbrio entre o homem e o meio ambiente, é um prazer para ela ajudar na construção de uma Manaus melhor.

    “Meu sentido na vida, em qualquer lugar em que eu more, é eu fazer sentido para outras vidas. Quero muito estar sempre nesse movimento de transformações e melhorias, e tenho conseguido fazer isso em Manaus”, comemora, sem deixar de reconhecer que ainda há um longo caminho para a capital amazonense ser, de fato, uma cidade sustentável.

    O que torna Manaus tão especial? Na visão de Paula, são as pessoas. “Várias famílias, que agora são minhas famílias manauaras, sempre me acolheram de uma maneira muito bonita, nas datas comemorativas e no meu aniversário”, conta.

    Encontrando um pouso

    A jornalista Jakeline Xavier conta que já viveu em vários cantos do Brasil, mas é apaixonada por Manaus
    A jornalista Jakeline Xavier conta que já viveu em vários cantos do Brasil, mas é apaixonada por Manaus | Foto: Leonardo Mota

    A jornalista Jakeline Xavier já viveu em vários cantos do país. Acre, Goiás, Mato Grosso do Sul e o interior de São Paulo são alguns dos lugares onde ela morou, impulsionada pela profissão dos pais, que trabalhavam em Organizações Não Governamentais (ONGs) de apoio aos povos indígenas.

    Jakeline, que é natural de Araçatuba, São Paulo, passou pela primeira vez por Manaus aos 10 anos de idade, onde ficou por um tempo até mudar-se novamente, dessa vez para Goiás. Ela voltaria de vez já na adolescência, aos 16.

    “O processo de adaptação foi difícil porque eu era adolescente, mas como já tinha passado por isso muitas vezes, quando era criança, ficou mais fácil depois. Só vim me conectar de verdade com Manaus quando fiquei mais velha”, diz.

    Ela decidiu conhecer, de fato, a cidade em que vivia e acabou se encantando pela cultura e diversidade manauaras. “São as coisas que eu mais amo em Manaus”, afirma. 

    “Manaus é uma cidade interessantíssima. Em cada canto você encontra histórias e pessoas interessantes. É uma cidade que tem lugares bonitos e belezas naturais”, enumera. O fato de esta ser a capital da Amazônia também contribui para o imenso carinho pelo lugar, pois Jakeline é apaixonada pelo ‘paraíso’ que é a floresta amazônica.

    “O que torna Manaus especial são as pessoas. Elas têm um senso de pertencer a seu espaço que é bem legal. Para mim, Manaus é como uma floresta encantada. É linda demais, amo os detalhes da natureza daqui. Sou apaixonada por essa cidade”, diz a jornalista.