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    Transporte fluvial: um caminho a ser explorado em Manaus

    Apesar do potencial, projetos para a modalidade ainda são pouco implementados

    A prática de transporte por meio de barco, voadeiras ou catraias é comum para o amazonense | Foto: Lucas Silva

    Manaus - O transporte fluvial é uma das modalidades que podem ser exploradas para o transporte da população de um bairro para outro na cidade de Manaus, que fica às margens do Rio Negro, uma extensa orla fluvial e com redes de igarapés que interligam as zonas da cidade num curto espaço de tempo. No entanto, essa alternativa ainda é inexplorada, e os projetos voltados para eficiência desse modal não ganham força em sua implementação.

    A prática de transporte por meio de barco, voadeiras ou catraias é comum para o amazonense. Uma das primeiras tentativas de transformar o hábito em sistema de transporte coletivo fluvial ocorreu em 2014, na Comunidade 11 de maio, localizada no bairro Colônia Antônio Aleixo, na Zona Leste de Manaus. A instalação ocorreu devido a uma iniciativa privada para tornar-se uma opção além das linhas coletivas de ônibus.

    O bairro fica localizado a quase uma hora de distância do centro por estrada viária, sem congestionamento, um fator que pode alterar e oscilar o tempo necessário de deslocamento. Por acesso fluvial, o trajeto poderia ser realizado em até 30 minutos.

    O projeto funcionava com um preço simbólico para ida e volta. O valor era mais alto que a taxa de ônibus, mas proporcionava ao usuário uma estrutura confortável em barcos de modelo lancha, além de aproveitar a paisagem natural oferecida.

    Atualmente, apesar de mostrarem que é possível utilizar o meio de transporte fluvial, a Comunidade 11 de Maio não possui o projeto em funcionamento. O porto conhecido como Porto das Catraias funciona como um espaço independente de travessia para bairros e comunidades mais próximas da comunidade 11 de Maio.

    O local apresenta aproximadamente 100 catraeiros que realizam as travessias para a população de forma independente, principalmente para o bairro Puraquequara e balneários durante os finais de semana, que tem acesso fluvial a partir do porto do bairro Colonia Antônio Aleixo e podem ser fretados ou realizar o serviço de “táxi” fluvial. A prática é comum no outro extremo da orla fluvial da cidade, na Marina do Davi, Ponta Negra, Zona Oeste da capital.

    Um dos catraeiros que trabalham na área, Josel Silva comenta que o fluxo é grande, principalmente em finais de semana, mas que, mesmo nos dias de pouco movimento, consegue garantir uma boa renda. “Nas comunidades mais próximas, existem escolas, delegacias, hospitais e mercados, mas a travessia é constante para pegar ônibus, para algumas crianças que decidiram estudar para cá ou até mesmo para realizar algumas compras de mercadorias que aqui são mais baratas”, destaca.

    Na Marina do Davi, o fluxo de passageiros é grande nos fins de semana
    Na Marina do Davi, o fluxo de passageiros é grande nos fins de semana | Foto: Ione Moreno

    Os trabalhadores do porto da catraia destacam que os serviços de transporte fluvial instalados há anos funcionaram em pouco tempo, pois a população preferia manter os hábitos já tradicionais de utilizar o ônibus ou outros meios de transporte viário para deslocamento do bairro. Eles ressaltaram, ainda, que atualmente os serviços de travessia são realizados de forma independente, sem alguma associação que fique responsável pelos seus direitos e ordenamento.

    De acordo com um trabalhador que atua no Porto há mais de 20 anos e que prefere não se identificar, os assaltos de barcos são uma das principais dificuldades vivenciadas. “Teve uma época que tinha assalto direto nos barcos e lanchas. Quando estávamos mais distantes da margem, os bandidos anunciavam o assalto, tinham que pular no rio e eles levavam as coisas”, comenta.

    Venda de passagem fluvial para a Parintins
    Venda de passagem fluvial para a Parintins | Foto: Marcio Melo

    Projetos

    O transporte fluvial coletivo tem sido tema de candidatos à gestão municipal há tempos. A Prefeitura de Manaus, na sua atual gestão do Prefeito Arthur Virgilio Neto, com objetivo de garantir financiamento para o sistema de transporte coletivo fluvial, apresentou em 2017 um projeto ao Banco Mundial, mas até então nada foi concretizado.

    Entre um dos seus principais defensores da ideia, está o então Senador Plínio Valério (PSDB), que em 2014 apresentou um projeto para que fossem realizados projetos semelhantes ao que foi implantado na comunidade 11 de maio.

    Plínio Valério destaca que discutiu a ideia durante sua candidatura a Prefeitura de Manaus em 2004 e defende que a ideia seja implantada visando seus benefícios. “O transporte fluvial desafogaria o trânsito de Manaus, principalmente na área do Centro de Manaus, e em 2014 eu coloquei essa ideia na Lei de Diretrizes Orçamentarias, mas até agora não houve nenhuma ação e nada foi feito” destaca o senador.

    Plínio Valério comenta que o transporte fluvial como meio de transporte urbano para melhorar a mobilidade urbana da cidade existe apenas como ideia. “Não existem projetos no papel que o concretizem, mas sim muitas ideias a serem realizadas”, completa o senador.

    Para ele, um dos motivos que dificultam a implementação é o conflito de interesses nas verbas a serem aplicadas. “Existe a falta de boa vontade em fazer. O projeto pode ser caro, mas é preciso ser colocado em papel. Temos uma orla fluvial que acessa os bairros de Mauazinho, Santa Luzia, Educandos, Mercado do Centro,São Raimundo, Compensa e Ponta Negra. Existem muitas dificuldades, e deveríamos realizar a construção de hidroviárias para receber o fluxo, mas temos que aproveitar nossa orla e nosso rio e a ideia do transporte fluvial é um plano que com certeza irei levar para frente, com calma”, completa o senador.