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    Apreensões


    Mais de 1,5 mil adolescentes foram apreendidos em Manaus

    Os atos infracionais que mais causam apreensões de adolescentes são tráfico de drogas e roubo

    75% dos apreendidos são do sexo masculino | Foto: Divulgação/SSP-AM

    Manaus- De janeiro a julho de 2019, foram registradas 1.551 apreensões de adolescentes na Delegacia Especializada em Apuração de Atos Infracionais (Deaai), da Polícia Civil. Em sete meses passaram pela delegacia, em média, sete adolescentes por dia. E, de acordo com os dados da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), 75% dos apreendidos são do sexo masculino.

    Segundo informações da titular da Deaai, delegada Elizabeth de Paula, os atos infracionais que mais causam apreensões de adolescentes são tráfico de drogas e roubo. “Os dois crimes se misturam entre si, porque o adolescente ou rouba para adquirir a droga ou ele está usando droga e vai roubar. É um ciclo vicioso porque, como o tráfico é um comércio ilegal, eles precisam ter outra forma de comprar a droga. Por conta disso, eles cometem um ato infracional rápido, de forma que ele possa ter dinheiro para comprar droga”, explica.

    A autoridade policial ainda afirma que os pais devem redobrar atenção ao comportamento dos filhos, já que os adolescentes dão sinais quando começam a se envolver no mundo do crime.

    “Os pais têm que saber com quem o filho está andando, onde o filho está e, principalmente, fazer o acompanhamento na escola, sabendo como está o filho, porque, da maioria dos casos que chegam aqui, os pais não sabem nada da vida do filho. O jeito do adolescente se vestir muda, a conversa dele muda, tudo muda. Não é algo que acontece rápido. O que acontece rápido é a apreensão. Mas aquele adolescente já veio se transformando ao longo dos anos”, disse a delegada.

    Elizabeth de Paula também contou que, dos casos que chegam até a Deaai, o que se pode perceber é que os pais até identificam a mudança de comportamento do filho, mas não querem entrar em um confronto direto, já que é a adolescência é uma fase de transição.

    Prevenção

    Há três anos, a Deaai faz palestras em escolas públicas municipais e estaduais da capital, realizando um trabalho de orientação com os jovens e com os funcionários. Para os gestores de escolas que queiram a parceria da Deaai, basta procurar a sede da especializada, localizada na avenida Desembargador João Machado, bairro Flores, zona centro-sul de Manaus.

    Proerd

    O Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd), da Polícia Militar do Amazonas (PMAM), foi implantado no Estado em 2002 e aplica técnicas centradas na resistência à pressão de grupos, auxílio na tomada de decisões para dizer não as drogas, desenvolvimento de habilidades que levem a motivação, além de ser um programa estratégico que objetiva educar, principalmente, as crianças e adolescentes em seu meio natural, a escola.

    São desenvolvidas atividades interativas auxiliadas pelo policial instrutor, juntamente com o professor, que objetiva que crianças e jovens desenvolvam uma atitude positiva em relação às autoridades e respeito às leis.

    “O programa trabalha com o currículo Kids, currículo 5º e 7º ano, além do currículo ‘Pais’, tendo a oportunidade de trabalhar todas as faixas etárias. Nossa grande atuação acontece nas escolas, mas trabalhamos também com palestras e procuramos estar em todas as ações sociais realizadas pela instituição, principalmente as que envolvem crianças e adolescentes”, explica o coordenador do programa, major Alisson Henriques.

    Além da capital, o Proerd também está presente nos municípios de Barcelos, Barreirinha, Carauari, Coari, Humaitá, Itacoatiara, Jutaí, Manacapuru, Manicoré, Parintins, Tefé, Urucará, Lábrea e Tabatinga. Em 2019, o programa já teve 25.771 alunos.

    Gestores que queiram o programa dentro da unidade escolar devem enviar um requerimento ao Comando Geral da Polícia Militar.

    Formando Cidadão

    O programa Formando Cidadão, da Polícia Militar, foi implantado em Manaus em 1997, com o intuito de prevenir ou recuperar jovens em idade entre 12 e 17 anos em risco social e pessoal. A iniciativa promove uma convivência de ação educativa que possa auxiliar no desenvolvimento integral dos adolescentes, preparando-os para o exercício da cidadania por meio dos estudos e de atividades como esportes, práticas de ações cívicas e profissionais.

    Atualmente coordenado pelo coronel Wanderley Yokoyama, o programa atende 553 jovens da capital e dos municípios de Manacapuru, Iranduba, Cacau Pirêra, Tefé, São Gabriel da Cachoeira e Alvarães.

    Por meio da iniciativa, os jovens também têm orientação, treinamento e encaminhamento para as Forças Armadas, encaminhamento ao mercado de trabalho por meio do Jovem Aprendiz e encaminhamento a cursos profissionalizantes.

    “A maioria dos jovens que participam tem a ambição de ser policial ou militar. Como finalizamos a participação deles, na faixa dos 18 anos, são encaminhados para as Forças Armadas, e lá eles acabam sendo absorvidos. Temos vários jovens aqui que já se tornaram policiais militares e já estão na nossa Força”, disse o coordenador do programa, coronel Yokoyama.

    *Com informações da assessoria