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    Acolhimento


    Manaus: abrigo para refugiados e migrantes venezuelanos será ampliado

    Ação é feita por meio de doação do governo japonês à Cáritas e conta com apoio da Agência da ONU para os Refugiados

    O anúncio foi feito na sede da Cáritas pela cônsul-geral do japão Hitomi Sekiguchi | Foto: Felipe Irnaldo/ACNUR Brasil

    Manaus- Parceiro das Nações Unidas no acolhimento de refugiados e migrantes venezuelanos no Brasil, o Consulado-Geral do Japão anunciou na quarta-feira (10), a ampliação dos esforços para proteger e assistir a população refugiada em Manaus.

    Por meio de uma articulação da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) no Brasil com entidades locais, o governo japonês doará à Cáritas Arquidiocesana de Manaus cerca de R$ 445 mil (US$ 121.734,00) para a reforma e ampliação da Casa do Migrante Beato João Scalabrini, localizada no bairro Santo Antônio, Zona Oeste da cidade. 

    O anúncio foi feito na sede da Cáritas pela cônsul-geral do japão Hitomi Sekiguchi. Estiveram na solenidade a chefe da unidade de Manaus do ACNUR, Catalina Sampaio, o vice-presidente da Cáritas, Pe. Alcimar Araújo, a secretária executiva adjunta de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (SEJUSC), Edmara Cambaúva e o coordenador da Casa do Migrante, Valdecir Molinari. 

    O investimento será diretamente revertido na ampliação e melhoria do abrigo, que passará a ter capacidade para 70 refugiados em trânsito. Ano passado, mais de 850 refugiados e migrantes venezuelanos passaram pelo local.

    “O Japão tem um histórico de ser bem acolhido no Brasil, e queremos apoiar o acolhimento brasileiro aos refugiados venezuelanos, proporcionando melhorias em suas condições de estada. É um compromisso do povo japonês com os brasileiros e com a população da Venezuela”, ressaltou a Cônsul-geral do Japão, Hitomi Sekiguchi.

    O novo projeto da casa foi desenhado pelo ACNUR e segue padrões internacionais de abrigamento, prevendo novos dormitórios, reforma e adequação da cozinha e refeitório, além da construção de espaços para atendimento a casos de proteção de pessoas em situação de vulnerabilidade. O abrigo também será adaptado para fornecer acessibilidade aos perfis mais vulneráveis, como pessoas com necessidades específicas.

    “O trabalho do ACNUR no Brasil busca fortalecer e apoiar a rede local para acolhida de pessoas refugiadas e migrantes. A reforma do abrigo Santo Antônio vai garantir apoio emergencial e de proteção para quem foi forçado a deixar a Venezuela, e também para refugiados de outras nacionalidades que precisam de apoio, como colombianos, haitianos e cubanos, algo que sempre foi papel histórico da casa”, explica a chefe do escritório do ACNUR em Manaus, Catalina Sampaio.

    Quando concluída, a casa contará com dormitórios familiares, que propiciarão às famílias não se separarem na chegada a Manaus. Além disso, painéis solares captarão energia que ajudará a reduzir o consumo e despesas de energia no dia-a-dia.

    Para o vice-presidente da Cáritas, Pe. Alcimar Araújo, a construção vem melhorar a estrutura de acolhimento, e amenizar os desafios  dos refugiados na cidade. "A Cáritas recebeu esse desafio com muita responsabilidade, pois entendemos que é o momento de estendermos às mãos aqueles que tanto precisam. A reforma vem em boa hora, e vamos nos mobilizar para que as obras iniciem o mais rápido e tragam impacto o quanto antes”, destacou.

    Desafio de acolhida

    Segundo dados do sistema de registro da Polícia Federal, cerca de 16 mil venezuelanos haviam solicitado formalmente refúgio em Manaus até abril de 2019. Atualmente, são 1.115 venezuelanos distribuídos em seis abrigos espalhados da cidade. 

    Segundo a secretária adjunta da SEJUSC, Edmara Cambaúva, o Governo do Estado tem realizado vários esforços para apoiar e amenizar a situação dos refugiados na cidade.

    “O governo, junto com os atores locais, tem feito um esforço para auxiliar a população venezuelana que desembarca todos os dias na cidade. Desde ações na ponta, propiciando acesso aos serviços básicos, até ações de mobilização conjunta com outras pastas”, destacou.

    O número de venezuelanos fora do seu país é resultado de um intenso e contínuo fluxo de saída. Mais de 4,8 milhões de pessoas já haviam deixado o país até junho desse ano. Cerca de 115 mil solicitaram refúgio no Brasil, segundo a Polícia Federal.

    Os países latino-americanos estão recebendo a vasta maioria dos venezuelanos, com a Colômbia respondendo por cerca de 1,3 milhão, seguida pelo Peru (768 mil), Chile (288 mil), Equador (263 mil), Brasil (168 mil) e Argentina (130 mil). O México e os países da América Central e do Caribe também recebem um número significativo de refugiados e migrantes da Venezuela.

    *Com informações da assessoria