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    Manaus 350 anos


    Política: desde o Forte até a metrópole manauara de hoje

    A começar do Forte São José da Barra, em 1669, Manaus passou por várias modelos políticos que fizeram a sua história

    O Paço da Liberdade foi sede da Prefeitura de Manaus em 1917. Atualmente funciona como museu. | Foto: Manauscult

    Manaus - Após ser elevada à categoria de cidade, primeiramente conhecida como Barra do Rio Negro, Manaus passou por transformações na sua administração pública até a formação para o atual modelo de gestão política. A administração pública sofreu fortes influências das decisões políticas estaduais e nacionais e que marcam os 350 anos de Manaus.

    Antes de se começar a pensar em administração de cidade nos tempos modernos, o território que hoje se chama Manaus era uma região povoada por tribos indígenas de etnias como os barés, os banibas, os passes e os manaós, que emprestou o nome à capital do Amazonas. Cada uma com seus costumes.

    A primeira grande interferência política na vida desses povos começou por volta de 1669, com a instalação do Forte São José da Barra, a fim de garantir a hegemonia portuguesa na região. Tratava-se de um forte feito de pedra e de barro, que os portugueses usavam para proteger a região contra as invasões espanholas.

    Ao longo dos anos entre forte, capitania, vila até o título de cidade, o chefe do governo municipal de Manaus nem sempre foi denominado como prefeito nem todos foram eleitos por voto direto. Até chegar a essa configuração política, houve algumas alterações, que implicam em fases importantes. Dos anos de 1890 a 1911, o chefe da gestão municipal, que atualmente conhecemos como prefeito, era conhecido como Superintendente de Manaus. O militar Leovigildo Coelho foi nomeado como o primeiro chefe de gestão municipal de Manaus.

    De 1911 a 1929 os superintendentes passaram a ser eleitos, e então o senador da República, Jorge de Morais, ficou conhecido como o primeiro prefeito eleito por voto direto em Manaus. Em 1926, com a promulgação da Constituição Amazonense de 14 de fevereiro, que os gestores passaram a ser denominados como prefeitos, porém, continuaram sendo nomeados.

    O sistema político foi mudado novamente em 1923, quando os superintendentes voltaram a ser nomeados até 1925. A nomeação dos chefes da gestão municipal continua até 1926, porém, agora conhecidos como prefeitos por 40 anos para restabelecer eleições diretas. A eleição direta para prefeito ocorreu de 1962 a 1965, com o Josué Claudio de Souza sendo eleito pelo povo.

    A eleição direta foi interrompida quando, novamente, os prefeitos voltaram a ser nomeados até 1986, ano em que eles voltaram a ser eleitos por voto do povo. A mudança de prefeitos eleitos democraticamente dura até a atualidade, sendo Manoel Henriques Ribeiro o primeiro prefeito eleito pelo povo. No atual modelo político, o atual prefeito Arthur Virgílio Neto é o 13° a ocupar a gestão municipal.

    Regime Militar

    Outro fator que teve grande Influência política em Manaus, de acordo com historiadores, foi o Golpe Militar de 1964, que encerrou o governo do então presidente João Goulart, mais conhecido como Jango, eleito democraticamente. Essa alteração na conjuntura política, econômica, social e cultural nacional foi decisiva para os novos rumos na política em Manaus.

    Em Manaus, o impacto na gestão não foi diferente. A administração do então prefeito Vinícius Monte Conrado Gomes, eleito democraticamente, durou oito meses. Ele renunciou ao cargo por conta do regime militar. Em seu lugar, o militar Paulo Nery assumiu o governo militar, que ficou no cargo de prefeito durante sete anos, entre os anos de 1965 a 1972.

    Nomes da história

    Os nomes de alguns ex-prefeitos podem estar no cotidiano de muitos manauaras e, às vezes, sem saber a ideia da influência de suas gestões na cidade. Nomes de ruas, patrimônios históricos e bairros carregam o nome de alguns desses gestores que tiveram forte influência na política manauara.

    Considerado patrimônio histórico pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), desde 1981, o Mercado Adolpho Lisboa, carrega o nome do prefeito responsável pela construção e inauguração no mercado. Adolpho Lisboa foi prefeito de Manaus em 1902 e posteriormente em 1907.

    Outros nomes importantes na gestão municipal de Manaus são Vivaldo Lima, que deu o nome ao antigo estádio de futebol que hoje é conhecido como Arena da Amazônia; Gilberto Mestrinho, ex-prefeito e ex-governador do Amazonas, deu nome a um dos bairros da Zona Leste e ao complexo viário do bairro Coroado; Amazonino Medes, que ainda está vivo, deu nome a um conjunto residencial popular localizado na Zona Norte da cidade; e Alfredo Nascimento, também ex-prefeito, deu nome a uma comunidade também na Zona Norte.

    Outros ex-prefeitos de Manaus como Leonardo Malcher, Lóris Cordovil, Hidelbrando Luiz Antony e Jorge Teixeira emprestaram os seus nomes para bairros, monumentos históricos, ruas da cidade. Já Ismael Benigno, deu nome ao estádio da Colina, no bairro São Raimundo, Zona Centro-Oeste.