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    Saúde mental


    Aumento do número de casos de depressão acende alerta no AM

    Mais de 600 casos foram registrados em Manaus até 2019; número de suicídios cresceu 30% neste ano no Estado

    Doença pode atingir homens e mulheres em qualquer fase da vida | Foto: Leonardo Mota

    Manaus - Considerada por muitos o mal do século, a depressão é uma doença psiquiátrica crônica e recorrente, com sintomas que vão além da tristeza e indisposição. Segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), mais de 600 pessoas com depressão procuraram atendimento nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPs) de Manaus, de janeiro de 2018 a novembro de 2019.

    Laís*, de 25 anos, começou a perceber um desânimo profundo e vontade de se isolar. “Eu estava desanimada para muita coisa. Comecei a querer ficar sozinha mais do que o normal. Preferia estar em um mundo só meu”, conta a estudante. Com a pressão dos estudos, perda de dinheiro e o fim de um namoro acontecendo ao mesmo tempo, o quadro da jovem piorou a ponto de ela não conseguir dormir.

    “Vi que era mais do que apenas um momento triste. Eu já ia ao psicólogo por causa da ansiedade, então reconheci que era um estado diferente. Já convivi com outros amigos com depressão e ansiedade, o que me ajudou a perceber os sintomas”, diz.

    Pessoas têm dificuldade em reconhecer os sintomas e pedir ajuda
    Pessoas têm dificuldade em reconhecer os sintomas e pedir ajuda | Foto: Leonardo Mota


    Laís é uma das milhares de pessoas no mundo que sofrem de depressão. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que mais de 300 milhões de pessoas tenham essa doença que, muitas vezes, pode levar o indivíduo a tirar a própria vida. O suicídio já contabiliza mais de 800 mil vítimas, sendo a segunda causa de morte no planeta entre jovens de 15 a 29 anos.

    Informações da Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP) apontam que, até setembro deste ano, foram registrados 79 casos de suicídio no Amazonas. Esse número corresponde a um aumento de aproximadamente 30% nas ocorrências dessa natureza, em comparação a 2018, quando foram registrados 60 suicídios no mesmo período.

    Os números demonstram um cenário alarmante que exige a atenção da família e da sociedade para enfrentar a doença que, até 2030, segundo a OMS, deve se tornar a mais comum do mundo.

    Doença

    A psicóloga Shyrllene Soares explica que há fatores biológicos e ambientais que podem desencadear um quadro de depressão. Traumas, doenças sistêmicas, estresse, consumo de drogas e certos medicamentos são algumas das causas do mal. Porém, nem sempre há uma razão para o surgimento do quadro. “Como a depressão é de base biológica, às vezes a pessoa não tem um motivo aparente, mas pode sim entrar em depressão”, explica a profissional.

    O diagnóstico é clínico e deve ser feito por um profissional da psicologia ou psiquiatria. Segundo Shyrllene, os sintomas vão além da tristeza e indisposição. “Irritabilidade, alterações de sono e humor, ideias suicidas, deixar de fazer as coisas que antes geravam prazer”, lista a psicóloga. “São muitos sintomas que, para quem não é da área, podem parecer só um cansaço, mal estar ou mau humor momentâneo”.

    Entre os sinais dados por uma pessoa com depressão, as ideias suicidas são as que exigem mais atenção, diz Shyrllene. “É um mito achar que quem quer cometer suicídio não avisa. Avisa sim, como um pedido de socorro, para chamar a atenção de quem está por perto para receber ajuda”, afirma.

    As mulheres são mais suscetíveis aos estados depressivos, por conta de questões fisiológicas e culturais
    As mulheres são mais suscetíveis aos estados depressivos, por conta de questões fisiológicas e culturais | Foto: Leonardo Mota



    A psicóloga esclarece que nem todo suicídio é causado pela depressão, mas as pessoas que tiram a própria vida, em sua maioria, já estiveram deprimidas e trazem consigo um sentido de desvalorização da vida e falta de significado para viver. “´É preciso ficar atento porque a pessoa pode cometer suicídio se não achar maneiras de melhorar. O suicídio acaba sendo usado como uma tentativa de resolver o problema”.

    No geral, as mulheres são mais suscetíveis aos estados depressivos, por conta de questões fisiológicas e culturais, diz Shyrllene, mas a doença pode atingir qualquer gênero ou faixa etária, desde crianças, adolescentes, adultos e idosos. O desafio na hora de tratar a doença muitas vezes vem da falta de informações e preconceito.

    “Às vezes, parece que está tudo ruim na vida da pessoa, mas ela não sabe por onde começar a buscar ajuda. Demora para ela se movimentar, porque ela não entende o que está acontecendo ou tem preconceito ou dificuldade em pedir ajuda profissional”, declara a psicóloga.

    O tratamento desse mal é psicoterápico e, em alguns casos, envolve medicamentos antidepressivos. A orientação de Shyrllene é que a pessoa procure ajuda psicológica e/ou psiquiátrica o mais rápido possível. “O grande X do tratamento é desenvolver estratégias para que a pessoa consiga reestruturar e ressignificar a vida para algo que vale a pena ser vivido, onde ela possa ser feliz novamente”, resume.

    Onde encontrar ajuda

    Na rede municipal de saúde, são oferecidos serviços de atendimento psicológicos de diversas complexidades de forma gratuita em policlínicas e unidades básicas de saúde. Confira os locais:

    UBS Armando Mendes – Cidade Nova I

    UBS Deodato de Miranda Leão– Glória

    UBS Leonor de Freitas– Compensa II

    Policlínica Dr. José Antônio da Silva – Monte das Oliveiras

    Policlínica Antônio Reis – Betânia

    Policlínica Castelo Branco – Parque Dez

    Policlínica Comte Telles – São José II

    Policlínica Franco de Sá – Nova Esperança I

    Instituições de ensino superior na capital também dispõem de serviços gratuitos voltados para a saúde mental. Entre eles, está a Universidade Federal do Amazonas (Ufam), por meio do Centro de Serviço de Psicologia (CSPA).Mais informações podem ser realizadas pelo telefone (92) 9222-2275. 

    A Clínica de Psicologia da Uninorte, oferece atendimentos psicológicos para crianças a partir de quatro anos, adolescentes, adultos e terceira idade. O espaço fica localizada na Unidade 15, na Avenida Getúlio Vargas, Centro, Zona Sul.

    Já a Clínica de Psicologia da Fametro realiza serviços de psicoterapia e avaliação psicológica na unidade situada na avenida Constantino Nery, Chapada. O telefone para contato é: (92) 98423-0823. 

    *nome fictício