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    Solidariedade


    ONG que abriga refugiados em Manaus pede ajuda com alimentos

    A casa Refúgio Nueva Vida, localizada no Parque 10 de Novembro, tem hoje 62 abrigados, a maioria venezuelanos, e depende de doações para se manter

    Casa de passagem precisa de alimentos para os seus moradores, principalmente de proteínas | Foto: Lucas Silva

    Manaus - A Associação Missionária Evangélica do Amazonas (AME-Amazonas) que está na estrada da solidariedade em Manaus há 20 anos, tem se dedicado desde fevereiro de 2018 a acolher refugiados venezuelanos que chegam a Manaus em busca de um recomeço. A entidade que vive de doações para seguir a missão, tem precisado de reforço na doação de alimentos para atender um dos seus abrigos, o Refúgio Nueva Vida, localizado no Parque 10, Zona Centro-Sul.

    Administrado pela missionária Margareth Obara, a casa da Organização Não Governamental (ONG) abriga hoje 62 refugiados entre homens, mulheres e crianças. O local é alugado por R$ 1,6 mil ao mês, além das despesas com água, energia elétrica e alimentação. Para mantê-lo, atendendo o serviço solidário, são necessários, aproximadamente, R$ 5 mil mensais, segundo a gestora.

    Refugiados da Venezuela desejam encontrar trabalho e moradia em Manaus
    Refugiados da Venezuela desejam encontrar trabalho e moradia em Manaus | Foto: Lucas Silva

    “Vivemos de doação e hoje nós estamos precisando principalmente de proteína, como carne, frango, peixe, verduras e frutas. Às vezes a geladeira fica vazia. Fruta, então raramente comemos”, diz a missionária, cujo maior desejo é conseguir uma parceria com uma rede de supermercados que possa doar os mantimentos ou vender a preços mais acessíveis.

    A casa, que já chegou a abrigar 80 acolhidos de uma só vez, possui apenas três quartos, uma sala, escritório e cozinha. Nos cômodos internos, mulheres e crianças ficam em beliches. Na área externa, há oito barracas que chegam a abrigar uma família inteira. Também há quartinhos na parte externa, onde cabe somente uma cama.

    Algumas famílias vivem em barracas de acampamento na área externa do abrigo
    Algumas famílias vivem em barracas de acampamento na área externa do abrigo | Foto: Lucas Silva

    Uma das ocupantes do refúgio é a venezuelana Marta Gonzalez, 58, que divide o quartinho com mais quatro familiares. Ela está em Manaus há três meses e sobrevive fazendo serviços de limpeza. No país de origem, ela tinha uma pequena padaria. “Meu sonho é fazer com que meus netos estudem, não importa o trabalho que eu tenha que fazer, seja assando pães, costurando ou lavando”, diz a refugiada.

    Marta Gonzalez vive em um quartinho com mais quatro familiares
    Marta Gonzalez vive em um quartinho com mais quatro familiares | Foto: Lucas Silva

    Casa de passagem

    O Refúgio Nueva Vida funciona como lar temporário para os imigrantes recém-chegados. Segundo Margareth, eles ficam em torno de dois a três meses no local, até conseguirem trabalho e condições de terem a própria moradia. Os moradores que têm condições pagam ao fim do mês uma taxa para contribuir com o pagamento das despesas com gás e luz elétrica. 

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    Muitos precisam trabalhar e não conseguem, então incentivamos a abrir pequenos negócio como vendas e trabalho informal. Eles mesmo produzem quitutes e salgados para vender na rua "

    Margareth Obara, missionária gestora da AME-Amazonas, sobre o acolhimento aos refugiados

    Os abrigados chegam de várias formas até o refúgio, conta Margareth. “Alguns vão chamando família e amigos, outros vem direto da rodoviária. Às vezes, desde lá da Venezuela já vem pedindo ajuda”, comenta a missionária.

    Entre os refugiados, há muitos enfermos que precisam de auxílio médico, mas que por conta do idioma, têm dificuldades de continuar o tratamento na rede de saúde. “Precisamos de ajuda de voluntários que falam português e possam acompanhar os doentes no hospital. Então se tiver mais pessoas que possam dedicar uma hora do seu tempo, tem gente que precisa bastante”, pede Margareth.

    Para sobreviver, venezuelanos vendem alimentos entre outros trabalhos informais
    Para sobreviver, venezuelanos vendem alimentos entre outros trabalhos informais | Foto:

    Dentro do refúgio, outro missionário é o venezuelano Dixon Guzamana. Ele é encarregado da organização do abrigo, acolhimento, documentação e outra orientações para os imigrantes. Dixon ajuda os venezuelanos a fazerem currículos e regularizarem a situação como refugiados. “É um trabalho muito diverso. Muitos precisam de atenção especial porque estão doentes ou têm família na Venezuela que estão tentando trazer para cá”, conta o voluntário. 

    Além do Refúgio Nueva Vida, o AME-Amazonas tem mais dois abrigos situados nos bairros Tancredo Neves e Jorge Teixeira, este segundo próximo ao Terminal 4, ambos na Zona Leste. Ao todo, a ONG tem cerca de 200 abrigados atualmente. A estimativa é que mais de 500 imigrantes venezuelanos tenham passado pela associação neste ano.

    Uma vida dedicada a ajudar

    Responsável pelo abrigo, Margareth faz trabalho missionário desde que chegou a Manaus em 1999. Com tantos anos dedicados a ajudar o próximo, ela não consegue mensurar quantas vidas já auxiliou em duas décadas de missão. 

    Gestora do abrigo, Margareth trabalha há 20 anos como missionária
    Gestora do abrigo, Margareth trabalha há 20 anos como missionária | Foto: Lucas Silva

    “Começamos, meu falecido marido e eu, na periferia de Manaus, atuando nos bairros de invasão. Abrimos igrejas e escolinhas de reforço, já que não tinha na época naquelas áreas. Como dentista, também atendia a comunidade. Em 2011, quando começaram a chegar os haitianos, abrimos o primeiro abrigo no Shangrilá I. Em 2016, começamos a abrigar estudantes universitários indígenas brasileiros. Hoje, são os venezuelanos que precisam da nossa ajuda”, diz.

    Margareth afirma que a missão é fazer o que Deus quer que seja feito, que é acolher o estrangeiro. “Estamos em um trabalho de solidariedade e amor ao próximo: dar pão a quem tem fome e roupa a quem tem frio. Sei que há muitas pessoas com o desejo de ajudar, mas não sabem como nem onde. Aqui, estamos de portas abertas para trabalhar juntos. Não é coisa só da Margareth, mas de todos os filhos de Deus”, resume a missionária.


    Para ajudar o Refúgio Nueva Vida

    Endereço: Rua Mozart Guarnieri, 10, Parque 10

    Contato: (92) 3084-4675 / 98833-7275 / 99383-9150 / [email protected]

    Agência Bradesco: 3734 C/C 8902-8

    CNPJ: 05.137.556/0001-48