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    Doação de órgãos


    63% das famílias de doadores no AM negam transplante de órgãos

    O principal requisito para a doação é a autorização da família

    | Foto: Reprodução

    Manaus- Um dos principais requisitos para ser um doador de órgão é a autorização da família, mas dados da Central Estadual de Transplantes (CET) revelam que 63% das famílias negaram transplantes em 2018 no Amazonas. 

    No ano passado, o estado contava com 96 doadores em potencial e 12 doadores efetivos. O dado preocupa, pois, no caso de morte encefálica, até 60 pessoas podem ser beneficiadas pelo mesmo doador. 

    O cirurgião de transplante de fígado e coordenador estadual da CET no Amazonas, Vinícius Lins, que a falta de informação sobre o assunto é um dos motivos que levam as famílias a recusarem a doação de órgãos.

    "Um dos fatores é a falta de informação sobre o desejo do doador; como não sabem, optam por não doar. Há também o desconhecimento dos benefícios de uma doação para os pacientes que receberão o órgão", enfatiza. 

    O Coordenador Estadual de Transplante do Amazonas, Vinícius Lins destacou a importância da doação de órgãos no Amazonas
    O Coordenador Estadual de Transplante do Amazonas, Vinícius Lins destacou a importância da doação de órgãos no Amazonas | Foto: Arquivo Pessoal

    Os órgãos mais doados, de acordo com a Secretaria de Saúde do Estado do Amazonas (Susam), são rins e córnea. Atualmente, no Amazonas, há apenas o transplante de córneas e não há fila de espera. No caso dos rins, o Estado faz a captação do órgão doado. O paciente é encaminhado para fazer o procedimento cirúrgico em outro estado. O rim é o órgão com maior número de pacientes aguardando transplante, mas não foi informado o número total da fila de espera. 

    Os dados do CET demonstram que no Amazonas, o transplante de fígado esteve em alta no ano de 2015 de pessoa viva, representando 1,0%. O transplante de rim, com 20,1% apresentou alta em 2012. Doações e transplantes de córneas são recorde no Estado, com 67,5%. O ano com mais doação de órgãos foi 2012, com 20,1%.

    "O transplante dá vida"

    Tábata Nepumuceno, de 38 anos, foi a primeira mulher no Amazonas a fazer um transplante de fígado em 2015. A então industriária descobriu a necessidade da intervenção cirúrgica urgente quando o médico apontou cirrose devido ao vírus Hepatite Delta. 

    Hoje aposentada, Tábata relembra que por ser a primeira no Amazonas, tinha o medo de não conseguir o transplante. Seguir na criação dos três filhos era a principal motivação. "Eu estava na berlinda, sem saber se iria conseguir ou não a doação. Tinha muito medo de não conseguir, de deixar meu esposo e meus filhos", relembra. 

    Tábata conta sobre a nova oportunidade de vida por meio do transplante
    Tábata conta sobre a nova oportunidade de vida por meio do transplante | Foto: Arquivo Pessoal

    Um protocolo de doação não permite que o receptor conheça ou tenha contato com a família do doador em potencial. Tábata vive hoje com a parte funcional de alguém. “Infelizmente não conheci a família do meu doador, faz parte do protocolo. Eles não permitem que o receptor conheça, mas não foi falta de vontade de conhecer a família dele. Eu só agradeço à família, porque são eles quem autorizam a doação", disse emocionada. 

    Mudança

    Tábata relembra o antes e depois da cirurgia. A vida limitada pela doença deu lugar para novas oportunidades. “Tudo muda para melhor. Você recebe com a doação não apenas um órgão, mas uma nova oportunidade para viver, para sonhar de novo, uma nova chance de seguir em frente", conta. 

    Tábata se orgulha em ser a primeira transplantada no Amazonas
    Tábata se orgulha em ser a primeira transplantada no Amazonas | Foto: Reprodução

    Os transplantados podem ter uma vida ativa de exercícios.  "Minha saúde melhorou 90% depois do transplante. Voltei a ter vitalidade.Sou mais ativa que antes do transplante como ir para academia, caminhada mais longa, esteira, eu não podia fazer pela condição que eu vivia. Apesar das medicações e contraindicações, o transplante me deu uma nova oportunidade", disse orgulhosa. 

    Sobre ser a primeira mulher no Amazonas a receber um transplante, ela se diz orgulhosa e incentiva que volte a funcionar, pois a ação lhe devolveu à vida. “Foi um presente que a vida me deu, eu sempre vou ser a primeira mulher do Amazonas por receber essa benção. O transplante na nossa região dá certo, eu sou testemunha disso. Incentivo e peço que volte a funcionar, que volte a acontecer. Sou muito grata”. finaliza. 

    Tire dúvidas

    Como posso doar?

    Para ser doador de órgãos e tecidos, não é necessário deixar nada por escrito, mas é preciso avisar a família. No caso da doação de órgãos e tecidos, o procedimento só acontece após a autorização familiar documentada. A doação de rim, parte do fígado e da medula óssea pode ser feita em vida. Já outros órgãos, como coração, pulmão, pâncreas, dentre outros, só é feita em situação de morte encefálica.

    As dúvidas sobre doar órgãos contribui para a espera na fila
    As dúvidas sobre doar órgãos contribui para a espera na fila | Foto: Reprodução

    Meu amigo precisa de um rim, posso doar?

    Para doar o rim você tem que ter um grau de parentesco com o receptor (até 4º grau). Esse processo é realizado na clínica em que o receptor faz o tratamento, bem como o encaminhamento para o transplante. Essas normas estão na Lei Brasileira.

    Existe limite de idade para ser doador de órgãos?

    O que determina se o órgão é viável para transplante é o estado de saúde do doador. Mas, alguns profissionais podem restringir em situações especificas.

    Após a doação, o corpo do doador fica deformado?

    Não. A retirada dos órgãos é uma cirurgia como qualquer outra e o doador poderá ser velado normalmente.

    Podemos escolher o receptor?

    Na doação em vida, sim, desde que atendida à legislação. Para a doação após a morte, nem o doador, nem a família podem escolher o receptor. 

    Quando uma pessoa entra em coma, torna-se um potencial doador?

    Não. O coma pode ser reversível. Morte encefálica, como o próprio nome afirma, é irreversível. Uma pessoa somente torna-se potencial doador após o diagnóstico de morte encefálica e a autorização da família.