Fonte: OpenWeather

    Economia


    Mais de 60% dos produtos rurais familiares não estão sendo escoados

    Dificuldade se dá, principalmente, porque as prefeituras entraram em recesso

    Rotina para o escoamento da produção é árdua | Foto: Divulgação

    A baixa no setor primário neste final de ano está preocupando a Associação dos Produtores Rurais do Feirão Sepror (Asprofe Vida Verde). De acordo com a Asprofe, mais de 60% dos produtos rurais não estão sendo escoados e não vão chegar às feiras em Manaus até a primeira semana de fevereiro de 2020. A dificuldade se dá, principalmente, porque as prefeituras entraram em recesso e, 95% dos produtores e agricultores familiares não possuem transporte próprio e dependem de caminhões dos municípios. 

    Segundo o presidente da associação, Antonivaldo de Souza, só no Feirão da Sepror, o prejuízo atinge diretamente 700 famílias e indiretamente em torno de 3.500. A associação representa produtores, agricultores e cooperativas de 22 municípios do Amazonas.

    “Se cada prefeitura disponibilizasse pelo menos três caminhões aos produtores, resolveria em parte o problema. Infelizmente eles só disponibilizam um, geralmente caindo aos pedaços e que sempre apresenta problemas. Há anos os produtores/agricultores ribeirinhos sofrem também com a falta de transporte fluvial, o que seria resolvido com um barco em cada município para esse fim e, em algumas localidades, uma balsa”, sugeriu Souza.

    Dentre os produtos que os agricultores estão com dificuldade para ofertar estão: banana, macaxeira, limão, laranja, melancia, abobora, pimenta, pimentão, goma, farinha, milho, abacaxi, coco, polpa de frutas, açaí, queijo, tucumã, etc. 

    “Por aqui (Feirão) passam de 38 a 45 mil pessoas por semana, entre consumidores e comerciantes. Imaginem o prejuízo, para todos, desde fim de novembro e vamos passar até fevereiro”, explicou Antonivaldo de Souza.

    A associação é formada por produtores e agricultores familiares de Manaus, Rio Preto da Eva, Itacoatiara, Silves, Itapiranga, Presidente Figueiredo, Barreirinha, Careiros da Várzea e Castanho, Manaquiri, Autazes, Iranduba, Manacapuru, Caapiranga, Codajás, Novo Ayrão, Tapauá, Barcelos, Anori, Coari, Alvarães, Tefé, Beruri, Anamã, Novo Aripuanã, Nova Olinda, Borba, Apuí e Lábrea. 

    Rotina árdua 

    A rotina para o escoamento da produção é árdua. Que o diga dona Creuza Fernandes da Silva, 64.  Ela sai do roçado na Cacaia, às 4h para conseguir chegar às 7h30, em Presidente Figueiredo, descarregar os produtos no barracão e, se tiver caminhão, embarca a mercadoria para Manaus. Caso contrário, tem que pagar frete e gasta em média R$ 600,00. Dependendo do lugar, com do Novo Remanso, os agricultores chegam a pagar de R$900,00 a R$1.500,00.

    “Para eu retornar tenho que pagar mais R$100,00 (por pessoa) de lotação e gastar R$ 40,00 com a gasolina para a rabeta. É muito difícil ainda assim perder os produtos quando não conseguimos trazer”, contou a agricultora que trabalha com o marido, Pedro Salgado da Silva, 71. 

    Ainda de Figueiredo, no Novo Rumo, saem os senhores José Nivaldo Viana, 60, e dona Francinete Silva Pereira, 55. Eles levam menos tempo que dona Creuza, mas narram as mesmas dificuldades.

    “A gente sai de casa às 5h30 de rabeta para pegar o caminhão às 6h. Trazemos coco, pupunha, tucumã, mel puro e de coco, pimenta, tucumã, cupuaçu. Toda a produção. E quando não conseguimos é uma tristeza”, disse dona Francinete.

    Além da falta dos veículos apropriados para o escoamento da produção dos agricultores, um outro período também já está os deixando atentos: a chuva.“Na última enchente, houve grande perda de safra de produtos como macaxeira, banana, mamão, dentre outros, oriundos da área do Baixinho (Iranduba para cima) à Manacapuru, por exemplo. Toneladas e toneladas de produtos levados pela água”, contou o produtor Edimar Magalhães.