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    Crise entre Irã e Estados Unidos: o que influencia no Brasil ?

    Com repercussão internacional, o ataque dos EUA a autoridades iranianas aumenta o preço do petróleo e Brasil sente o impacto. O país atacado promete vingança pela morte dos homens poderosos do Irã e põe em xeque a paz mundial

    O ato foi considerado terrorismo por países como Rússia e China
    O ato foi considerado terrorismo por países como Rússia e China | Foto: Reprodução

    Manaus- O bombardeio a autoridades do Irã, ordenado por Donald Trump nesta quinta-feira (2), no aeroporto de Bagdá, matou sete pessoas, repercutiu de forma negativa e interferiu no preço do petróleo em todo o mundo. Entre os mortos no ataque estavam, Qassem Soleimani  e Abu Mahdi al-Muhandis, homens poderosos do Irã. Segundo nota do pentágono, a motivação da ação seria a morte de americanos no Oriente Médio e para deter possíveis ataques planejados contra os Estados Unidos.

    O ataque gerou promessas de ataque contra os EUA. O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei disse que aumentará a resistência contra os americanos.  Ministros e autoridades do Irã disse que o ato é caracterizado como “terrorismo” e “tolo”.

    Um dos mortos, o general Qassem Soleimani, já havia sobrevivido há diversas tentativas de assassinato. O líder era considerado o cérebro por trás da estratégia militar do país.

    Motivação

    O cientista político, Carlos Santiago, explica três fatores para os conflitos entres os países. E enfatiza que a motivação vai além do que foi explicado pelos Estados Unidos. A história repete com protagonismo diferente e intenções iguais. 

    O cientista político Carlos Santiago fez um balanço sobre a ação de Trump e os impactos no Brasil
    O cientista político Carlos Santiago fez um balanço sobre a ação de Trump e os impactos no Brasil | Foto: Reprodução

    “Esse conflito entre Estados Unidos e Governos do Irã e Iraque, têm elementos que envolvem a questão cultural, o aspecto político e o apoio a determinados governos da região do Oriente Médio. Os Estados Unidos têm preferência política por alguns Governos, que são adversários desses alvos. Como tem também o sistema econômico. Os países possuem riquezas, inclusive o petróleo”, explicou.

    Impactos

    Ações dos Estados Unidos, com ataques como esse, impactam direta e indiretamente os países aliados, a exemplo do Brasil e os demais países do mundo. Entre as consequências está a exportação do petróleo. Na manhã desta sexta-feira (3), o preço do combustível natural disparou. O barril está custando R$ 278,93, o maior valor desde maio de 2019.

    “Pode impactar, não só para o Brasil, mas para o mundo, por exemplo com o preço do petróleo. Que é estabelecido para um mercado internacional, na medida que acontece um conflito, os preços irão subir e impactar em outros países do mundo que têm necessidade de importar. Esse é o caso do Brasil, com relação a gasolina”, pontua Santiago.

    Incitação de violência

    A repercussão do atentado dos Estados Unidos incitou a vingança por partes dos países do Oriente. Novos ataques de retaliação são esperados para os próximos anos. A ação divide opiniões de especialistas no mundo todo. A China, Rússia e democratas americanos condenaram o ataque. A embaixada americana recomendou que os cidadãos americanos deixem o Iraque imediatamente.

    Em suas redes sociais, o presidente dos Estados Unidos disse que: "Soleimani matou milhares, mas desta fez foi pego", afirmando a intenção do ataque neste segundo dia de 2020. 

    O país atacado disse que a ação de Trump foi "tola" e "terrorista"
    O país atacado disse que a ação de Trump foi "tola" e "terrorista" | Foto: Agência Brasil

    Para Santiago essa não foi a estratégia correta por parte de Trump. “Isso anima a cultura da violência no mundo. Acirrar conflitos, acirra a violência. Não contribui em nada para os dias atuais, tendo em vista que o mundo busca pela paz. As pessoas ficam mais apreensivas, mais preocupadas. Isso envolve armas poderosíssimas para conflitos enormes e pode impactar a vida das pessoas", opinou o cientista político. 

    Bolsonaro alinhado com Trump

    No primeiro ano do Governo Bolsonaro houve a " aliança" com os EUA. O apoio deixa o Brasil em situação difícil, tendo em vista que o mercado iraniano é um dos destinos das exportações brasileiras. Embora não tenha se pronunciado, o presidente Jair Bolsonaro mencionou apenas sobre o impacto no valor do Petróleo.

    Para Carlos Santiago a diplomacia brasileira passou por mudanças após o governo Bolsonaro e isso é preocupante diante da situação de conflito quando se envolve outros países. "Até o Governo de Jair Bolsonaro, a política do Brasil tinha o cuidado de resolver conflitos com o diálogo. Era um país que sempre respeitou cultura e soberania de outros países e a defesa de direito humanos. As relações eram multilaterais. No Governo atual há o tom mais agressivo na sua relação. Só não foi mais agressivo porque há interesses de exportação, como no caso da China. O apoio a um ato como esse não contribui em nada com o Brasil e com o povo brasileiro", disse o cientista político.

    A aliança pode interferir diretamente na economia do Brasil
    A aliança pode interferir diretamente na economia do Brasil | Foto: Reprodução

    Bolsonaro informou que irá conversar com o ministro de Gabinete de Segurança Nacional (GSI), Augusto Heleno, sobre o ataque e só depois opinará sobre o assunto.

    Nota do pentágono nos EUA sobre o ataque: 

    "Sob a direção do presidente, os militares dos EUA tomaram medidas defensivas decisivas para proteger o efetivo dos EUA no exterior, matando Qasem Soleimani, chefe da Guarda Revolucionária Islâmica Corps-Quds Force, considerada pelos EUA uma organização terrorista estrangeira.

    O general Soleimani estava ativamente desenvolvendo planos para atacar diplomatas americanos e membros do serviço no Iraque e em toda a região. O general Soleimani e sua força Quds foram responsáveis ​​pela morte de centenas de americanos e membros da coalizão e por ferir outros milhares.

    Ele orquestrou ataques a bases da coalizão no Iraque nos últimos meses - incluindo o ataque de 27 de dezembro - matando e ferindo efetivos americanos e iraquianos. O general Soleimani também aprovou os ataques à embaixada dos EUA em Bagdá que ocorreram nesta semana.

    Este ataque teve como objetivo impedir futuros planos de ataque iranianos. Os Estados Unidos continuarão a tomar todas as medidas necessárias para proteger nosso povo e nossos interesses onde quer que estejam ao redor do mundo."