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    Superando limites


    Vídeo: 'Minha vida não acaba em uma cadeira de rodas', diz entregador

    O entregador cadeirante conta sua história de superação quando saiu da depressão para a vida nas ruas de Manaus

    Superando limites, manauara cadeirante  ganha as redes sociais após vídeo fazendo entrega
    Superando limites, manauara cadeirante ganha as redes sociais após vídeo fazendo entrega | Foto: Reprodução

    Manaus- Receber a comida preparada em casa é uma praticidade que caiu no gosto dos manauaras. Um vídeo filmado em Manaus mostra a superação de um cadeirante entregador de fast food por aplicativo. A superação e rompimento de limites é a marca do amazonense Cleber Vaz, de 39 anos, morador do bairro Aleixo, Zona Centro-Sul.

    Cleber está paralítico há 17 anos, após ser vítima de arma de fogo. Ao EM TEMPO, ele falou sobre as dificuldades e como venceu os limites da deficiência trabalhando para sustentar a esposa e os três filhos.

    Veja o vídeo:

     

    As dificuldades

    “No inicio, foi difícil porque eu só tinha 21 anos, era muito novo. Imagina um jovem acostumado a viver sem nenhuma necessidade física e, depois, se encontrar em uma cadeira de rodas, sem andar. Foi quando percebi que a minha vida não acabaria ali. Em meio às dificuldades, estou aqui, até hoje porque Deus me ajudou”, relatou
    o entregador.

    Cleber já foi vendedor de bolos junto com a esposa, Adriana Vaz, mas migrou para o aplicativo de entrega quando percebeu a oportunidade para mudar de vida. “Ampliei a oferta de bolos, mas fui incentivado por amigos para trabalhar no aplicativo. Já são dois meses batalhando e as pessoas têm me incentivado a continuar”, disse.

    A palavra que Cleber usar diariamente é superação
    A palavra que Cleber usar diariamente é superação | Foto: Arquivo Pessoal

    Atualmente, o cadeirante recebe um benefício por conta da deficiência, mas não quis ficar em casa de braços cruzados. Com sua cadeira elétrica adaptada, faz, em média, seis entregas por dia. A rotina diária é contada por Cleber: “Pela manhã, faço duas ou três entregas. Volto para casa para recarregar a bateria da cadeira motorizada, recomeço às 15h para mais três entregas, e retorno às 18h”.

    As contas no Instagram e YouTube mostram o dia a dia de Cleber pelas ruas de Manaus. Entre carros, motos, ônibus e carretas, o pai de família vai em busca do sonho da casa própria. Morando em um imóvel cedido pela família, Cleber trabalhara para dar uma casa confortável aos filhos: o primogênito Yann, de 14 anos; Geovanna, de 9 anos e o pequeno Pedro Vaz, de 5 anos. 

    Superando limites, manauara cadeirante  ganha as redes sociais após vídeo fazendo entrega
    Superando limites, manauara cadeirante ganha as redes sociais após vídeo fazendo entrega | Foto: Reprodução

    Diariamente o entregador trabalha para comprar a casa própria
    Diariamente o entregador trabalha para comprar a casa própria | Foto: Reprodução

    Reconhecimento 

    O “Cadeira-boy”, como é conhecido pelos clientes e amigos, conta que recebe, diariamente, mensagens de incentivo e parabéns por fazer o incomum. “Tenho recebido muitos elogios. Há vídeos que chegam a três milhões de visualizações. Pessoas me mandam mensagem dizendo que, quando me viram, mesmo na cadeira de rodas trabalhando, tiveram as forças renovadas. Pessoas com depressão também; não há dinheiro que pague”, disse emocionado.

    Cleber é reconhecido pelos testemunho de vida
    Cleber é reconhecido pelos testemunho de vida | Foto: Arquivo Pessoal

    Não são todas as pessoas que admiram a opção de Cleber em migrar para o trabalho de entregador. Para muitos, segundo os comentários, não é necessário que ele trabalhe, e sim, que permaneça em casa. O entregador não rebate às críticas, mas disse que a sua escolha é não ficar parado, pois tem objetivos a serem alcançados. "Eu não posso ficar parado. Eu tenho filhos para criar. Aprendi que barco e caminhão parado não ganha frete", disse em tom de humor. 

    Superação é a palavra

    Cleber dá palestras motivacionais contando sua história de superação após perder o movimento das pernas e perder um sobrinho. O entregador teve depressão e o trabalho foi a saída para vencer. O amazonense enfatiza que a sua vida é testemunha de que desistir não é a melhor opção e deixa uma
    mensagem de fé.

    “Eu diria o que a Bíblia diz para quem vai ler minha história: não tenha medo, pois Deus está com você. Não fique assombrado, porque Ele é Deus. Ele te fortalecerá, te sustentará e te ajudará. Há três meses mataram meu sobrinho na porta da minha casa, um menino de 14 anos. Eu fiquei um mês dentro do meu quarto com depressão e minha família sofria. Deus perguntou o que eu estava fazendo da minha vida? O kit de trabalho chegou e vi um recomeço, uma oportunidade de mudar por mim e minha família. Hoje, estou erguido mais uma vez. Eu sei o quanto é difícil ter depressão e digo para quem está passando pelo que passei: há uma saída. A vida só se torna dura para quem é mole”, finalizou.