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    Janeiro Roxo


    Voluntários ajudam pacientes em tratamento da hanseníase em Manaus

    Na capital amazonense, somente em 2019, foram registrados 126 novos casos de hanseníase, dez a mais que no ano anterior

    Integrantes do projeto Corrente Solidária apoiam a sociedade da Casa Andrea do Amazonas | Foto: Divulgação

    Manaus - O Janeiro Roxo foi oficializado em 2016 pelo Ministério da Saúde, consolidando a conscientização sobre a hanseníase em campanhas educativas e preventivas. Na capital amazonense, voluntários do projeto "Corrente Solidária" resolveram ajudar a informar o público sobre a necessidade de passar pelo tratamento, no caso de pessoas diagnosticadas com a doença. Eles aproveitam a oportunidade para divulgar instituições e causas sociais que necessitam de ajuda (seja ela financeira ou por meio de voluntários).

    A doença coloca o Brasil em segundo lugar em número de casos, atrás apenas da Índia. Em Manaus, somente em 2019, foram registrados 126 novos casos, dez a mais que no ano anterior. 

    Pensando nisso, o projeto independente Corrente Solidária, criado por estudantes e alguns vendedores de coletivos, aproveitou o mês de janeiro para apoiar a "Casa Andrea do Amazonas", sociedade de amparo a hansenianos que existe há 38 anos na capital e está localizada na rua Brasil, nº 40, bairro Coroado 2, Zona Leste. 

    A Casa acolhe pessoas do interior do Amazonas para tratamento da hanseníase na capital. As pessoas vêm de seus municípios e, ao serem abandonados pela família por preconceito, são acolhidas pela Casa. Além disso, muitos idosos vivem no local esquecidos pelos familiares, o que contraria o estatuto que prevê garantias e direitos a essa parcela da sociedade.

    Um dos integrantes do projeto Corrente Solidária, Alex Souza explica que o objetivo do grupo é divulgar, ajudar com voluntariado e desenvolver atividades para auxiliar as pessoas que vivem na Casa. Por estar envolvido diretamente, ele revelou que os pacientes passam por muitas dificuldades financeiras, problemas com transporte e também com a falta de auxílio governamental. ''Para não dizer que não há nenhuma ajuda governamental, atualmente, eles conseguiram um carro, cedido pelo Governo do Estado, para a locomoção dos pacientes em seu tratamento. Porém, mesmo assim, eles ainda precisam de mais", relatou.

    Questionado sobre a relação do projeto com a Casa, Alex declarou que o papel do grupo é conseguir justamente esse tipo de divulgação para as causas que são auxiliadas. "É por meio disso que as pessoas conhecem e também se interessam em ajudar. Ainda mais em uma causa tão importante quanto essa da conscientização sobre a hanseníase", finalizou o estudante. 

    O projeto, hoje, possibilita ao público conhecer mais sobre a doença e também evitar o preconceito. Para impactar o máximo de pessoas possíveis, os voluntários chegam a entrar em veículos de transporte público na capital e abordar os passageiros com banners e folhetos contendo informações úteis sobre a doença e formas de tratamento. Pegando carona na iniciativa, o grupo oferta cartões de datas sazonais, mas sem estipular valor - este fica a critério do passageiro se a ajuda será em centavos ou reais. O grupo ressalta que qualquer quantia é bem-vinda. 

    Além disso, a capital amazonense, nesse mês de janeiro, conta com ações de intensificação que estão sendo realizadas desde o dia 2 e vão se estender até o dia 31, em locais como shoppings centers, feiras, escolas, Centros de Referência em Assistência Social (CRAS), cozinhas comunitárias, entre outros, com o objetivo de promover a saúde e informar a população sobre a doença.

    Quem quiser ser voluntário da causa ou ajudar os pacientes da Casa Andrea do Amazonas, pode entrar em contato pelos números: (92) 3644-3716 e (92) 99101-0861 ou pelos perfis no Facebook da instituição ou do projeto.

    A doença

    A doença infecciosa e contagiosa causa manchas esbranquiçadas ou avermelhadas na pele. Além de ser responsável por alterações na sensibilidade do tecido humano, onde o paciente não sente (ou tem sensibilidade diminuída) calor, frio, dor e nem mesmo toques. É comum, nesse caso, sensações de formigamento, fisgadas ou dormência nas extremidades (pés, mãos). A hanseníase não é hereditária, sendo causada pelo bacilo Mycobacterium leprae. Tem cura, mas quanto mais cedo o tratamento, menores são as agressões aos nervos e é possível evitar complicações.

    *Estagiária sob supervisão do editor Isac Sharlon