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    Planos de saúde


    No Amazonas, aumenta o número de pessoas que abandonam planos de saúde

    De acordo com a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), desde 2015, cerca de três milhões de pessoas que conseguiam pagar por planos de saúde passaram a rescindir contratos ou optar por planos com preços menores.

    De acordo com a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), desde 2015, cerca de três milhões de pessoas que conseguiam pagar por planos de saúde passaram a rescindir contratos ou optar por planos com preços menores. Os amazonenses estão entre os que rescindiram e explicam alguns dos principais motivos | Foto: Divulgação

    Manaus - De acordo com a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), desde 2015, cerca de três milhões de pessoas que conseguiam pagar por planos de saúde passaram a rescindir contratos ou optar por planos com preços menores. Esse contingente agora depende parcial ou integralmente do Sistema de Saúde Único (SUS). Os amazonenses estão entre os que rescindiram - nos últimos cinco anos houve uma perda de quase 20%.

    Muitos optam por planos de saúde por uma questão de segurança, principalmente quando existem doenças que precisam de maior atenção. A questão é que, de acordo com o avanço da idade, os preços desses planos vão aumentando e isso faz com que as pessoas acabem desistindo de pagar por eles e passem a depender da saúde pública.

    A estudante manauara Nayá Costa tem um plano particular na cidade de Manaus e conta que os benefícios são muitos, mas que por vezes o atendimento é um pouco demorado quando se tratam de consultas periódicas. Além disso, a família ainda sofre com o aumento dos preços de acordo com a idade.

    Já Marhia Edhuarda Bessa, de 19 anos, vive um cenário diferente em relação à saúde particular. "O principal motivo de não ter plano de saúde é pelo preço mesmo. O plano mais barato que consultei ficava na faixa dos R$ 300, e aí acaba que não tenho como pagar", explica.

    Se tive condições financeiras suficiente, a jovem revela que teria um plano particular, sendo a rapidez e a praticidade os principais motivos. ‘’Os serviços disponibilizados em postos de saúde perto da minha casa geralmente são ofertados por fichas dadas pela manhã, horário que estou no trabalho’’, enfatizou.

    Outra entrevistada, a assistente social Marinete Cardoso conta que optou por um plano particular por ter testemunhado uma situação que a deixou preocupada em relação ao sistema público de saúde. ‘’Estava em um carro com colegas, que, após a minha saída, acabaram sofrendo um acidente. Ao serem levados para uma unidade pública de saúde, sofreram muito com a precariedade do SUS’’, declarou Marinete.

    Além disso, ela denuncia a problemática financeira, uma vez que os preços vão aumentando conforme a idade e isso faz com que muitos pensem em desistir do serviço. Algo que aconteceu com ela ano passado, quando considerou abandonar o plano. 

    Segundo pesquisa feita pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), para as pessoas que têm plano, o preço acessível é o fator de decisão mais citado para definição do convênio (42,5%). Ou seja, a questão financeira é a mais discutida. As redes sociais e colunas de leitores na imprensa estão cheias de reclamações sobre reajustes e sobre a cobertura oferecida não ser satisfatória por não englobar serviços complexos.

    Mais de 500 mil têm planos no AM

    De acordo com o presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Estado do Amazonas (SINESSAM), Adriano Terrazas, o Amazonas conta com pouco mais de 520 mil usuários com registro na ANS e, nos últimos cinco anos, houve uma perda de quase 20% desses, além de uma migração de planos de saúde considerados "superiores" para planos de saúde com valores mais populares. Os que não conseguiram foram para o SUS.

    Conforme Terrazas, a crise financeira é o maior fator, mas outros pontos seriam a falta de celeridade dos serviços prestados pelos planos de saúde, a diminuição de opções de atendimento e a grande dificuldade financeira dos Planos de Auto Gestão.

    Se essa parcela da população perdeu poder de compra em razão da crise econômica, as operadoras alegam que também foram prejudicadas e, para chegar a um equilíbrio, as empresas apresentaram em outubro um conjunto de ideias que gostariam de ver incorporadas às normas que regem a saúde suplementar.

    O intuito é incorporar ao sistema camadas da população, que, supostamente, nunca tiveram acesso ao serviço e isso seria feito pela chamada modulação das coberturas, que significa mais opções, a preços menores.

    As proposições foram apresentadas em uma reunião da Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde) com outras entidades sob o título de ‘’Uma nova saúde suplementar para mais brasileiros’’, onde esteve presente o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que elogiou o papel dos planos. ‘’Sem a participação do setor privado, não é possível enfrentar o desafio de garantir a toda a população o direito constitucional de acesso a serviços de saúde de qualidade’’, pontuou.

    O presidente da FenaSaúde, João Alceu Amoroso Lima, sugeriu que o poder público autorize operadoras a oferecerem convênios que foquem ‘’apenas na atenção primária’’, isto é, que cubram somente consultas médicas e exames mais simples, excluindo procedimentos complexos, como cirurgias e internações.

    João Alceu Amoroso Lima, presidente da FenaSaúde
    João Alceu Amoroso Lima, presidente da FenaSaúde | Foto: Divulgação

    Outra forma sugerida por Lima para baratear as mensalidades é o escalonamento gradual dos preços para os clientes com mais de 59 anos. Algo que pode evitar que muitos saiam dos planos por não terem renda para pagar.

    Apesar da premissa de diminuir os custos e despesas para os consumidores, a proposta acarretará na redução do número de serviços, sendo o que afirma o diretor de relações institucionais do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Igor Britto. Ou seja, o cenário, que já não é satisfatório para os brasileiros que sustentam o sistema privado, poderia ficar ainda pior.

    *Estagiária sob supervisão do editor Isac Sharlon