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    Gravidez na adolescência


    Maternidade precoce: mais de 15 mil adolescentes deram à luz no AM

    Amazonas segue como um dos campões de gravidez entre meninas e adolescentes

    A gravidez precoce pode trazer riscos à saúde saúde física e emocional das jovens | Foto: Arquivo EM TEMPO

    Manaus - A gravidez na adolescência ainda é considerada um problema social grave, associado a fatores como falta de suporte familiar, dificuldade de acesso a métodos contraceptivos e baixa escolaridade, entre outros. Só em 2019, foram registrados 15,2 mil partos de meninas e adolescentes com idade entre 10 e 19 anos. O dado da Secretaria de Estado da Saúde (Susam) representa uma redução de 12% em comparação a  2018 (17.497 partos) mas o Amazonas segue como um dos campeões da gravidez precoce no Brasil. 

    Uma dessas jovens mães é a estudante Nicole*, de 14 anos. Como a maioria das garotas que se encontram nessa situação, a gravidez não foi planejada. “Foi um susto muito, muito grande. Eu chorei muito quando soube. No começo, meu maior medo foi de contar para a minha mãe. Sabia que ela ia ficar muito decepcionada e com raiva de mim. Mas no final ela só chorou também e disse que agora eu teria que assumir a responsabilidade e ter o bebê”, conta a adolescente.

    Nicole descobriu a gestação no final do ano letivo, e entre as preocupações do futuro é saber que terá que se ausentar da escola para cuidar do futuro filho. “Não quero parar de estudar. Conheço outras meninas que engravidaram, pararam a escola e ainda não voltaram, mas não quero desistir”, afirma. A adolescente faz pré-natal na rede pública de saúde. 

    Manaus é o município com maior índice de partos de adolescentes: foram 5,2 mil partos de adolescentes na capital amazonense. Para a ginecologista Edily Tourinho, a falta de diálogo na família e a educação sexual falha ainda contribuem muito para os números altos de jovens grávidas.

    "Sem dúvida o aspecto familiar influencia muito. As famílias não amparam as jovens na questão da sexualidade. O diálogo familiar ainda é um tabu  e isso faz com que a jovem vá descobrindo as coisas por si só. Fica essa lacuna entre o conhecimento da prática sexual em si e tudo o que essa prática pode trazer de consequências, desde a gravidez precoce até doenças sexualmente transmissíveis", explica a médica.

    Riscos à saúde

    A maternidade precoce também pode trazer riscos à saúde física, mental e social da adolescente, alerta a ginecologista. "Algumas complicações dessa gravidez são anemia, risco de parto prematuro, restrição do crescimento do feto e maior incidência de pré-eclampsia", enumera Edily. De acordo o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), em 2019 foram registrados 8 óbitos maternos em adolescentes de 10 a 19 anos no Amazonas. Isso representa uma redução de 46.6% na taxa de mortalidade materna observada em 2018, quando 15 jovens mães morreram no Estado.  

    Mas os impactos psicossociais são igualmente preocupantes para essa faixa etária. "Trata-se de uma jovem que ainda não entrou na vida adulta e não tem estrutura emocional para lidar com a maternidade. A repressão em casa, da família, pode até fazer com que essa menina não siga a vida escolar", pontua Edily. 

    Ao lado do abandono dos estudos, outras consequências sociais envolvem a perpetuação da pobreza, baixo nível de escolaridade, abuso e violência familiar, tanto à mãe como à criança. Mortes na infância também são altas entre filhos de mães adolescentes, seja por nascimento prematuro ou falta de acompanhamento pré-natal e pediátrico adequado. 

    Programas de prevenção

    O novo Estatuto da Criança e do Adolescente (artigo 8º A) inclui a Lei nº 13.798, sancionada em janeiro de 2019, que institui a realização da Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência. Nesta ocasião, deverão ser realizadas atividades de caráter preventivo e educativo, desenvolvidas em conjunto com o poder público e organizações da sociedade civil para divulgar informações que contribuam para a redução do índice da gravidez precoce no Brasil. Desde o ano passado, o dia 1 de fevereiro foi escolhido para dar início ao evento. 

    Para orientar as jovens amazonenses, o Governo do Estado tem como lei a Semana Estadual de Prevenção da Gravidez na Adolescência. Nascida de um projeto da presidente da Comissão de Saúde e Previdência da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), deputada Dra. Mayara Pinheiro (PP), a semana será realiza entre os dias 3 a 7 de fevereiro. O evento prevê o incremento e a promoção de atividades de caráter preventivo e educativo, e também o incentivo à criação de políticas públicas específicas para o tema. 

    Além disso, a Susam implementa ações em educação sexual e direitos reprodutivos, conforme o Estatuto da Criança e Adolescente (ECA), Programa de Saúde na Escola (PSE) e Política Nacional de Atenção Integral à Saúde das Mulheres (PNAISM). Uma das iniciativas é a distribuição das Cadernetas de Saúde do Adolescente, com as versões masculina e feminina, distribuída para as secretarias de saúde de todos os municípios.

    Para as ações de prevenção da gravidez, a política de planejamento familiar inclui a distribuição de pílulas Combinada, Anticoncepção de Emergência, mini pílula, diafragma, anticoncepcional injetável mensal e trimestral, além da distribuição de preservativos masculinos e femininos.

    Na rede estadual de saúde, há a oferta de DIU para as mulheres que buscam o planejamento familiar nas maternidades Nazira Daou (segundas e quintas-feiras) e Ana Braga (quartas-feiras). O atendimento ocorre em nível ambulatorial, com a inclusão de adolescentes, como um alternativa para as jovens que já tiveram uma gravidez precoce.

    *nome fictício