Manifestação


Mulheres fazem vigília contra o feminicídio no Fórum Henoch Reis

A vigília contra o feminicídio acontece durante o júri popular da morte da perita Lorena dos Santos e Baptista, assassinada em 2010

Elas permanecerão no entorno do Fórum até o fim do julgamento Lorena Baptista
Elas permanecerão no entorno do Fórum até o fim do julgamento Lorena Baptista | Foto: Leonardo Mota

Manaus - Durante o primeiro dia do julgamento do réu Milton César Freire da Silva, acusado de matar a ex-esposa de Lorena Baptista, ativistas feministas do Fórum Permanente das Mulheres de Manaus (FPMM) realizam o Ato "#VigíliaPorLorena", na manhã desta quarta-feira (5), no Fórum Ministro Henoch Reis, localizado na avenida Paraíba, bairro São Francisco, Zona Sul da capital amazonense.

Com cartazes, fotos e camisas estampando frases contra o feminicídio, o movimento exige punição a acusados por crimes que envolvem a violência contra a mulher e o feminicídio. Elas permanecerão no entorno do Fórum Ministro Henoch Reis até o juiz Mateus Guedes Rios, da 1ª Vara do Tribunal do Júri, proferir a sentença condenatória do réu Milton César Freire da Silva, prevista para sexta-feira (7). 

Casos em busca de solução

Os casos destacados pelo movimento demonstram o requinte de crueldade na morte de mulheres na capital e a demora nos julgamentos dos acusados. As famílias pedem ajuda e elucidação dos casos. Relembre alguns casos de feminicídios em Manaus. 

Assassinada com 14 facadas

Em 2018, um suposto suicídio é descartado após laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontar que Jeruza Helena Torres Nakamine foi assassinada pelo esposo, o empresário Ivan Rodrigues das Chagas, de 56 anos, com 14 facadas. O crime ocorreu na manhã do dia 12 de abril de 2018, na rua Luanda, conjunto Campos Elíseos, bairro Planalto, Zona Centro-Oeste de Manaus.

Jeruza foi morta pelo companheiro após descobrir traição
Jeruza foi morta pelo companheiro após descobrir traição | Foto: Reprodução

A empresária foi encontrada morta dentro da própria casa, com múltiplos ferimentos por arma branca no tórax, membros superiores e região cervical. O marido da vítima, acompanhado de um advogado, prestou depoimento na unidade policial e confessou a autoria do crime, mas não foi preso devido ter passado o flagrante. 

Encontrada morta com um tiro na cabeça 

A soldado da Polícia Militar Deusiane da Silva Pinheiro, 26, foi encontrada morta com um tiro na cabeça no dia 1º de abril de 2015. O caso envolve o cabo Elson Santos de Brito, 36, com quem a vítima manteve um relacionamento amoroso de 1 ano.

A princípio, a morte de Deusiane também apontava para suicídio, porém o laudo do IML constatou o homicídio. As investigações apontam que a arma utilizada no crime pertencia a Elson, que no dia do crime portava o revólver, de acordo com o registro de cautela da PM.

Deusiane foi ameaçada dias antes de ser assassinada
Deusiane foi ameaçada dias antes de ser assassinada | Foto: Reprodução

De acordo com os familiares da militar, desde a morte de Deusiane, eles passaram a ser ameaçados constantemente. Eles afirmam ainda que dias antes do crime a vítima terminou o relacionamento amoroso com Elson, pois descobriu que ele era casado. 

Há informações de que minutos depois do crime, a companheira de Elson, identificada como Lídia Ramos, ligou para a mãe de Deusiane comunicando que a filha estava morta. No telefonema, a mulher disse que tinha avisado à ela que iria morrer.

Morta à facadas na frente do filho de 3 anos

Em abril de 2019, Thaynara Barbosa da Silva, de 23 anos, foi morta com várias facadas dentro da própria casa, na rua Felismino de Cabral Vasconcelos, conjunto Belvedere, bairro Planalto, Zona Centro-Oeste. O que marca a crueldade do caso é o fato de Bruno Henrique Silva, de 32 anos, ter matado violentamente a esposa com diversos golpes de faca na frente da filha do casal, de apenas 3 anos, que correu e avisou a avó materna. 

A mulher foi morta na frente de uma criança
A mulher foi morta na frente de uma criança | Foto: Reprodução

Bruno disse que ele e a esposa jogavam videogame, porém um em cada canto da casa e afirmou que teve um surto e cometeu o crime. O suspeito não contou a real motivação do crime, mas garantiu que tomava medicamentos para se manter acordado.

Morta a pauladas

Em agosto de 2019, Aline Pâmela Teixeira Machado, de 26 anos, foi morta a pauladas, na rua Ayrton Senna da comunidade Perpétuo Socorro, bairro Cidade Nova, Zona Norte. O borracheiro Douglas Ricardo Silva Costa, de 25 anos, pegou uma perna-manca e começou a agredi-la.

Aline deixou um casal de filhos, sendo uma menina de nove anos e um menino de dois anos
Aline deixou um casal de filhos, sendo uma menina de nove anos e um menino de dois anos | Foto: Reprodução

Ao ser apresentado em coletiva de imprensa, Douglas alegou que era maltratado pela esposa. "Vocês não sabem o que eu passava na mão dessa mulher. Ela era uma mulher muito mal", argumentou. 

O ciúme e a separação conjugal foram os motivos que levaram o homem a cometer o crime brutal contra a esposa. Douglas Ricardo foi indiciado por feminicídio e tentativa de homicídio qualificado. Após os procedimentos cabíveis na DEHS, foi encaminhado ao Centro de Detenção Provisória Masculino (CDPM), no quilômetro 8 da BR-174.