Caso Pablo Pietro


Veja os depoimentos no julgamento do pai acusado de jogar filho no rio

Caso aconteceu em agosto de 2015, o bebê tinha apenas quatro meses quando foi jogado no rio, até hoje o corpo não foi encontrado

Vídeo sobre a morte do bebê em 2015 | Autor: TV EM TEMPO/SBT AMAZONAS

Josias de Oliveira é acusado de jogar o filho, de 4 meses, no Rio Negro, após uma briga com a mãe da criança, por causa do pagamento de pensão alimentícia
Josias de Oliveira é acusado de jogar o filho, de 4 meses, no Rio Negro, após uma briga com a mãe da criança, por causa do pagamento de pensão alimentícia | Foto: Leonardo Mota e Márcio Melo

Manaus - O caso do bebê de quatro meses jogado no Rio Negro em agosto de 2015, no Amazonas, está prestes a ter um ponto final. Começou na manhã desta quarta-feira (19), o julgamento do pai da criança, réu Josias de Oliveira Alves. Ele foi acusado de jogar o próprio filho, Pablo Pietro, de uma embarcação, após discutir com a mãe da criança, Cleudes Maria Batista de Moraes.

A sessão de julgamento iniciou às 9 h, no plenário principal do Fórum Ministro Henoch Reis, bairro de São Francisco. Ao todo, foram ouvidas sete testemunhas, sendo que apenas quatro estavam presentes. Os demais depoimentos foram gravados e reproduzidos no tribunal para o júri, em sessão presidida pelo juiz titular da 1.ª Vara do Tribunal do Júri, Celso Souza de Paula.

Presentes como testemunhas estavam o taxista que transportou Cleudes Maria, do município de Manacapuru (distante 103 quilômetros), onde morava. Também prestou depoimento o policial Douglas Almeida da Cruz, quem atendeu a ocorrência no dia do fato, o proprietário da embarcação que Josias usou para transportá-los, além da mãe de criação de Cleide, Rita Maria da Conceição. 

O juiz Celso Souza afirmou que o caso pode ter um fim nos próximos dias
O juiz Celso Souza afirmou que o caso pode ter um fim nos próximos dias | Foto: Leonardo Mota

 

Testemunhas 

O comportamento de Cleudes, a ex-companheira de Josias e mãe da criança foi destaque em depoimentos ouvidos. “Ela batia no Josias. Era agressiva, pedia dinheiro e o xingava constantemente. Ela não parecia estar desesperada por causa da morte do filho”, relatou. Outras testemunhas afirmavam que Cleusa era agressiva e bateu no acusado antes da criança ser jogada no rio.

No depoimento do policial Douglas Almeida,  Cleudes teria afirmado à guarnição que o réu quis asfixiá-la com uma corda e que a criança foi tirada do braço dela e jogada no rio. Segundo o relato em boletim de ocorrência, Josias a teria estrangulado com uma corda e usado os braços para enforcá-la. Ainda segundo o depoimento, o bebê foi puxado dos braços dela e sido arremessado no rio. Logo depois, ela também teria sido  jogada no rio e, para sobreviver, teria nadado até à margem. 

Josias está sendo acusado de homicídio triplamente qualificado, pela morte da criança. E por tentativa de homicídio quintuplamente qualificado, em relação à ex-companheira
Josias está sendo acusado de homicídio triplamente qualificado, pela morte da criança. E por tentativa de homicídio quintuplamente qualificado, em relação à ex-companheira | Foto: Arquivo Em Tempo

O policial militar afirmou que a mãe da criança de quatro meses, ao chamar a polícia, não queria ir para a delegacia. "Ela estava relutante para ir prestar depoimento e só pedia para voltar a Manacapuru. Dava para ver que ela estava com uma marca no pescoço, mas não parecia com enforcamento. Ela disse que foi jogada da lancha, mas não estava molhada", disse a testemunha.

O dono do bote que Josias usou para transportar Cleudes e o filho, contou como emprestou a embarcação para o réu e que não acreditou quando ouviu a história da criança ter sido jogada no rio. 

A  sessão foi encerrada pelo depoimento da  aposentada Rita Maria da Conceição, mulher que teria ajudado a cuidar de Cleudes desde a infância. A relação entre as duas eram de mãe e filha. Rita também ajudava a cuidar do primeiro filho de Cleudes.

Em depoimento, Rita reconheceu que a mãe de Pablo Pietro fazia o uso de drogas, antes, durante e depois da gravidez. O caso já foi denunciado pela mãe de criação da ex-companheira de Josias para o Conselho Tutelar do município. Ela afirmou também que a filha consumia maconha na presença dos filhos, ambos menores de idade. 

No dia do ocorrido ela contou como recebeu o telefonema de Cleudes sobre o fato da criança ter sido jogada na água. No momento em que lembrou do fato, a testemunha chorou e precisou de alguns minutos para voltar a responder às perguntas. “Ela me ligou e disse que o Josias havia jogado a criança no rio e que a criança havia desaparecido na água. Eu não desejo isso a ninguém”, declarou emocionada.

A defesa do réu relembrou que Cleudes foi presa por roubo em uma loja, de Manacapuru. A mãe saiu em defesa e disse que ela só fez isso porque estava drogada. Questionada também sobre o cumprimento do pagamento de pensão, Rita Maria afirmou que eles viviam juntos antes do fato acontecimento e que o pai da criança arcava com o pagamento do aluguel e comprava comida para a casa. 

Defesa

A defesa de Josias disse que, para tentar a absolvição dos crimes de homicídio triplamente qualificado e tentativa de homicídio duplamente qualificado, atribuídos ao réu, usará todas as provas, como o depoimento de testemunhas, os relatos dos familiares de Cleudes que acusam a mãe do bebê e os depoimentos controversos da ‘vítima’, além do fato do seu cliente ter sido pressionado a confessar na Delegacia Especializada de Homicídios e Sequestros (DEHS).

Presa após a morte do filho 

No ano de 2016, Cleudes foi presa por tráfico de drogas. A jovem estava com mais quatro pessoas no momento da abordagem. Foram apreendidas três porções grande de maconha, cinco celulares, uma motocicleta modelo Honda de cor roxa, placa OAF 0399, que segundo a polícia era utilizada para realizar a entregar dos entorpecentes, e a quantia de R$102 em espécie.

Cleudes foi presa duas vezes após a morte do filho
Cleudes foi presa duas vezes após a morte do filho | Foto: Divulgação

Em agosto de 2017, dois anos após o ocorrido, Cleudes foi presa por furtar roupas e acessórios de uma loja do município de Manacapuru. Na ocasião, elas foram levadas para a 1ª Delegacia Regional do município, onde foram autuadas em flagrante. Quando foram fotografadas pelos policiais, as suspeitas sorriram e fizeram poses para a câmera.

O réu 

Josias foi denunciado pelo Ministério Público em outubro de 2015, por tentativa de homicídio qualificado (motivo torpe, asfixia, recurso que dificultou a defesa da vítima, feminicídio não consumado por circunstâncias alheias à vontade do agente) contra Cleudes, e por homicídio qualificado contra o próprio filho (motivo torpe, meio cruel, recurso que dificultou a defesa da vítima, contra descendente e contra criança).

Os parentes de Josias estavam no tribunal e pediam justiça, alegando que o canoeiro não seria o autor do crime. A irmã do réu, Josenilda de Oliveira disse que o irmão é inocente. "Acusaram meu irmão injustamente há anos. Ele é inocente e estamos aqui pedindo justiça", disse. 

Os familiares estavam presentes no julgamento e acreditam na inocência de Josias
Os familiares estavam presentes no julgamento e acreditam na inocência de Josias | Foto: Leonardo Mota

O canoeiro estava vestido com camisa cor salmão e calça jeans. Com a cabeça erguida, olhava em direção ao juri. Apresentava estar calmo e atento aos áudios dos depoimentos.

Veja vídeo sobre o caso de 2015:

Vídeo sobre a morte do bebê em 2015 | Autor: TV EM TEMPO/SBT AMAZONAS