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    Denúncia


    Funcionários de hospital em Manaus são proibidos de usar máscaras

    O hospital, além de não fornecer máscaras para proteção aos funcionários, ainda proíbe que eles usem os materiais para prevenção. "Eles dizem que é uma medida para não espantar os pacientes", contou uma testemunha

    | Foto: Marcio Melo

    Manaus- Imagine que, em meio a uma pandemia, você ser proibido de se proteger da doença? É exatamente essa a situação que os colaboradores de um hospital particular, localizado no Boulevard Álvaro Maia, estão passando. O Em Tempo recebeu denúncias de que a direção da unidade hospitalar não disponibilizou materiais de prevenção ao Covid-19. Enquanto os números de casos crescem a cada dia, os funcionários são obrigados a tirarem dinheiro dos próprios bolsos para comprarem os materiais de prevenção. Em nota divulgada nesta quinta-feira (26), o hospital negou que os pacientes e os funcionários estejam expostos ao contágio do Covid-19 durante o atendimento e ressaltou que investiu aproximadamente R$ 500 mil em equipamentos de proteção individual.

    Os denunciantes, que preferiram não se identificar por medo de represália, relataram o descaso com os funcionários da instituição. Segundo eles, apenas álcool em gel foi disponibilizado para a prevenção ao coronavírus na última semana. Antes disso, não havia nenhum material disponível às equipes de saúde. 

    “A diretora técnica falou que se quisermos o material (máscaras), era para nós comprarmos. Isso porque se o hospital comprasse o equipamento de proteção para os funcionários, isso iria gerar custos para a empresa. Isso é inadmissível! Esse emprego é muito importante para mim, mas não acho justo que estão fazendo com a gente. Tenho medo de pegar Covid-19”, disse uma das denunciantes e colaboradora da empresa.

    Além de funcionários, um paciente preocupado entrou em contato também com o EM TEMPO para denunciar o caso. 

    “Eu fui realizar exames no hospital. Assim que cheguei, eu notei que uma das atendentes estava tossindo. Perguntei a ela porque não estava usando uma máscara, uma vez que essa é a norma do Ministério da Saúde para os doentes. Com medo, a moça respondeu: ‘não podemos usar máscaras, isso pode assustar vocês. Foi o que nos orientaram’. Fiquei indignado com a situação”, relatou o paciente do hospital.

    De acordo com o homem, ele tentou realizar a denúncia junto à ouvidoria, mas não obteve sucesso. Ele não encontrou nenhum responsável para explicar a situação.

    “Será que eles não pensam, aqui é um hospital, o número de contaminação é maior que qualquer outro lugar.  Não ia me assustar ninguém se os funcionários usassem as máscaras, mas ver eles sem me assustou muito. A moça estava tossindo e espirrando”, contou a testemunha.

    Sobre o posicionamento da empresa 

    O Hospital Santa Júlia LTDA. informou, nesta quinta-feira (26), que possui um Setor de Controle de Infecção Hospitalar, chefiada por um médico especialista em infectologia, com grande experiência em trabalhos com infecções virais. Salientou, ainda, que, por meio deste setor, está tomando todas as medidas necessárias para prevenção e combate ao vírus Covid-19, observando para tal as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS), Ministério da Saúde, Anvisa, Conselho Federal de Medicina e Secretaria de Estado de Saúde do Estado do Amazonas. O investimento em equipamentos é de aproximadamente R$ 500 mil.

    A unidade de saúde tem disponibilizado os equipamentos de proteção individual (EPI), conforme o risco de exposição e contato do funcionário ou paciente / visitante, atuando proativamente para evitar a disseminação do Covid-19, inclusive implementando ações voltadas para orientações de pacientes e funcionários, conscientizando-os da necessidade dos cuidados com a higienização e a restrição de contato (distribuição de folhetos, fixação de banners, etc.).

    Com o objetivo de atender um possível aumento exponencial da demanda de casos de pacientes infectados pelo vírus Covid-19, e com a finalidade de proteção de seus funcionários, profissionais de saúde e pacientes, após a divulgação da existência do primeiro caso desta doença no Brasil, o Santa Júlia realizou a aquisição de milhares de EPI - com um investimento de aproximadamente R$ 500 mil.

    Os equipamentos de proteção individual já se encontram escassos em todo o país (mascaras, aventais, álcool etc.), o que levou aos diversos órgãos sanitários do pais e do mundo a recomendarem o uso correto e racional destes materiais, para evitar o seu exaurimento e, com isso, a possibilidade de infecção de profissionais de saúde que estejam em contato direto com pacientes infectados pelo Covid-19, auxiliando no combate à pandemia.

    No último dia 23 de março, o hospital recebeu a visita de uma equipe de fiscalização do Conselho Regional de Enfermagem do Estado do Amazonas (COREN/AM), o qual atestou as condutas de prevenção ao contagio dos funcionários e profissionais de saúde e comprovaram o cumprimento integral das orientações da Organização Mundial de Saúde e dos órgãos sanitários Federal, Estadual e Municipal.