Fonte: OpenWeather

    Decreto presidencial


    Religiosos do AM opinam sobre quarentena após decreto de Bolsonaro

    Líderes de igrejas evangélicas, católicas, umbanda e hindu de Manaus opinaram sobre o novo decreto de Bolsonaro de incluir igrejas como serviço essencial

    Líderes opinam sobre o decreto desta quinta-feira (26) do Presidente Jair Bolsonaro
    Líderes opinam sobre o decreto desta quinta-feira (26) do Presidente Jair Bolsonaro | Foto: reprodução

    Manaus – Foi publicado no Diário Oficial da União, na manhã desta quinta-feira (26), o Decreto assinado pelo Presidente Jair Bolsonaro que define atividades religiosas de qualquer natureza como essenciais que podem funcionar durante a situação de emergência no País em decorrência do novo coronavírus. A decisão não depende da aprovação em congresso.

    No Amazonas, o governador Wilson Lima assinou, no dia 21 deste mês, um decreto suspendo o atendimento ao público em geral, em todos os restaurantes, bares, lanchonetes, praças de alimentação e em todos os templos religiosos, pelo prazo de 15 dias. A decisão visa conter aglomerações, um dos principais vetores de contaminação do Covid-19. 

    Com isso, muitas igrejas adotaram a transmissão de cultos online para evitar a aglomeração nos templos. Com a nova determinação de Bolsonaro, o Portal EM TEMPO ouviu a opinião de pastores evangélicos, freis católicos e líderes de centro de Umbanda da capital sobre a nova medida do presidente e se realizarão atividades religiosas nos próximos dias. 

    Preocupação com idosos

    Os pastores do Ministério Levítico Kairós (MLK), localizado na rua 234, núcleo 21, Cidade Nova, Zona Norte, comentaram sobre a decisão e afirmam que ainda não é o momento de voltar aos cultos presenciais. A liderança está preocupada com os idosos que frequentam o local. 

    “Eu ainda acho muito cedo para determinarmos abertura do templo porque fico preocupado com os idosos que, na grande maioria, possui doenças como hipertensão ou autoimunes. Eu acho perigoso ainda, já que esta pandemia trouxe uma histeria no mundo todo. Eu tenho acompanhado e vejo que está acontecendo mesmo, os números estão aumentando. É arriscado. O momento é de parar, analisar e ponderar. A minha posição como pastor é não abrir por enquanto. É o melhor para todos. O momento é de união e de clamor pelo nosso Brasil”, explicou pastor Lourivaldo. 

    Os pastores acreditam que seja o momento de voltar com as reuniões no templo
    Os pastores acreditam que seja o momento de voltar com as reuniões no templo | Foto: reprodução

    A pastora consagrada pela Nova Igreja Batista Internacional da Promessa, localizada na rua Yanomami, Novo Israel 2, Zona Norte, afirma que é momento de precaução e cuidados. Ela, juntamente com o esposo, pastor Marcos Aurélio, não concorda com a decisão.

    “Eu como pastora acredito que não deva voltar aos cultos nesse momento. Os números crescem todos os dias. Aglomerações causam transmissão de vírus. O que vemos no Amazonas é que a maioria dos pacientes diagnosticados é assintomática. Precaução é a palavra no momento e amar suas ovelhas significa se importar com elas”, enfatizou Glenda. 

    Membros da casa de Umbanda de "Mina Nagô, Nossa Senhora de Nazaré", sob a regência do orixá Oxum e Oxossi, em Manaus, declaram que não retornarão de imediato às atividades, pois há muitos idosos que frequentam as reuniões, tendo em vista que fazem parte do grupo de risco. Entre as filhas da casa está Leila Patrício que explica sobre a decisão. 

    Fieis permanecem em quarentena
    Fieis permanecem em quarentena | Foto: Divulgação

    “Vamos acatar a decisão de fazer trabalhos externos. Por enquanto, a casa de umbanda ficará fechada, principalmente pelos idosos que frequentam a casa, pois são muitos. Vamos ficar em quarentena e evitar o contato. É muito perigoso. Vamos aguardar até abril”, destacou Leila. 

    O Frei Paulo Xavier Ribeiro, pároco da Paróquia de São Sebastião de Manaus, declarou que a igreja segue as orientações do Bispo da Arquidiocese de Manaus, Dom Leonardo Steiner, em permanecer em quarentena. As reuniões, encontros de formação, atividades pastorais que reúnam pessoas nas dependências das comunidades e centros de pastoral permanecem suspensas período de 30 dias. 

    As missas foram canceladas e evento adiados
    As missas foram canceladas e evento adiados | Foto: Leonardo Mota

    “Não teria sentido todo este nosso esforço de cuidarmos uns dos outros respeitando as orientações sanitárias, sacrificando nossos encontros comunitários de fé se não tomarmos as mesmas atitudes de cuidado em relação a qualquer outra possibilidade de aglomeração de pessoas. O cuidado que escolas, igrejas, repartições públicas estão tomando deve ser observado também por todos os outros segmentos sociais”, diz o texto do Arcebispo de Manaus. 

    Participantes do Centro Cultural Hare Krshina de Manaus, localizado no bairro Petrópolis afirmam que decidiram não realizar reuniões, que acontecem aos sábados. A informação é que voltem com as atividades a partir do mês de abril, obedecendo, assim, a ordem de quarentena. 

    As atividade voltarão a partir do mês de abril
    As atividade voltarão a partir do mês de abril | Foto: reprodução

    Aguardam orientação

    Os pastores Gilberto e Neide Silva fazem parte da liderança da Igreja Evangélica Assembleia de Deus do Amazonas (IEADAM), a igreja da área 308 fica localizada no Conjunto Residencial Viver Melhor. Os pastores afirmam concordar com o presidente Jair Bolsonaro, mas aguardam a decisão do pastor presidente da IEADAM, Jonathas Câmara.  

    “Concordamos com o presidente. Vamos realizar os cultos e iremos acatar todas as normas que forem dadas pelo Ministério da Saúde. Vamos aguardar o pronunciamento do nosso pastor presidente”, consentiu os pastores.

    Pastores da Assembelia de Deus aguardam orientação do pastor presidente
    Pastores da Assembelia de Deus aguardam orientação do pastor presidente | Foto: Lucas Silva

    Reuniões com restrições

    O pastor do Ministério do Avivamento O Poder de Deus (MAPD), Roberto Oliveira, declarou também concordar com a abertura dos templos, mas destacou a diminuição do tempo das reuniões e no número de participantes. Segundo ele, a igreja precisa voltar aos poucos à normalidade. 

    “Voltaremos aos poucos, com orações de 30 a 40 minutos com liderança e reduzir os horários dos cultos, por exemplo. Vamos nos juntar e fazer orações nas quintas e domingos”, afirmou Oliveira.