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    Dificuldades


    Imigrantes enfrentam nas ruas a ameaça do coronavírus

    Refugiados afirmam que precisam continuar trabalhando para levar sustento a famílias deixadas nos países de origem

    Refugiados passam por dificuldade com vendas | Foto: Lucas Silva

    Refugiados passam por dificuldade com vendas
    Refugiados passam por dificuldade com vendas | Foto: Lucas Silva

    Manaus - Na medida em que a pandemia do novo coronavírus avança no mundo todo, certos grupos se encontram em posições mais vulneráveis aos seus efeitos. Além de quem tem maior risco à infecção, como os idosos e portadores de doenças pré-existentes, situações como a moradia precária e o impedimento de acesso aos serviços de saúde tornam segmentos da população mais sujeitos a sofrer com a crise.

    Entre os grupos mais vulneráveis estão os refugiados e outros imigrantes que são forçados a fugir de suas casas por vários motivos. São pessoas que abandonaram seus locais de origem ao fugirem de guerras, perseguições políticas ou religiosas, desastres ambientais ou mesmo miséria econômica, por exemplo. Hoje, estão em campos de refugiados, em abrigos ou dispersos no território dos países onde são estrangeiros com pouco ou nenhum acesso às redes de assistência social.

    É o caso do vendedor ambulante Bato Jan, que deixou a família na Venezuela e veio tentar uma qualidade de vida melhor em Manaus, porém devido a pandemia a procura pelas frutas caiu muito.

    “As pessoas estão assustadas e não estão vindo comprar nada, eu passo o dia aqui no centro oferecendo o meu produto, mas até o fluxo de pessoas na rua diminuiu. Todo dia tenho enfrentado dificuldade devido os policiais fazerem fiscalizações diariamente para impedir os vendedores trabalhar, mas eu não vou ficar em casa parado”, afirmou o vendedor.

    Bato diz que apesar de todas informações sobre o vírus, ele não está praticando nenhuma medida de higiene, somente de ‘higienizar as frutas’, segundo vendedor o custo é muito alto para comprar os equipamentos de prevenção.

    “Esses produtos são muito caros, eu tenho que trabalhar para pagar aluguel e não tenho dinheiro para usar máscara, luvas e álcool em gel, mas tenho higienizado as frutas corretamente como sempre”, conta.

    O venezuelano já está em Manaus há quase oito anos e sonha em trazer os dois filhos para morar com ele na capital amazonense, mas ressalta que o valor da passagem é alto e com a crise da pandemia esse sonho está cada vez mais distante.

    “Eu quero trazer eles para cá, apesar de mandar dinheiro para eles viverem lá. Sei que eles sofrem, mas com o baixo movimento e pouco dinheiro que a crise trouxe, acredito que não vou conseguir fazer isso tão cedo, tenho muita saudade deles”, lamentou Bato.

    Imigrantes dizem não estarem com medo da doença e sim de não conseguir dinheiro
    Imigrantes dizem não estarem com medo da doença e sim de não conseguir dinheiro | Foto: Lucas Silva

    A situação também é comum para o vendedor de frutas Joe Fransua, que veio do Haiti para a capital amazonense, devido a economia do país de origem estar fragilizada. De acordo com Joe, no Haiti nem mesmo o comércio traz lucro a população.

    “Lá eu não podia vender nada, gastava mais comprando os produtos do que vendendo, aqui em Manaus o movimento é bom apesar de eu ter vendido pouco nos últimos dias, mas ainda é vantagem morar aqui e sair para trabalhar todos os dias”, afirmou o imigrante.

    Questionado se está preocupado em contrair o vírus, Joe afirmou que não está com medo, devido o vírus só ‘estar matando quem permanece doente’ e ele está saudável, sem nenhum sintoma da doença. Para ele, a única dificuldade que a pandemia trouxe foram as fiscalizações feitas pelas autoridades que impedem as suas vendas.

    Refugiados afirmam que precisam continuar trabalhando para levar sustento a famílias
    Refugiados afirmam que precisam continuar trabalhando para levar sustento a famílias | Foto: Lucas Silva

     Auxílio

    Segundo a Pastoral dos Migrantes da Arquidiocese de Manaus, não há política especifica de auxílio para os migrantes e/ou refugiados, contudo eles podem se cadastrar para receber os benefícios assistenciais que o governo oferece desde que tenham CPF.

    A Pastoral também afirmou que, por medidas de segurança no combate da transmissão do vírus, não há novos ingressos nas casas e nem desligamentos, ou seja, mesmo que já tenham cumprido o tempo de permanência na casa eles podem continuar até que tudo melhore. No entanto, a vice coordenadora, Rosana Nascimento, afirmou que a pastoral está realizando ações para auxiliá-los neste período.

    “Temos auxiliado com cestas básicas, matéria de higiene e limpeza na medida do possível. Estamos com a campanha Puxirum Manauara que pretende arrecadar alimentos e material de limpeza e higiene tanto paras os migrantes quanto população em situação de rua, além de orienta -lós a fazer o cadastro para receber o benefício emergencial do governo”, esclareceu Rosana. 

    Indígenas venezuelanos

    De acordo com a Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Cidadania (Semasc), a prefeitura de Manaus acolhe 603 indígenas venezuelanos da etnia warao. Durante a pandemia da Covid-19, as famílias que estão no espaço de acolhimento provisório localizado no bairro Centro estão recebendo cestas básicas, semanalmente, para ajudar na nutrição e fortalecimento do sistema imunológico dos acolhidos.

    Já os indígenas que estão sendo remanejados do espaço de acolhimento do bairro Alfredo Nascimento, desde a última quinta-feira (2) recebem alimentação diária (café, almoço e jantar) nos novos locais de acolhimento. Dos mais de 500 acolhidos no espaço, 157 já foram transferidos para um centro esportivo, na Zona Oeste. O remanejamento continuará por toda a semana para diferentes espaços de acolhimento, seguindo as orientações dos órgãos sanitários, para evitar aglomeração de pessoas.