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    Coronavírus


    Barrados em cemitério de Manaus, familiares dão último adeus pela web

    Os parentes que tiveram acesso ao local da cerimônia fúnebre fizeram uma transmissão por WhatsApp para que os barrados pudessem acompanhar o sepultamento

    Os entes queridos acompanharam tudo pela chamada de vídeo
    Os entes queridos acompanharam tudo pela chamada de vídeo | Foto: Lucas Silva

    Manaus – Uma pessoa prestativa e amada por todos, assim a família descreve o aposentado Sebastião Ferreira, de 70 anos, morto com sintomas do novo coronavírus, em Manaus. Apesar de fazer parte de uma família grande, a maioria só conseguiu acompanhar o sepultamento através de uma chamada de vídeo. Os parentes que tiveram acesso à área da cerimônia fúnebre fizeram uma transmissão por WhatsApp aos que foram barrados e tiveram que aguardar do portão do Cemitério Nossa Senhora Aparecida, no bairro Tarumã, Zona Oeste. 

    Essa já é uma realidade que afeta centenas de famílias na capital amazonense. A pandemia do Covid-19, além de mudar a rotina, tem transformado o ritual de despedida aos entes queridos. Devido à nova determinação da Prefeitura de Manaus, uma das medidas para evitar aglomerações, no máximo cinco pessoas podem acompanhar os enterros. 

    Sebastião estava bem, mas começou a ter crise respiratória
    Sebastião estava bem, mas começou a ter crise respiratória | Foto: Arquivo pessoal


    Em meio à comoção, a costureira Damiana da Silva, de 60 anos, casada há 45 anos com Sebastião, teve que tomar uma decisão difícil. Por conta da limitação imposta, ela teve que abrir mão de dizer adeus ao amado. Em um ato de solidariedade, ela cedeu a vaga para um dos irmãos do aposentado.

    “Nós nunca nos abandonamos e foi muito difícil ter que abrir mão de estar com ele nesse último momento. Eu me coloquei no lugar do irmão dele, que também tinha esperança de se despedir”, lamentou.

    Presos em Manaus

    Sebastião e a esposa estavam “ilhados” em Manaus desde o dia 23 de março, desde quando vieram do interior do Estado para receber o pagamento da aposentadoria do idoso. O casal morava em Novo Airão, entretanto, foi surpreendido com o decreto estadual que proibiu o transporte de passageiros nas estradas do Amazonas. Eles permaneceram na casa de um familiar na capital. 

    “Ele ficou uma semana doente e estávamos tratando em casa. Ontem (terça-feira) ele teve uma crise e reclamava muito de dores no peito. Levamos para o hospital, mas ele já chegou desfalecendo”, explicou dona Damiana. 

    Os familiares de Sebastião estavam bastante emocionados
    Os familiares de Sebastião estavam bastante emocionados | Foto: Lucas Silva


    A família de Sebastião foi informada pela equipe médica que o resultado do exame da Covid-19 deve sair em até 15 dias. O aposentado teve registrado na certidão de óbito como causa da morte, a síndrome respiratória. 

    Sebastião foi sepultado em uma vala comum e a cerimônia que durou cerca de 20 minutos. Ele teve o caixão enfileirado ao lado de outras cinco urnas funerárias. A espécie de trincheira permite o sepultamento coletivo de mortos pelo coronavírus e também mortes por outras doenças. A maior preocupação da família era não saber onde o idoso foi enterrado. 

    Cinco pessoas podem entrar no cemitério para evitar aglomeração
    Cinco pessoas podem entrar no cemitério para evitar aglomeração | Foto: Lucas Silva


    “Tínhamos receio de depois não saber o ponto certo do local onde ele foi enterrado. Pagamos R$ 120 para os coveiros colocarem um caixote e uma cruz de identificação”, relatou Adriane Silva, sobrinha do aposentado. 

    A doença no estado

    Nesta quarta, o Amazonas registrou 209 novos casos do coronavírus. Com isso, o número de infectados subiu de 2.270 para 2.479, sendo 1.958 em Manaus e 521 pessoas com a Covid-19 em 32 municípios do interior.