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    Covid-19


    Relatos de quem está com Covid-19 e precisa lidar com o isolamento

    Vítimas do coronavírus explicam como é conviver com os sintomas do novo vírus em casa, seja com o apoio de familiares, amigos ou sozinho.

    Quem está tratando a doença em casa precisa redobrar os cuidados para não contaminar os demais moradores.
    Quem está tratando a doença em casa precisa redobrar os cuidados para não contaminar os demais moradores. | Foto: Reprodução

    Manaus- As orientações são claras e específicas para pacientes que testaram positivo para a Covid-19. Os que apresentam sintomas "leves" estão em tratamento domiciliar e em isolamento social. No Amazonas são 1.203 pessoas com diagnóstico da doença que seguem sob supervisão da Secretaria de Estado da Saúde (Susam), em casa, segundo dados do Governo do Estado, divulgados no dia 22 de abril. Mas não só de medicamentos é feito o tratamento domiciliar. O EM TEMPO procurou vítimas do coronavírus para entender o procedimento e como é conviver com os sintomas do novo vírus, seja com o apoio de familiares, amigos ou sozinho.

    Paula Cardoso, 33 anos, testou positivo no início do mês de abril. A mulher que trabalha com estética, moradora da zona Norte de Manaus, acredita que tenha sido contaminada por uma cliente. Segundo ela, quando foi atender a moça, notou que a saúde dela estava comprometida. 

    “Faço massagens com funções estéticas há 11 anos. Em meu trabalho não posso escolher cliente. Essa moça (doente) que atendi, nunca tinha visto antes. Ela espirrou e tossiu muito. Perguntei várias vezes se ela estava bem, se já havia ido ao hospital e ela sempre fugia do assunto”, disse a esteticista.

    Depois do atendimento, Paula começou a sentir mal estar. Fraqueza, falta de apetite, dores no corpo e o maior sintoma que a levou a buscar ajuda, a falta de ar. Segundo a ela, com o passar dos dias, o quadro foi se agravando, até ter crise de choro por não consegui respirar. 

    “Fui levada às pressas por um vizinho ao Hospital Platão Araújo. Chegando lá, enfrentei dificuldades em fazer o teste rápido. Eles não queriam fazer, pois, diziam que eu estava apenas gripada. Até que um médico (um anjo) apareceu no corredor, me examinou de longe e disse para fazerem o teste em mim. Quando recebi o resultado positivo entrei em pânico”, relata.

    Sintomas

    O desespero foi maior, porque Paula mora sozinha, sua família é do município de Itapiranga (Distante 226 quilômetros de Manaus) e há alguns anos, a esteticista mudou-se para a capital com o objetivo de estudar.

    A mulher relatou que nos primeiros dias em que sentiu os sintomas da Covid-19, pedia almoço em casa, pois, nem cozinhar conseguia, não tinha forças. A esteticista apresentou todos os sintomas da doença.

    “Sinto um cansaço muito grande. Tenho dores nos ossos, na cabeça e no peito, falta de ar, e vontade de chorar. Essa doença mexe muito com o psicológico da gente. Eu parei de trabalhar, não tenho forças. Meus olhos ardem muito. Eu não sinto gosto nenhum da comida, mas comia mesmo assim. Os remédios são fortes e atingem o fígado. Estou no oitavo dia de isolamento e só oro a Deus para que tudo isso passe” relatou Paula.

    Paula tem seguido as orientações de um médico do Sistema Único de Saúde (SUS) e segue o tratamento em casa, isolada e consciente da responsabilidade com a própria saúde e a saúde dos outros.

    Dos cuidados

    Além de uma dieta balanceada, Paula aumentou o consumo de água, frutas e verduras. Com a ajuda de amigos, ela tem conseguido comprar os alimentos e materiais de higiene. A limpeza também foi um quesito de mudanças. 

    “Antes eu trocava a roupa de cama uma vez por semana, agora preciso trocar de quatro em quatro dias. Não me orientaram a isso, mas imagino que seja necessário. Principalmente a fronha que fica próximo ao nariz. Meu telefone vive carregando, não quero cogitar a hipótese de precisar de ajuda e não ter como avisar”.

    Outro caso

    Para Ângelo Reis, a doença chegou de surpresa. O homem de 49 anos que sofre de pressão alta e há anos passou mal por falta de ar. Ele foi diagnosticado com a Covid-19 em um hospital da rede privada de saúde. Ângelo é morador da zona Oeste de Manaus e explicou durante a entrevista que jamais imaginou ter essa doença.

    “Nem acredito que estou com coronavírus. Fui para o hospital com falta de ar, chegando lá fiz vários exames, entre eles o do corona. Eu sentia apenas uma coceira nos olhos, e vez ou outra uma sensação de febre. Como tenho problema de rinite achei que fosse isso”, disse.

    A família de Ângelo formada por quatro pessoas, contando com ele, está colaborando para o tratamento. Como paciente de Covid-19, está em um quarto improvisado no quintal da casa dele, que, antes,  funcionava como depósito. Sabonete, toalha de banho, talheres e prato estão separados. 

    “Minha esposa já era limpa, agora piorou. Ela só fala nisso. Minha sandália é lavada quase todos os dias. Eu e minha família usamos máscaras. Meus filhos estão muito preocupados, mas eu me sinto bem melhor. Espere que tudo acabe e que eu possa voltar a beber minha cerveja”, confessou, Ângelo.

    Os pacientes com Covid-19 preferiram não enviar fotos, ambos temem que a doença interfira no lado profissional. Ambos relataram ao EM TEMPO que dentro dos hospitais sentiram-se discriminados por estarem doentes.