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    Coronavírus


    'Não existem meios para nos proteger', diz policial de Manaus

    Uma das linhas de frente no combate ao coronavírus, os policiais, sofrem com a falta de EPIs e sobrecarga de trabalho para repor oficiais afastados.

    | Foto: Divulgação

    Manaus – A pandemia afeta mais uma das linhas de frente no combate ao novo coronavírus. Até este sábado (26), o Amazonas perdeu 11 policiais, todos vítimas de coronavírus, e o Estado tem mais de 150 oficiais afastados do trabalho com suspeita de Covid-19, segundo a Associação das Praças da Polícia e Bombeiro Militar do Amazonas (Appbmam). 

    Apesar dos esforços da associação, o número de infectados tende a aumentar. "O policial militar, depois da saúde, é a linha de frente no combate ao coronavírus. Eles têm contato direto com pessoas infectadas e continuam fazendo seus trabalhos com muito orgulho e caráter. Quando são infectados caem no sistema público de saúde, que não tem vaga e ficam na fila de espera. Podem morrer nesse tempo. Então, precisamos que sejam tomadas providências nesse sentido", disse  à imprensa, o sargento Igor Silva, presidente da Appbmam.

    Em março, o Governo do Amazonas decretou o fechamento de estabelecimentos não essenciais e as operações policiais foram acionadas para pôr em prática o decreto. Os oficias permaneceram em contato direto e constante com a população desde então, além de ter que atender as demais ocorrências, mas somente um mês depois foram entregues kits de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) aos policiais.

    Policiais são uma das linhas de frente no combate ao coronavírus
    Policiais são uma das linhas de frente no combate ao coronavírus | Foto: Divulgação

    De acordo com a Appbmam, os EPIs não são suficientes para atender a demanda da corporação e muitos militares acabam trabalhando sem proteção. Um policial, que preferiu não se identificar, afirmou ao EM TEMPO que a ação foi realizada tarde demais.

    ‘’Logo no início, tivemos operações para fechar comércios, bares, restaurantes e manter diálogo com populares para conscientização. Foi nesse período que ocorreram a maioria das contaminações que levaram a óbito muitos colegas de serviço’’, declarou o oficial que também enfatizou a compra de máscaras de proteção com o próprio dinheiro.

    ‘’Nos deram algumas máscaras descartáveis que duraram apenas um dia e quando a associação começou a entregar máscaras reutilizáveis, a maioria de nós já estava comprando com recursos próprios ou atuando sem proteção’’, informou.

    O policial reconheceu o empenho da associação e analisa que sem as denúncias feitas, nenhuma ação em prol dos oficiais seria realizada. ‘’O comando forneceu testes rápidos somente após reclamações. Acredito que não existe meio suficiente para nos proteger. Mais cedo ou mais tarde, a maioria de nós será infectada’’.

    Muitos policiais compraram EPIs com recursos próprios
    Muitos policiais compraram EPIs com recursos próprios | Foto: Divulgação

    Com o desfalque dos policiais afastados, os efetivos sofrem com a sobrecarga para realizar serviços extras. Os PMs são convocados para aliviar as baixas e quando se recusam a realizar os serviços extras, que são remunerados, são inscritos como ‘’não voluntários’’. De acordo com o policial, quando os números atingirem níveis altos, ocorre a convocação extraordinária, onde o serviço é obrigatório e não remunerado. ''É nosso compromisso com a sociedade. Apesar de ser estressante ficar longe de nossos familiares e ficarmos expostos nas ruas, fazemos esse serviço com honra e orgulho''.

    Reivindicação

    Recorrendo ao serviço de saúde pública, uma das reivindicações dos PMs é auxílio em casos de afastamento. ''Os policiais contaminados estão por conta próprio, o único suporte que recebem é em caso de morte'', disse o policial.

    O oficial declarou que os colegas de farda com sintomas de Covid-19, são imediatamente afastados, mas além disso, ele espera que o Hospital da Polícia Militar seja exclusivo para auxiliar os servidores de segurança pública com a doença.

    ''Como linha de frente, estamos mais propensos ao coronavírus. Nos informaram que o Hospital da Polícia Militar seria aberto para auxiliar nossos homens que estão contaminados ou sob suspeita, e contamos com isso para a saúde dos oficiais''.

    Comando Geral 

    O Comando-Geral da Polícia Militar do Amazonas se posicionou por meio de nota e informou que desde o dia 23 de março está tomando ações preventivas para conter a disseminação do Covid 19 na corporação.

    Equipamentos de Proteção Individual (EPI) estão sendo distribuídos pela Diretoria de Apoio Logístico (DAL). Também foram realizados mutirões de limpeza interna e externa de todas as viaturas administrativas e operacionais, lanchas, Policlínica e Unidades Operacionais, incluindo a higienização com aplicação de ozônio. Medidas que continuam sendo realizadas.

    Os testes rápidos em policiais militares estão acontecendo desde o dia 20 de abril na Policlínica do Comando Geral, localizado no bairro Petrópolis. O policial que apresenta sintomas do vírus é submetido a uma triagem que começa com o preenchimento de um formulário pelo aplicativo SASI onde são relatados os sintomas aparentes. O paciente é submetido a uma consulta, por vídeo chamada na plataforma Skype, ou presencial, onde é definida data e hora para a realização do exame.

    Os procedimentos recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS), Ministério da Saúde e Governo Estadual foram realizados pela corporação. Militares e funcionários civis que fazem parte dos grupos de risco ou que apresentem qualquer sintoma do Covid 19, estão sendo afastados de suas funções sejam elas administrativas ou operacionais. 

    No último sábado (25), teve início a campanha de imunização de síndromes gripais, em sistema drive thru que acontece no estacionamento do Comando Geral, no bairro Petrópolis. Também foi criado um grupo de trabalho na Policlínica para atendimento de policiais e familiares sintomáticos. Médicos, enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais prestarão atendimento.

    A escala de serviço ordinário está sendo cumprida de forma inalterada. O serviço extraordinário citado na matéria é realizado de forma legal, consiste no cumprimento de um serviço adicional, no qual o policial é voluntário para receber gratificação de trabalho extra (GTE).

    Dos onze policiais que faleceram vítimas do Covid 19, relatados na entrevista, oito estavam nos quadros da reserva (aposentadoria), somente três fazem parte do serviço ativo, sendo que um deles estava afastado da Instituição por motivos particulares, portanto, apenas dois podem ter contraído o vírus no desempenho de suas funções. 

    A Polícia Militar lamenta a opção pela mentira e a tentativa de politização da crise do Coronavírus por parte de representantes de servidores. O Comando-Geral da PM ressalta que serão adotadas medidas legais para apurar as declarações infundadas e sem respaldo, uma vez que, a Instituição não admite sindicalização, resguardando ao Comandante-Geral o dever de responder pela Corporação. Lamentamos ainda que, em momento tão delicado, no qual lutamos para combater uma pandemia, haja figuras preocupadas em promoção política pessoal. 

    "Neste momento de luta contra a pandemia, o nosso compromisso é com a verdade e com o bem estar dos nossos policiais militares, que junto aos profissionais de saúde, se expõem ao perigo nas frentes de combate, tudo em prol do bem maior e coletivo da nossa população", enfatizou o Comandante Geral Coronel Ayrton Norte.