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    Pandemia


    Profissionais da saúde do Amazonas pedem "Socorro"

    "Amo o que faço, mas ultimamente estou passando por momento difíceis demais. Sinto muito medo de contrair a Covid-19 e mais medo ainda de levar o vírus para casa".

    Na manhã desta segunda-feira (27), cerca de 100 profissionais da saúde protestaram em frente ao HPS 28 de Agosto
    Na manhã desta segunda-feira (27), cerca de 100 profissionais da saúde protestaram em frente ao HPS 28 de Agosto | Foto: Altemir Coelho

    Manaus - Manifestações virtuais e presenciais tem acontecido nos últimos dias por profissionais da área da saúde. De acordo com os servidores, não há Equipamento de Proteção Individual (EPI) para todos os profissionais. Para trabalhar os funcionários precisam improvisar proteções, e muitos estão sendo exposto ao coronavírus. Com insegurança e medo, resolveram não calar.

    “Sou enfermeira há 16 anos, já trabalhei em quase todos os hospitais da cidade. Amo o que faço mas ultimamente estou passando por momento difíceis demais. Sinto muito medo de contrair a Covid-19 e mais medo ainda de levar o vírus para casa. Não recebemos máscaras proteção e nem luvas, eles escolhem para quem dar o equipamento. No começo da pandemia recebíamos, mas agora não estamos mais recebendo. Acredito que é por isso que muitos de nós (profissionais da saúde) estão se contaminando”, expôs a profissional de saúde.

    O relato acima é de uma mulher que preferiu não se identificar por medo de represálias. Ela trabalha atualmente no Hospital e Pronto-Socorro Dr. Platão Araújo, situado na Avenida Autaz Mirim, bairro Jorge Teixeira (Zona Leste). A enfermeira realiza campanha virtual entre amigos e familiares para ajudarem ela e as colegas com a fabricação de máscaras caseiras e macacões de Tecido Não Tecido (TNT).

     

    | Foto: Agência Brasil

    “Estamos fazendo recolta com amigos e conhecidos para construirmos nossos equipamentos de proteção. O certo era todos os profissionais usarem máscaras N95 independente de trabalhar na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) ou não. Pois não sabemos quem está ou não infectado. Como não tem, usamos as de tecido mesmo, e retiramos a cada duas horas. Tenho muito medo, oro e choro todas as noites. Não quero deixar de trabalhar, quero proteção”, contou a enfermeira.

    Paralisação

    Na manhã desta segunda (27), cerca de 100 profissionais da saúde protestaram em frente ao hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto (Avenida Mário Ypiranga, bairro Adrianópolis, zona Centro-Sul da capital). Um dos manifestantes, emocionado, explicou qual o intuito da iniciativa.

    Alguns profissionais estão contando com a colaboração de amigos e da família
    Alguns profissionais estão contando com a colaboração de amigos e da família | Foto: Divulgação

    “Precisamos ter coragem para falar, como estamos tendo agora. Esta morrendo muita gente, pais de família, saímos do hospital para levarmos a doença para nossa casa. Estamos indignados com essa situação, dói no nosso coração. Já perdemos vários profissionais, vários guerreiros, eu posso ser o próximo. Já somos mal remunerados e ainda trabalhar sem equipamento arriscando nossa vida”, disse o profissional, emocionado. 

    Posicionamento da Secretaria de Saúde do Estado  

    O Governo do Amazonas informou que não há falta de EPIs. Todos os profissionais que estão nos setores de emergência, Sala Rosa, Politrauma e UTI estão recebendo máscara N95 e outros EPIs necessários, conforme protocolo de recebimento assinados pelo próprio. A secretaria afirmou que mesmo com a dificuldade de aquisição no mercado e o aumento no consumo, que quintuplicou desde o início da pandemia, não tem medido esforços para garantir o abastecimento das unidades da rede estadual na capital e no interior.

    Entre os dias 17 e 24 de abril, o HPS 28 de Agosto recebeu da Central de Medicamentos do Amazonas (Cema) cinco remessas de EPIs, com 143,1 mil itens, incluindo 18 mil máscaras cirúrgicas, 700 máscaras N95,   1 mil máscaras de proteção respiratória, 850  kits completos de EPIs produzidos pela UEA, entre outros equipamentos de proteção. A Secretaria Estadual de Saúde  tem orientado o uso racional e correto de EPIs, conforme recomendações da Anvisa e da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS) e, desde o início da pandemia, vem difundindo materiais educativos para serem trabalhados nos núcleos de vigilância das unidades.

    Os equipamentos são distribuídos aos profissionais de acordo com a situação, o ambiente e o tipo de procedimento realizado em suas unidades. Para o combate à Covid-19, o Governo do Estado fez aquisição de mais de 4 milhões de máscaras entre cirúrgicas e N95,  36 milhões de pares de luvas descartáveis, 400 mil aventais impermeáveis, 49.1 mil aventais cirúrgicos, 1,2 milhão de aventais descartáveis, 35 mil sapatilhas, 41 mil toucas, 1.115 óculos de proteção. Também recebeu várias remessas do Ministério da Saúde, incluindo 292 mil máscaras cirúrgicas e cerca de 415 mil pares de luvas descartáveis, entre outros itens.

    O Governo anunciou, ainda, que vem recebendo contribuição de diversas empresas parceiras e da Universidade do Estado do Amazonas (UEA),  que está produzindo EPIs para os hospitais da capital e interior.