Nível do Rio Negro


Cheia do rio Negro em 2020 será dentro da normalidade, aponta boletim

O segundo boletim divulgado na manhã nesta quinta-feira (30), pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM), revela que a cheia de 2020 continua dentro da normalidade

| Foto: Bruna Oliveira

Manaus - Na manhã desta quinta-feira (30) o Serviço Geológico do Brasil (CPRM) divulgou o segundo boletim de alerta de cheias para Manaus e os demais municípios no ano de 2020. A previsão permanece com o nível do rio Negro dentro da normalidade. 

Os boletins emitidos mensalmente demonstram o comportamento dos rios e deixam o alerta para os governantes se prepararem para o fenômeno anual. A primeira previsão era de que a cheia em 2020 atinja o nível de 27,95m a 28,65m. Neste segundo boletim, o nível cai 5cm e passa a ser de 27,90m a 28,60m, portanto, a cheia não será acima do esperado.

O mês de abril fecha com a marca de 26,72m do nível do rio Negro. Cerca de 19% das cheias históricas aconteceram no mês de junho e julho, por isso são emitidos alertas de cheias no final dos meses de março, abril, maio e junho. O monitoramento é feito por meio das estações fluviométricas, pluviométricas e telemétricas. O nível do rio é atualizado diariamente pelo engenheiro do Porto de Manaus Valderino Pereira, e monitorado pela Defesa Civil do Amazonas.

Chuvas na região

O último boletim foi emitido no dia 17 de abril
O último boletim foi emitido no dia 17 de abril | Foto: reprodução

A pesquisadora em Geociências Luna Gripp Simoes afirmou que, mediante monitoramento, no mês de janeiro de 2020 ocorreram chuvas acima do esperado para a bacia amazônica. Já no mês de fevereiro, o fenômeno foi contrário, choveu abaixo do esperado e consequentemente o rio parou de subir e ganhou estabilidade.

“Quando a gente percebe que o rio vai subir ou descer mais do que esperado, geramos informação de qualidade sobre esses alertas”, enfatizou a pesquisadora sobre a importância da emissão dos boletins mensais. 

Em março e abril, as chuvas foram equilibradas e o crescimento do rio estava considerado dentro da normalidade, considerando os demais anos de monitoramento. A pesquisadora afirmou ainda que os rios da bacia amazônica estão dentro do esperado para esta época do ano.

A previsão de chuva para os próximos três meses (maio, junho e julho) será com chuva dentro da normalidade. Portanto, a cheia não será acima do esperado e não trará drásticas consequências para os moradores dos municípios banhados pelos rios, como a cidade de Manaus que fica na margem esquerda do rio Negro. Para entender a dinâmica dos rios é preciso saber que Manaus é toda banhada pelo Rio Negro, que se une ao Rio Solimões, formando o Rio Amazonas. Quando o Solimões sobe e o Rio Negro também, consequentemente, acontece a cheia. 

O próximo alerta de cheia do rio será no dia 29 de maio. Os boletins são resultados de parcerias entre o Serviço Geológico do Brasil (CPRM), Agência Nacional das Águas (ANA) e Sistema de Proteção da Amazônia (SIPAM).

Enchente histórica

A cheia histórica foi no ano de 2012
A cheia histórica foi no ano de 2012 | Foto: reprodução

A maior enchente registrada foi em 2012, quando o nível do rio alcançou 29,97 metros, a cota mínima da vazante foi registrada em 2010 com 13,63 metros. A Defesa Civil trabalha de acordo com os alertas divulgados pelo CPRM. As regiões mais afetadas com a cheia são as do rio Madeira, do município de Manacapuru e o entorno de Manaus.

Em 2019, o Rio Negro desceu 11 metros e quem navegava pelas águas da região precisava de cuidado por conta dos perigos. O período da vazante encerrou no início de novembro. A cheia dos rios do Amazonas, no primeiro semestre de 2019, contabilizou prejuízos na pecuária e agricultura de R$ 65,9 milhões, de acordo com dados do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam).