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    Pandemia


    Grávida com Covid-19 tem atendimento negado e desmaia em UPA de manaus

    Mulher só foi atendida após passar mal em frente a unidade de saúde

    | Foto: divulgação

    Manaus - Uma mulher, que preferiu não se identificar, comentou que a irmã dela, uma grávida de 35 anos, teve atendimento negado em várias unidades de saúde de Manaus após passar mal com sintomas da Covid-19. A mulher só foi acolhida na Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) do Campos Salles após desmaiar em frente a unidade, segundo a família. Lá, ela foi diagnosticada com o novo coronavírus.

    A grávida de quatro meses estaria passando mal há mais de uma semana e sem conseguir atendimento. A irmã dela contou ao EM TEMPO que, até então, a mulher ainda estava com suspeita de covid-19, e por isso as unidades de saúde que visitou teriam negado atendimento. 

    "A minha irmã foi em pelo menos três maternidades e todas negaram atendimento e sem saber o que ela tinha. Disseram que ela devia procurar um SPA para passar por um clínico. No dia seguinte, ela foi em uma UBS e o médico disse que ela estava com princípio de pneumonia. Ele encaminhou a para o Platão Araújo, mas quando fomos ao hospital, não tinha médico e ela teve que ir para casa", conta a irmã.

    Ela diz que a família está desesperada com medo que algo aconteça com a mulher, mas também com a criança, já que sequer puderam fazer um ultrassom para verificar o bebê.

    "No mesmo dia que voltamos do Platão Araújo, a minha irmã e nós, os familiares, juntamos um dinheiro e levamos ela às pressas à Samel. Lá ela já foi direta para o oxigênio, estava muito mal. Deram assistência e o médico passou a receita e voltou para casa", diz a irmã. 

    Segundo ela, levaram a grávida para casa, mas a mulher piorou e precisou ir às pressas para o UPA do Campos Salles. Lá, o atendimento teria sido negado pelo fato da paciente estar grávida.

    "Ela começou a passar mal e desmaiou em frente ao UPA. Minha família precisou fazer um escândalo para ela ser atendida. E assim foi. Fizeram o teste e deu positivo para coronavírus. Finalmente depois de toda essa luta, disseram que iam deixar ela internada lá", diz a mulher.

    A irmã comenta ter passado por momentos de desespero. Segundo ela, outras pessoas estavam em situação parecida. "Isso precisa ser mostrado. É essa a verdade. E com certeza outras pessoas estão passando pelo mesmo", finaliza a mulher.

    Posicionamento do governo

    Em nota enviada ao EM TEMPO nesta quarta-feira (6), a Secretaria de Comunicação do Estado do Amazonas informou que a grávida está internada no Hospital no Hospital Delphina Aziz, onde está recebendo assistência médica, com o quadro de saúde estável, aguardando transferência para uma maternidade onde fará a avaliação obstétrica. 

     Em relação aos atendimentos nas demais unidades citadas, a Secretaria de Estado de Saúde (Susam) informa que está apurando se houve falha no fluxo de atendimento da referida paciente. 

    A Susam reforça que estabeleceu no Plano de Contingência Estadual de enfrentamento ao Covid-19  o seguinte fluxo de atendimento a gestantes com sintomas do novo coronavírus:

    Sintomas leves – As gestantes que apresentam sintomas leves de Covid-19 podem procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) onde realizam o pré-natal ou a UBS mais próxima de sua residência. Lá ela receberá atendimento médico, encaminhando para isolamento domiciliar ou atendimento de maior complexidade, conforme cada caso, de acordo com a clínica apresentada

    Outra alternativa para os sintomas leves é o aplicativo Sasi. O canal de atendimento a população também está pronto para atendimento da gestante com sinais de Covid-19. Por meio do App um profissional médico fará o atendimento virtual, caso a gestante apresente os sintomas. Para ter acesso, basta baixar o aplicativo no celular, utilizar o código “JUNTO” e fazer um breve cadastro, ao utilizar o aplicativo a gestante poderá responder um pequeno questionário que fará a triagem para o atendimento virtual. 

    Moderados a graves - Pacientes com sintomas moderados a graves, em que há desconforto respiratório, poderão procurar uma das 7 maternidades estaduais e 1 maternidade municipal, unidades porta aberta com serviço de obstetrícia 24h. Todas as maternidades implantaram o fluxo de código rosa, com seguimento da paciente sintomática de forma individualizada, conduzindo a clínica de acordo com a necessidade da paciente, podendo ser internada para acompanhamento clínico ou parto, ou ainda, avaliada e conduzida para isolamento domiciliar.

    Os atendimentos de casos moderados a grave também são realizados nas 15 unidades de urgência e emergência - 09 SPAS, 02 UPAS e 04 prontos-socorros. Na unidade a paciente recebe atendimento, e de acordo com clínica médica pode ser conduzida para isolamento domiciliar ou referenciada para a rede materna de alta complexidade, seguindo o fluxo de transferência para uma das oito maternidades da capital, via Sistema de Regulação inter-hospitalar.