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    Sepultamento


    Corpo de idosa ensacado dentro de caixão revolta família em Manaus

    Odete Fernandes, de 83 anos, morreu vítima de câncer no figado, mas conforme a família, a funerária não verificou a declaração de óbito e adotou procedimentos como se a idosa fosse mais uma vítima do novo coronavírus

    Sepultamento aconteceu no cemitério Cemitério Nossa Senhora Aparecida, no bairro Tarumã
    Sepultamento aconteceu no cemitério Cemitério Nossa Senhora Aparecida, no bairro Tarumã | Foto: Divulgação

    Manaus - "Não tiveram dignidade, ensacaram o corpo da minha mãe como se fosse lixo".  Esse é o relato de revolta da tenente da Polícia Militar Maria do Carmo, que teve a mãe, a idosa Odete Fernandes, de 83 anos, sepultada  na tarde desta segunda-feira (4), no cemitério Cemitério Nossa Senhora Aparecida, no bairro Tarumã, Zona Oeste.

    A aposentada morreu, no último domingo (3), na Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon), vítima de câncer no figado, mas não teve o corpo devidamente preparado pela funerária contratada. Segundo a filha, o serviço foi oferecido por meio de um convenio com a Associação de Cabos e Soldados da Polícia do Amazonas.

    A tenente explicou que, durante o trabalho dos agentes funerários, a família foi impedida de trocar a roupa da idosa. O cadáver foi colocado no caixão ainda com o saco de remoção da unidade de saúde e com os membros enrolados com ataduras. E, apesar do laudo do FCecon ter apontado a causa da morte como neoplasia hepática avançada, os procedimentos adotados pela funerária foi como se a idosa fosse vítima do novo coronavírus. 

    "Os agentes relataram que haviam muitos enterros, não respeitaram a declaração de óbito e colocaram na guia de sepultamento que minha mãe havia morrido de causa indeterminada. Simplesmente enveloparam todo o caixão e o levaram para o cemitério", relatou a tenente. 

    Revoltada, a policial fez um vídeo durante o sepultamento  da idosa. "Essa é a situação no Amazonas, minha mãe morreu de câncer, não foi Covid. Com um 1,43 de altura, ela foi colocada em um caixão de 1,70, sem ter o direito de ser vestida, porque simplesmente, não acataram o laudo médico e disseram que foi causa indeterminada. Ensacaram o caixão como se fosse Covid e deixaram o corpo dela dentro de um saco como se fosse lixo", desabafou o a filha da idosa na gravação. 

    Veja o vídeo

    Revolta e desabafo da filha durante o sepultamento | Autor: Divulgação
     

    No cemitério a família chegou a tirar todo lacre do caixão para mostrar as condições que a idosa havia sido colocada na urna. Apesar do constrangimento vivido, os parentes tiveram que enterrar a aposentada na mesma circunstância, em uma sepultura da família. A filha ressaltou à reportagem que pretende formalizar denúncia contra a empresa. 

    A empresa 

    Procurada pela reportagem um dos representantes da empresa funerária explicou que a equipe não teve acesso ao lado médico e que recebeu orientações de um dos funcionário da associação da polícia que era para realizar apenas o sepultamento, pois havia suspeita de coronavírus. 

    " A Idosa morreu por volta das 19h de domingo, somente às 7h de segunda-feira que fomos procurados. Nos repassaram que era apenas para fazermos o sepultamento, pois existia a suspeita de Covid-19. Tenho as conversas que me respaldam. Adotamos todos os procedimentos cabíveis nesse tipo de caso. Os necrotérios dos hospitais oferecem muitos riscos, nesse período de pandemia. Não são adequados para preparos de corpos, como a troca de roupas. Esse serviço é feito na sede da funerária, mas nenhum familiar nos orientou", explicou Francimar Miranda. 

    Sindicato 

    O presidente do Sindicato das Empresas Funerárias do Amazonas, Manuel Viana, informou que entidade se solidariza com a família da idosa, entretanto, não aceita a maneria que a categoria foi exposta no vídeo divulgado em redes sociais. 

    "Respeitamos a dor dos familiares, mas não concordo com a forma que toda a categoria foi atacada. Acreditamos que existem profissionais que não atuam conforme o ofício, mas não vivemos pelos valores que recebemos, se alguém que não se achar capaz de executar o trabalho com excelência, que desista profissão. Se houve falhas, que sejam devidamente apuradas", ressaltou Viana. 

    Prefeitura

    Por meio de nota, a Prefeitura de Manaus esclareceu que o atestado de óbito é emitido pela unidade hospitalar e não cabe ao serviço funerário qualquer registro ou mudança no documento.

    "Sobre o vídeo divulgado nas redes sociais nesta segunda-feira (4), pela tenente Do Carmo, o município informa ainda que, conforme protocolo dos órgãos sanitários, mortes por síndromes respiratórias e causas desconhecidas ou indeterminadas seguem o mesmo procedimento para casos suspeitos de Covid-19, a fim de evitar o risco de contaminação, uma vez que já houve situação em que a confirmação da doença só veio após o sepultamento. Vale destacar que o atendimento nos cemitérios públicos da capital se baseia na causa mortis registrada no atestado de óbito", finalizou a assessoria da Prefeitura.