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    Coronavírus


    Procura por inaladores cresce em farmácias de Manaus durante pandemia

    Apesar da alta procura, especialistas alertam para os perigos do uso em pessoas com suspeita de coronavírus

    | Foto: Andreza Miller

    Manaus - O tempo seco, dentro e fora de casa, tem levado os pais às farmácias em busca de itens que possam aliviar a secura nas narinas, principalmente de bebês e crianças: as maiores vítimas da baixa umidade. Dos remédios aos inaladores e vaporizadores, as farmácias de Manaus já contabilizam um aumento considerável na venda de uma semana para outra.

    A reportagem do Portal EM TEMPO percorreu cinco farmácias de Manaus e, em todas, segundo os atendentes, o aparelho está sendo procurados com muita frequência. A demanda cresceu 25,6% em relação a janeiro que era 9,10%.

    Na Pague Menos, localizada no bairro São José, Zona Leste, o inalador está custando R$ 134,99 e na Drogarias Santo Remédio o valor o aparelho sai pelo preço de R$ 125,00.  

    Em uma unidade da Santo Remédio, localizada na Avenida Cosme Ferreira, no bairro Coroado, também Zona Leste, a farmacêutica Rosana Pereira disse que, em um mês, vendeu mais de 16 aparelhos de inalação ou nebulização. Antes da pandemia, o número de venda era de 8 inaladores por mês. 

    Não recomendada em casos de Covid-19

    Entretanto, a inalação, muito eficiente no tratamento de problemas respiratórios crônicos e agudos, como bronquite e rinite alérgica, não é recomendada pelos médicos no caso de pessoas infectadas ou com suspeita do novo coronavírus. Embora esses pacientes também apresentem dificuldades respiratórias, o recurso pouco ajuda, além de representar um risco para outras pessoas que dividem o mesmo ambiente.

    Os médicos não recomendam o uso de inaladores, para casos de Covid-19
    Os médicos não recomendam o uso de inaladores, para casos de Covid-19 | Foto: Divulgação

    Os inaladores e vaporizadores de ambiente tiveram grande procura nas farmácias e drogarias. Podendo ser usados tanto no inverno quanto no verão, os inaladores ajudam a umidificar o ambiente. “A temperatura tem ficado muito quente e, sem chuva, fica realmente difícil de respirar. Mas, se a pessoa utiliza os aparelhos corretamente, a casa fica mais agradável. Até o soro em spray ajuda a aliviar a respiração em dias muito quentes e secos”, comenta a farmacêutica, Geovana Coelho Lourenço.

    Acontece que ao fazer  inalação ou nebulização, a pessoa elimina mais partículas contaminadas com o vírus que dispersam pelo local.

    “Em ambiente hospitalar, não se tem usado inalação e nebulização, justamente por segurança. É pouco efetiva comparada a outras possibilidades como bombinha, que não dispersa o vírus no ar ao redor”, explicou a pneumologista, Joycenea da Silva

    A médica ainda explica que a inalação é mais eficiente em casos de tosses com catarro, o que não é o caso da tosse seca apresentada por pacientes com a Covid-19.

    Medicamentos 

    Os números apontam também crescimento no consumo da vitamina C, dipirona, antigripais ou colecalciferol e da hidroxicloroquina sulfato, a qual foi atribuída a capacidade de curar a Covid-19. Na Drogaria Pague Menos, localizada no São José, a caixa de vitamina C está custando R$ 10,99 e a dipirona em gota R$1,50.

    Vitamina C tem uma grande procura nas farmácias de Manaus
    Vitamina C tem uma grande procura nas farmácias de Manaus | Foto: Andreza Miller

    As farmácias Santo Remédio, FarmaBem e Pague Menos, em Manaus, foram as três que registraram aumento nas vendas desses produtos. Houve aumento de mais de 40% na procura por vitamina C neste último mês de abril. 

    Foram pesquisados, ainda, os medicamentos isentos de prescrição que podem ser indicados para amenizar os sintomas leves. No caso do anti-inflamatório Ibuprofeno, as vendas caíram, provavelmente porque o medicamento, por um breve período, foi relacionado ao agravamento de casos da doença. 

    Os conselhos de Farmácia alertam que todos os medicamentos oferecem riscos. Mesmo os isentos de prescrição podem causar danos, especialmente se forem usados sem indicação ou orientação profissional. Dependendo da dose, o paracetamol pode causar hepatite tóxica. A dipirona oferece risco de choque anafilático e o ibuprofeno é relacionado a tonturas e visão turva. Já o uso prolongado da vitamina C pode provocar diarreias, cólicas, dor abdominal e dor  de cabeça. Além disso, o cálcio pode depositar-se nos rins e até causar lesões permanentes.

    Uso da cloroquina contra o coronavírus é alvo de estudos e testes
    Uso da cloroquina contra o coronavírus é alvo de estudos e testes | Foto: Andreza Miller

    O uso da cloroquina é alvo de estudos. Apesar de evidências positivas, não há resultados conclusivos e médicos alertam para os efeitos colaterais, como a arritmia cardíaca. A Organização Mundial da Saúde (OMS) diz que nenhum medicamento, até agora, se mostrou seguro e eficaz contra a Covid-19. No Brasil, o Ministério da Saúde divulgou protocolo que indica o uso da cloroquina para pacientes graves e moderados..

    Balanço de Covid-19 no AM 

    O Amazonas atingiu 8.109 casos do novo coronavírus (Covid-19), na terça-feira (5). Segundo boletim epidemiológico da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM), foram 559 novos casos na segunda-feira (4) e 867 na terça. Em uma semana, os casos confirmados do novo coronavírus do estado aumentaram 58,2%..

    Há ainda outros 979 pacientes internados considerados suspeitos e que aguardam a confirmação do diagnóstico. Desses, 735 estão em leitos clínicos (201 na rede privada e 534 na rede pública) e 244 estão em UTI (109 na rede privada e 135 na rede pública).