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    Opinião


    Coronavírus: desafios amazonenses no curto e médio prazo

    Artigo do ensaísta Davi Lago desta semana

    Este conjunto de ações demonstra a importância do Amazonas no cenário internacional | Foto: Divulgação

    Depois da ligação do Papa Francisco ao Arcebispo de Manaus, Dom Steiner, seguiu-se imensa mobilização internacional nos últimos dias em torno do colapso dos sistemas de saúde no Amazonas na atual pandemia. Na segunda-feira (2) o próprio prefeito Arthur Virgílio Neto pediu socorro à ativista ambiental sueca Greta Thunberg por suas redes sociais.

    “Por tudo o que o estado do Amazonas faz pelo mundo em relação ao meio ambiente, humildemente solicito à ativista ambiental Greta Thunberg toda a sua influência, a fim de ajudar a combater o coronavírus”. No último domingo (3), foi o multipremiado fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado quem conduziu uma iniciativa de apoio às comunidades indígenas da Amazônia diante do Covid-19.

    A ação reuniu personalidades como Mario Vargas-Llosa, Paul McCartney e Meryl Streep que assinaram um manifesto que pede às autoridades brasileiras a proteção dos povos indígenas. O texto afirma: “esses povos são parte da extraordinária história de nossa espécie. Seu desaparecimento seria uma grande tragédia para o Brasil e uma imensa perda para a humanidade. Não há tempo a perder”. Salgado destaca que a pré-história da humanidade está dentro da floresta amazônica, nestes grupos isolados, com conhecimentos preservados há milênios: “é a origem de todos nós, sem exceção”.

    Este conjunto de ações demonstra a importância do Amazonas no cenário internacional. Contudo, é necessária uma articulação consistente, que resulte em ações concretas em favor do povo amazonense. O Amazonas já está em evidência global, definitivamente o desafio não é de marketing.

    O desafio, no curto e no médio prazo, é um desafio de projeto, de gestão. Não existe passe de mágica. O economista Milton Friedman disse certa vez: “Se o governo administrar o Saara, em cinco anos faltará areia”. Desse modo, no curto prazo, é necessário rearticular os esforços no enfrentamento à pandemia.

    A população aguarda uma ação efetiva do governo federal após a visita oficial do Ministro da Saúde Nelson Teich. Vale destacar que o governo enviou 581 profissionais de saúde para o Amazonas domingo e realizou um treinamento de 260 profissionais da saúde contratados pelo programa “Brasil Conte Comigo” na segunda-feira. Diante do avanço feroz do coronavírus, espera-se agilidade na estratégia: o boletim epidemiológico desta terça (4) aponta 8.109 infectados, 649 mortos.

    No médio prazo, o povo amazonense precisa ampliar a fiscalização dos governantes e estruturar programas de governo claros, arejados, renovados. Abordaremos ideias neste sentido nas próximas colunas. De todo modo, algo já está claro à esta altura dos acontecimentos: os amazonenses, sobretudo os mais carentes, estão pagando um preço muito alto por anos e anos de gestões desorientadas e práticas de corrupção arraigadas. Isto tem que mudar.