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    Saneamento básico


    AM possui 26,64% de esgoto despejado na rua ou na natureza, diz IBGE

    De acordo com a pesquisa do IBGE, o Amazonas ainda padece com a falta de saneamento básico, item de direito do cidadão.

    Manaus ainda sofre com a falta de esgoto
    Manaus ainda sofre com a falta de esgoto | Foto: Arquivo Em Tempo

    Manaus – A região Norte é a mais crítica quando o assunto é saneamento básico. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua 2019 (Pnad) realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) confirmou nesta quarta-feira (6) que a região conta com 29,6% dos domicílios que não possuem rede de esgoto e despejam os dejetos na natureza ou na rua. A conta chega a ser de 1,6 milhão de lares na região norte sem o serviço essencial.  

    O Amazonas contabilizava em 2018 cerca de 1.092 (mil unidades) e em 2019 o número chegou a 1.100. Manaus tinha em 2018, a quantidade de 670 (mil unidades) e em 2019 contabilizou a marca de 755. O percentual médio é de 1,2%. Em 2018, das 1.092 mil unidades mencionadas na pesquisa cerca de 569 possuem fossa séptica não ligada à rede ou possuem fossa rudimentar na residência. A maioria são contabilizadas em bairros considerados invasões.

    Em 2019, de 1.100 o número de fossas do Amazonas chega a 293, percentual menor ao comparado no ano anterior. Em 2018, o Brasil contava com 71.015 (mil unidades) de domicílios com banheiro, sanitário ou buracos para dejeções, em 2019 chegou a ser 72.395. Ao todo são 9 milhões de brasileiros. 

    Com relação a rede de esgoto e coleta de lixo, a região Norte teve um crescimento que passou de 21,8% para 27,4%, mas a taxa ainda é baixa e fora do padrão, considerando as demais regiões do Brasil.

    A pesquisa foi divulgada nesta quarta-feira (6)
    A pesquisa foi divulgada nesta quarta-feira (6) | Foto: Arquivo Em Tempo

    Igarapés de Manaus

    O trato com os igarapés da cidade faz o resultado desta pesquisa ser atual. Moradores que constroem casas próximas dos locais despejam o esgoto nas águas que cortam a cidade e consequentemente há igarapés poluídos e sem condições de serem usados como balneários, atividade muito comum nas décadas de 70 e 80.

    Um líder comunitário do bairro Tarumã, Zona Oeste de Manaus, fez um apelo no mês de fevereiro com relação à Lagoa do Parque São Pedro. "Infelizmente, o lago recebe dejetos de algumas empresas e residências. A comunidade já fez a parte dela, limpou todo o espelho d'água e recuperou as cinco nascentes que existem nessa região. Precisamos que coloquem cercas, para termos um controle no acesso de pessoas", disse o morador da comunidade.

    Em janeiro deste ano um carro limpa-fossa foi flagrado despejando dejetos num trecho do igarapé da Redenção, afluente do igarapé do Gigante, no conjunto Jardim Versalles, bairro Redenção, zona Centro-oeste. O veículo limpa-fossas estava estacionado próximo à margem do igarapé, realizando o descarte. O flagrante foi feito no dia anterior, quando moradores do conjunto passaram pelo local e filmaram a irregularidade. A empresa, com sede na avenida das Torres, foi autuada em 250 Unidades Fiscais do Município (UFMs), o equivalente a aproximadamente R$ 26 mil, por ausência de licença municipal, e teve as atividades interditadas.

    O artista plástico e biólogo Emerson Munduruku enfatiza a falta de saneamento básico como um dos problemas enfrentados no Amazonas. “Todo mundo aí de fora imagina as cidades da Amazônia com água limpa. A verdade é que o Norte do Brasil tem os piores índices de saneamento e Manaus”, disse. 

    Água nas torneiras

    Na região Norte ainda há 21,3% dos domicílios tinham abastecimento de água por meio de poço profundo ou artesiano e 13,4% recorriam ao poço raso, freático ou cacimba. Mesmo entre aqueles que têm acesso à água encanada, nem todos têm água na torneira todos os dias. Em 88,5% dos lares com acesso à rede geral, a disponibilidade de água é diária. Mas há locais em que ela chega apenas uma vez na semana, diz a pesquisa.