Saúde


Samu tem aproximadamente 13 médicos infectados por Covid-19

Motoristas de ambulâncias precisam fazer ronda pela cidade em busca de hospitais que não estejam lotados ou que possam receber o paciente em um tempo menor

No último mês, o Samu recebeu mais de mil chamados relacionados a pacientes sintomáticos e infectados | Foto: Divulgação/ Semcom

Manaus - Com o avanço da pandemia ocasionada pela Covid-19 no  Amazonas, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu192) tem recebido diversos chamados diariamente para atender pacientes com sintomas do novo coronavírus e com a alta demanda muitos profissionais de saúde do serviço foram infectados pelo vírus e precisaram ser afastados das atividades. 

As informações foram concedias ao Em Tempo pelo diretor do Samu, Ruy Abrahim, que apesar de não ter um número exato de funcionários que testaram positivo para a Covid-19, informou que atualmente há mais de 100 funcionários afastados, tanto pelo vírus como por outras patologias. Além dos profissionais infectados, o órgão também comunicou que 13 médicos estão infectados e dois profissionais vieram a óbito nas últimas semanas. 

“Os profissionais que vieram a óbito já estavam afastados das atividades por terem problemas de saúde e não estarem saudáveis para continuarem na rotina de trabalho, assim como os médicos que estão infectados e os demais profissionais. Atualmente já temos até mesmo profissionais que foram infectados, se recuperaram e já estão retomando o trabalho”, explicou o diretor. 

Ainda de acordo com Ruy, todos os infectados permanecem em estado de saúde estável e se recuperando a cada dia. Em relação aos óbitos o diretor destacou que os profissionais tinham comorbidades. 

Apesar dos casos registrados, os profissionais do órgão trabalham com todos os Equipamentos de Proteção Individual (EPI’s) para evitar contaminação. 

Atendimento

O serviço de atendimento tem recebido 1.500 chamados por dia relacionado ao Covid-19
O serviço de atendimento tem recebido 1.500 chamados por dia relacionado ao Covid-19 | Foto: Marcio James / Semcom

No último mês, o Samu recebeu mais de mil chamados relacionados a pacientes sintomáticos e infectados. O serviço de atendimento tem realizados mais de 100 atendimentos relacionados a doença por dia. Ainda segundo o diretor do órgão, o serviço tem trabalhado com um efetivo de 900 profissionais da saúde divididos em jornadas de trabalho de 12 horas. O órgão conta ainda com 25 ambulâncias de suporte básico e oito de suporte avançado. E apesar dos casos registrados, os profissionais do órgão trabalham com todos os Equipamentos de Segurança Individual (EPEI’s). 

Os profissionais trabalham com EPI's para evitar o contágio do vírus
Os profissionais trabalham com EPI's para evitar o contágio do vírus | Foto: Marcio James / Semcom

Durante o período de pandemia, o sistema tem enfrentado dificuldade em deixar os pacientes nas unidades de saúde devido a superlotação. 

“Os hospitais estão lotados, não tem leito disponível para os pacientes que estão na ambulância, por isso, diariamente temos que ficar parados na frente da unidade hospitalar esperando que o paciente dê entrada no hospital, pois ele não pode ficar internado na ambulância. Em todos os casos a situação é resolvida, mas isso leva aproximadamente quatro horas de espera. Para fazer com que o atendimento seja mais rápido temos deixado os cilindros de oxigênio, que pertencem aos veículos, nas unidades para que o paciente seja atendido", explicou Abrahim.

Ruy informou ainda que devido a situação as ambulâncias precisam fazer ronda pela cidade em busca de hospitais que não estejam lotados ou que possam receber o paciente em um tempo menor. 

“Já aconteceu de ter quatro ambulâncias rodando a cidade em busca de hospitais para deixar o paciente. E quando a ambulância recebe os pacientes infectados ou com suspeita do vírus é preciso retornar a base para que os profissionais e os automóveis passem por um processo de descontaminação, esse processo dura uma hora e meia", revela.

Devido à dificuldade, o tempo de espera pelo serviço passou a ser de duas horas. Antes da pandemia a espera variava entre 15 a 20 minutos. Além dos chamados relacionados ao vírus, o serviço continua atendendo a chamados de acidentes ou sinistros que acontecem na capital amazonense.

Com a alta demanda nos hospitais o tempo de espera pela Samu pode chegar a duas horas
Com a alta demanda nos hospitais o tempo de espera pela Samu pode chegar a duas horas | Foto: Marcio James / Semcom