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    Dia das Mães


    Dia das Mães: filhos driblam distância para comemorar data

    Filhas revelam que irão passar a data comemorativa longe das mães, respeitando o isolamento, mas com muitas saudades

    Manaus – O Dia das Mães é uma das datas comemorativas mais importantes no Brasil e muitos filhos e filhas optam por estar ao lado de suas mães no segundo domingo de maio. Contudo, com a pandemia ocasionada pelo novo coronavírus, muitos não poderão comemorar a data juntos. Filhas relatam um pouco mais sobre a experiência e como tudo será diferente dessa vez.

    Giovanna Alencar, 41 anos, mantém contato próximo com a irmã, Giordanna, e com a mãe, Nilde. Segundo ela, antes da pandemia da Covid-19, sua família mantinha uma tradição: se encontrar e almoçar juntos todos os domingos. “Aos fins de semana, minha mãe ia para a casa da minha irmã para dormir lá e almoçar conosco no domingo. Reuníamos nós três, meus filhos e meu marido. Com a pandemia, tudo mudou”, conta.

    Ela revela que, nesse momento, todos estão ficando em suas respectivas casas e só estão se falando por telefone. “Eu sei que minha mãe está com saudade dos netos, ela é muito apegada a eles e meus filhos também gostam muito de passar tempo com ela. No entanto, sabemos que é preciso manter o isolamento, então, não pretendemos nos encontrar nesse dia das mães”, salienta.

    Dona Nilde com os netos, filhos de Giovanna
    Dona Nilde com os netos, filhos de Giovanna | Foto: Divulgação

    Giovanna confessa que a irmã, mesmo sendo enfermeira, até tentou convencer os familiares a se encontrar, no entanto, optaram por manter a segurança de todos. De acordo com ela, a mãe é uma mulher muito saudável, porém continua no grupo de risco pela idade e a família não quer colocá-la em perigo.

    “Estou combinando com a minha irmã para encomendar uma cesta de café da manhã e mandar entregar na casa da nossa mãe. Talvez a gente também faça um vídeo chamada para matar a saudade. Sabemos que não vai ser fácil, mas é necessário”, diz Giovanna.

    Distância geográfica

    Nericlea Nogueira, 49 anos, mora em Manaus desde os 24 anos e nunca mais teve a oportunidade de passar a data comemorativa ao lado de sua mãe Maria, 72 anos, que vive em Santarém. “Nunca mais consegui passar o Dia das Mães ao lado dela desde que me mudei para Manaus, contudo, quando eu tinha férias ou alguma folga prolongada, sempre ia visitá-la no final do ano”, explica.

    Nericlea e a mãe Maria quando viajaram juntas há alguns anos atrás
    Nericlea e a mãe Maria quando viajaram juntas há alguns anos atrás | Foto: Divulgação

    Ela ressalta que, mesmo sem estar ao lado da mãe no segundo domingo de maio, sempre lembra de manter contato e ligar. “Quando eu estava trabalhando, sempre mandava algum dinheiro para ela comprar uma lembrança. Esse ano vou ficar só na ligação e nas orações, pois as condições financeiras estão cada vez mais complicadas. Mesmo que quisesse vê-la, a pandemia dificultou para todo mundo”, revela.

    Amor em dose dupla

    Ketleen Oliveira, 29 anos, conta que considera ter duas mães e que será muito difícil passar a data longe de ambas. “Eu fui morar com a minha vó Dalva com apenas cinco anos de idade. Desde então, o Dia das Mães sempre foi ao lado dela e não da minha mãe mesmo, dona Eliana. Estava muito preocupada com ambas por conta do coronavírus, mas agora elas estão juntas em Nova Olinda e poderei ligar para vê-las”, destaca.

    Ketleen com a mãe Eliana e a avó Dalva em sua formatura
    Ketleen com a mãe Eliana e a avó Dalva em sua formatura | Foto: Divulgação

    Ela está em Manaus há quatro anos e revela que, com a distância, pretende ligar para falar com a mãe e a avó e que, assim que puder, irá comprar presentes e enviar para a cidade em que estão no momento. Ketleen torce para que ambas fiquem bem, principalmente sua avó, que está no grupo de risco.

    Curiosidade

    De acordo com o professor de história, Daniel Neves, o Dia das Mães, enquanto data comemorativa, surgiu na primeira década do século XX, sendo criado por Anna Jarvis, cujo intento era homenagear a sua mãe, Ann Jarvis, conhecida por realizar trabalho social com outras mães, sobretudo no período da Guerra Civil Americana.

    Ann Jarvis (esquerda) e sua filha Anna Marie Jarvis (direita)
    Ann Jarvis (esquerda) e sua filha Anna Marie Jarvis (direita) | Foto: Reprodução/Internet

    Ann Jarvis dedicou sua vida ao ativismo social. Ela o iniciou promovendo ações que possibilitaram a melhoria das condições sanitárias de sua comunidade. Lá, criou o Mother’s Day Work Clubs, uma instituição voltada para melhorar as condições sanitárias de algumas cidades na Virgínia Ocidental. Nesse trabalho, Ann Jarvis dava assistência às famílias que necessitavam de ajuda, e orientava-as para que elas tivessem boas condições sanitárias, de forma a evitar doenças.

    Com falecimento de Ann Jarvis, em 9 de maio de 1905, a filha decidiu criar uma data comemorativa para homenagear a mãe. O trabalho de Anna Jarvis fez com que um memorial em homenagem a ela fosse realizado em maio de 1908 — considerado o primeiro Dia das Mães.

    A data somente foi oficializada no Brasil na década de 1930, quando o presidente Getúlio Vargas emitiu o Decreto nº 21.366, em 5 de maio de 1932. Por meio desse documento, determinou-se o segundo domingo de maio como momento para comemorar os “sentimentos e virtudes” do amor materno.