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    Pandemia


    As dificuldades enfrentadas pelos profissionais da saúde no interior

    "Perdi meu primeiro paciente para a Covid-19 essa semana, foi o momento mais difícil", disse a médica que atua durante a pandemia no interior do Amazonas

    Além da distância das cidades do interior para a capital, há problemas com a comunicação de telefonia e internet
    Além da distância das cidades do interior para a capital, há problemas com a comunicação de telefonia e internet | Foto: Agência Brasil/Internet

    Manaus- A Covid-19 chegou de maneira rápida no interior do

    Amazonas. Dos 10.727 casos confirmados no Amazonas até esta sexta-feira (08),

    6.034 são de Manaus (56,25%) e 4.693 do interior do Estado (43,75%). Além do

    combate ao coronavírus, os profissionais da saúde precisam gerenciar o medo, a falta de comunicação e a distância

    de alguns municípios da capital. O que algumas vezes atrapalha na realização de

    um trabalho com êxito. Mesmo com o uso das tecnologias, a realidade no interior

    é diferente, afinal, há dias que a rede de comunicação não funciona.   

    Se na capital amazonense os problemas são rotineiros com o

    serviço de internet e telefonia, nas localidades mais distantes é ainda pior. Em Fonte

    Boa, por exemplo, é comum esses serviços falharem dificultando o serviço no

    interior. A cidade que fica a 677 quilômetros de Manaus, já ficou cerca de uma

    semana sem serviço de telefonia. O enfermeiro André Gonçalves que trabalha no

    hospital referência da cidade contou ao EM TEMPO sobre essas dificuldades.

    “Todos estamos com medo de sair de casa e ser contaminados

    pelo coronavírus. Eu trabalho há cinco anos na área da saúde e uma das

    dificuldades que enfrentamos é a falta de internet e rede telefônica. Logo

    quando começou precisávamos fazer os treinamentos virtuais para melhor atender

    as pessoas mas os cursos as vezes travavam. Não conseguíamos a informação

    necessária. Mesmo assim nunca desistimos e seguimos trabalhando e

    enfrentando esse vírus”, relatou André.

    Profissionais passam horas com o equipamento de proteção e relatam cansaço
    Profissionais passam horas com o equipamento de proteção e relatam cansaço | Foto: Agência Brasil

    Segundo o relatório epidemiológico desta sexta-feira (8), emitido

    pela Fundação de Vigilância em Saúde (FVS), Fonte Boa apresentou 28 casos de

    pessoas com a Covid-19 e nenhum óbito até o momento.

     “Estamos fazendo

    nossa parte como profissionais. Já foi aberto um edital convocando pessoas para

    trabalhar na área da saúde, poucos fizeram a inscrição. Seguimos com medo e com

    fé que dias melhorem cheguem”, contou o enfermeiro.

    Situação em Parintins

    Na cidade de Parintins, a circunstância não é muito

    diferente. Mesmo sendo conhecida como a cidade do Folclore  e do Boi-Bumbá, Parintins

    que é situada a 369 quilômetros de distância de Manaus, também enfrenta

    problemas. A médica Raysa Paulain que atua no município e Parintins há alguns

    anos, explicou o que mudou com a chegada do coronavírus no município.

     Médica há sete anos pela universidade do Estado do Amazonas ,Raysa Paulain está se especializando em  Pediatria Preceptoria do SUS pelo Hospital Sírio Libanês
    Médica há sete anos pela universidade do Estado do Amazonas ,Raysa Paulain está se especializando em Pediatria Preceptoria do SUS pelo Hospital Sírio Libanês | Foto: Divulgação

    “A rotina profissional foi claramente modificada, antes

    médica da atenção básica, com poucos plantões mensais, agora alterados para

    plantonista em tempo integral no hospital referência do município.  Uma das mudanças principais além da carga

    horária foi a proteção. Somos  16 médicos

    à frente das duas unidades hospitalares, no entanto devido à grande demanda, se

    algum médico se contaminar desfalcamos a equipe. Sem contar a dificuldade que é

    utilizar toda o Equipamento de Proteção Individual (EPI) e o medo constante em

    contaminar a família”, disse a médica.

    Parintins que é situada a 369 quilômetros de distância de Manaus também enfrenta problemas
    Parintins que é situada a 369 quilômetros de distância de Manaus também enfrenta problemas | Foto: Reprodução TV Em Tempo

    Raysa é casada e tem um filho de quatro anos. Natural do Pará,

    a médica afirma amar o Amazonas, seu povo e o boi Garantido. No entanto, ela

    segue preocupada com o crescimento da doença, pois Parintins está em segundo

    lugar no relatório da FVS, com o número de 354 casos confirmados e 25 mortes.

    Segundo Raysa, o município criou um plano de contingência de enfrentamento para a Covid-19, dois meses antes de chegar a doença na região, no entanto, a

    população ainda não compreendeu os impactos de uma pandemia.

    “Perdi essa semana meu primeiro paciente de Covid. Sem

    dúvidas, foi o momento mais difícil de toda pandemia. Atestar um óbito de uma

    mãe em semana do dia das mães foi lacerante. E ouvir do filho: ‘porque ela não

    esperou o dia das mães, Dra ?’. Foi desesperador. Tive que ficar umas horas

    distante de tudo para me recuperar e seguir o plantão. A grande dificuldade

    está em conscientizar a população de que os assintomáticos respiratórios

    transmitem a doença e isso leva ao aumento exponencial dos doentes”, explicou.

    Boletim Epidemiológico

    Confirmados nesta sexta (8) 628 novos casos no Amazonas, totalizando 4.693 do interior do estado (43,75%). São 54 municípios atingidos

    pela Covid-19, entre eles 35 já registraram óbitos contabilizando 270.

    Dos municípios que registraram mortes são: Manacapuru (46);

    Coari (27); Parintins (25); Tabatinga (22); Itacoatiara (21); Maués (17);

    Autazes (16); Tefé (15); Iranduba (14); Presidente Figueiredo (7); Benjamin

    Constant (7); Santo Antônio do Içá (5); Careiro Castanho (5); Tonantins (5);

    São Gabriel da Cachoeira (4); São Paulo de Olivença (3); Beruri (3); Novo Airão

    (3); Barcelos (3); Rio Preto da Eva (2); Amaturá (2); Urucará (2); Manaquiri

    (2); Novo Aripuanã (2); Manicoré (2); Carauari (1); Anori (1); Tapauá (1);

    Silves (1); Nova Olinda do Norte (1); Barreirinha (1); Borba (1); Itapiranga

    (1); Codajás (1); e Nhamundá (1).

    Confira dicas de prevenção ao coronavírus:

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