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    Coronavírus


    Guerreiras: de 73 a 103 anos idosas vencem a Covid-19 no AM

    Mesmo no grupo de risco, as guerreiras da terceira idade demonstram que é possível vencer a doença

    Idosas compartilham dias de luta e novas perspectivas para o futuro
    Idosas compartilham dias de luta e novas perspectivas para o futuro | Foto: Colagem/Em Tempo

    Manaus - O novo coronavírus tem como principal grupo de risco pessoas idosas ou pessoas com doenças pré-existentes, como diabetes e asma. Mas mesmo com um triste número de 302 mil mortes no mundo pela Covid-19 até esta sexta-feira (15), algumas mulheres da terceira idade conseguirem vencer a doença e seguem cheia de sonhos. Elas se destacam na estatística e seguem vivas para mostrar que é possível se curar do novo coronavírus mesmo com idade avançada.

    Elas fazem parte da estatística de 1,59 milhões de pessoas que se recuperaram do novo coronavírus, até esta sexta-feira, no mundo. No Brasil, eram 79.479 curados até a quinta (14), e na mesma data, recuperados da doença eram 9.497 no Amazonas, estado onde vivem as idosas. 

    79 anos de força

    A primeira delas é Adalgiza Ribeiro Feitoza, de 73 anos. Natural de Maraã (município distante 634 km em linha reta de Manaus), ela manifestou os primeiros sinais do novo coronavírus ainda no dia 19 de abril.

    Para o filho de dona Adalgiza, o maior dom da mãe é a força
    Para o filho de dona Adalgiza, o maior dom da mãe é a força | Foto: Arquivo Pessoal

    Segundo o filho dela Waldick Araújo, 50, empresário, a mãe teve dias muito ruins durante a recuperação. Apesar de ser uma idosa saudável, sem doenças pré-existentes, a noite Aldagiza costumava sentir muitas dores de cabeça e no corpo. 

    "Ela fez o tratamento com os remédios indicados pelo médico em que foi consultada. Além disso, demos a ela alguns remédios naturais, como chá de limão com alho e gengibre e alguns sucos de frutas, dentre eles o de acerola, laranja, abacaxi e limão", comenta o filho, que é um entusiasta de remédios caseiros.

    Araújo conta que em duas semanas a mãe se recuperou da doença. Para a família, o filho diz que a cura dela representa felicidade, recompensa e a  tranquilidade de saber que ela estará mais alguns anos junto da de quem a ama.

    "Ficamos todos muito felizes. O que mais amo na minha mãe é essa força que ela tem. É a mesma força que ela teve ao cuidar de dez filhos pequenos quando o marido dela morreu, ainda em 1983. E até hoje ela guarda esse cuidado com cada filho", comenta o filho, emocionado.

    80 anos de determinação

    Outra guerreira que entra para a lista de curadas da Covid-19 é Julia Lopes da Silva, de 80 anos, natural do Careio da Várzea (AM). A idosa se recuperou a pouco tempo do novo coronavírus após mais de 25 dias em luta constante para vencer a Covid-19.

    Família descreveu a idosa como determinada
    Família descreveu a idosa como determinada | Foto: Arquivo Pessoal

    Quem conta é Cristina Bernardo, 41, esteticista e filha da idosa. Segundo ela, a mãe passou por dias difíceis e ficou muito debilitada.

    "Ela ficou sem poder andar e falar, sentia muita falta de ar, cansaço, insônia e perca de paladar. Os pulmões dela chegaram a ficar comprometidos em 50% e o médico falou que era um caso de internação, mas nós filhos decidimos cuidar dela em casa. Tomamos a decisão porque imaginávamos que ela não aguentaria ficar sozinha no hospital, sem poder receber visitas", comenta Cristina.

    Depois de quase um mês, 'dona Julia' conseguiu vencer a doença. Para a filha dela, saber que a mãe venceu a doença mesmo com a idade representa apenas uma coisa: amor.

    "Foi a lição que tiramos disso tudo. Simplesmente nos dedicamos e cuidados dela com muito amor e carinho. A fé em Deus foi essencial e sem ela nada disso teria sido possível", ressalta Cristina.

    E ela conta que Julia já está cheia de sonhos para quando acabar a quarentena. A idosa é mãe de 12 filhos, 17 netos e quatro bisnetos. "Apesar da idade, ela é muito ativa e antes de ficar doente, cuidava da casa e dos filhos com muita determinação. Agora ela tem o sonho de poder voltar àquela rotina de cuidados com a própria família", afirma a filha, Cristina. 

    'Dona senhorinha', a curada de 103 anos

    A jovem Victoria Holanda, de 22 anos, diz, com orgulho que a bisavó dela venceu o novo coronavírus. Como um apelido carinhoso, ela se refere à matriarca da família como 'dona senhorinha'. E conta como tudo aconteceu.

    Para a bisneta de Julia, a idosa transborda vida aos 103 anos
    Para a bisneta de Julia, a idosa transborda vida aos 103 anos | Foto: Arquivo Pessoal

    "Ela se chama Maria Teixeira de Souza. Tem cinco filhos e 15 netos. Ela apresentou os sintomas por volta do dia 19 de abril e durou mais ou menos uns quatro dias. Foi pouco, se comparado a outros casos", comenta Vitoria.

    Ela conta que Maria teve um bisneto que convivia com ela diagnosticado com a Covid-19. O teste para comprovar que a idosa tinha a doença foi feito pela neta dela, que é enfermeira. Após o resultado positivo, Maria passou por um tratamento com vitamina C, soro, complexo B e chás naturais.

    "A cura dela simboliza uma gratidão e esperança enorme. Ter 103 anos com toda essa força e vida é um exemplo a ser seguido. Minha família agradece muito a Deus por ela continuar conosco e ter superado esse vírus", diz a bisneta, Victoria.

    Mulheres idosas sobrevivem mais à Covid-19

    Em último boletim epidemiológico da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM), o novo coronavírus havia sido mais mortal entre idosos homens. De um total de 9.243 casos confirmados até 7 de maio, mais da metade (52,6%) era de pacientes homens. A doença também matou mais pessoas do sexo masculino. De um total de 751 mortes, 70,2% havia sido de homens idosos.

    No caso das mulheres, o mesmo boletim aponta que, de um total de 9.243 casos confirmados até 7 de maio, 47,4% era de mulheres. Idosas infectadas eram apenas 16%, ainda que estejam no grupo de risco para a doença. As mortes de mulheres na terceira idade, até a data, eram 66,2% de um total de 751. 

    Até a quinta-feira (14), o Amazona somava um total de 17.181 casos de coronavírus, com 1.365 registros nas 24h anteriores. Mortes somavam 1.235, com 75 novas confirmações em apenas um dia.