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    Violência


    Cresce violência sexual contra bebês e crianças até 12 anos no AM

    18 de maio é o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes , e as entidades que atuam contra esses crimes seguem firme na conscientização da sociedade, no entanto, os abusos continuam.

    O Amazonas registrou 576 casos de abuso infantil em 2019 apenas na Depca | Foto: Divulgação

    Em 2019, foram contabilizados 346 casos de abusos em crianças e 230 em adolescentes. De janeiro à abril de 2020 foram registrados 114
    Em 2019, foram contabilizados 346 casos de abusos em crianças e 230 em adolescentes. De janeiro à abril de 2020 foram registrados 114 | Foto: Julia Manuela

    Manaus- “Lembro como se fosse hoje, eu tinha 11 anos quando um tio me chamou no quarto e começou a me tocar”. Esse trauma segue vivo na memória da publicitária Ane Castri, que foi abusada sexualmente dentro de casa. No Brasil os números de violência aos menores, cresce de forma rápida, por isso, também, no dia 18 de maio é Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.

    O Amazonas já foi manchete nacional pelo número de crimes relacionados a exploração sexual infantil. De acordo com os registros da Secretaria de Segurança Pública do Estado, por meio dos relatórios da Delegacia Especializada em Proteção a Criança e ao Adolescente (Depca), as maiores vítimas ainda são crianças de 0 à 12 anos. Em 2019, foram contabilizados 346 casos de abusos em crianças e 230 em adolescentes. De janeiro à abril de 2020 foram registrados 114 crimes dessa natureza, sendo 74 vítimas menores de 12 anos e 40 tendo até 17 anos.

    Combate a violência

    Segundo a coordenadora do Comitê Estadual de Crianças e Adolescentes do Estado do Amazonas (CEVSCA) Eurides Oliveira, esses dados oficiais, não se enquadram com a realidade do Estado, devido muitas famílias não denunciam por medo e outras mazelas da sociedade. A socióloga e militante há mais de 20 anos, afirma que a situação é cada dia mais preocupante.

    Eurides Oliveira é socióloga e coordenadora do Comitê Estadual de Crianças e Adolescentes do Estado do Amazonas (CEVSCA)
    Eurides Oliveira é socióloga e coordenadora do Comitê Estadual de Crianças e Adolescentes do Estado do Amazonas (CEVSCA) | Foto: Divulgação

    “Quando as famílias criam coragem de denunciar a violência sexual, o maior medo é a impunidade da justiça para com o criminoso. Trabalhando de maneira preventiva e no enfrentamento, contribuímos para salvar as crianças de muitas situações de abuso. Esse assunto precisa ser falado, é preciso cuidar de nossas crianças e adolescentes em todas as suas dimensões principalmente nesse tempo de pandemia onde a criança pode estar em casa sofrendo de forma mais acentuada”, afirma Eurides.

    Como identificar criança que sofre abuso

    É fundamental entender que geralmente as vítimas apresentam um conjunto de sinais indicando o sofrimento: mudança de comportamento, alterações no humor, agressividade repentina, extroversão, vergonha excessiva, medo ou pânico. Identificando isso, a criança deve passar por avaliação especializada. Em algumas situações a mudança de comportamento é em relação a uma pessoa ou a uma atividade em específico.

    Reunião com as autoridades do estado que lutam a favor da criança e do adolescente
    Reunião com as autoridades do estado que lutam a favor da criança e do adolescente | Foto: Divulgação

    A psicóloga e coordenadora do Fórum Estadual dos Direitos das Crianças e Adolescentes (FEDCA-AM) Nazaré Castro, fala da importância do acompanhamento profissional as crianças que estão sendo vítimas de abuso sexual, de forma que estas não tenham consequências negativas e prejuízos em seu desenvolvimento.

    “Os efeitos negativos podem ser diminuídos quando a criança recebe apoio familiar, quando seus pais confiam em seu relato e quando a vítima possui maior resiliência. Assim, é necessária uma intervenção plural, com diversos profissionais que possam abarcar os aspectos terapêuticos, legais e de proteção à criança”, disse psicóloga.

    Nazaré Castro  é psicóloga e coordenadora do Fórum Estadual dos Direitos das Crianças e Adolescentes (FEDCA-AM)
    Nazaré Castro é psicóloga e coordenadora do Fórum Estadual dos Direitos das Crianças e Adolescentes (FEDCA-AM) | Foto: Divulgação

    Nazaré explicou, ainda, sobre a terapia familiar após um trauma como este. O ideal é que todos ao redor da criança estejam bem emocionalmente e psicologicamente.  

    “É neste contexto que se insere a importância da psicoterapia, que poderá ajudar a criança a ressignificar o acontecimento, recuperar experiências perdidas e retomar seu desenvolvimento emocional. Além do trabalho com a criança, é importante que o restante da família também seja cuidado, uma vez que é comum a dificuldade em lidar com a situação”, relatou Nazaré.

    Faça Bonito

    A campanha ‘Faça Bonito’ realiza uma conscientização para com as vítimas e familiares para não se calar. O mês de maio é o período de intensificação e prevenção ao combate de violência sexual. O objetivo é entender que criança não é objeto sexual, criança é sujeito de direito.