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    Superação


    Fé e o apoio da família ajudam a enfrentar o câncer

    Quimioterapia, falta de autoestima e limitações são alguns dos desafios impostos pelo processo de tratamento do câncer

    Segundo elas, a fé e o apoio familiar são fundamentais para que essa batalha seja vencida | Foto: Lucas Silva

    Manaus –  O câncer de mama é a patologia que mais atinge mulheres. Em 2019 foram diagnosticados aproximadamente 60 mil novos casos da doença no país. Para as mulheres que lutam para se curar, o processo é doloroso e traumático desde o momento do diagnóstico. Segundo elas, a fé e o apoio familiar são fundamentais para que essa batalha seja vencida.

    No Amazonas, 23% das mulheres são diagnosticadas com câncer de mama, a patologia fica atrás somente do câncer de colo de útero. Receber o diagnóstico do tumor maligno na mama traz grandes incertezas, dúvidas e principalmente a perda da autoestima, a fisioterapeuta Sildovane Ribeiro, 45, que luta contra o câncer há três anos, conta que a notícia deixa qualquer um sem chão.

    “Eu recebi o diagnostico durante os exames de rotina, o médico disse que eu tinha uma lesão grave no seio direito e solicitou a biópsia para investigar, ao receber o resultado desses exames eu abrir sem a presença do médico, no início foi uma surpresa, mas não deixei isso me abalar, fiquei firme e comecei o tratamento”, relembrou.

    A fisioterapeuta realizou a cirurgia para retirada no tumor, mas precisou continuar o processo de quimioterapia para que o desenvolvimento do câncer não continuasse.

    “A quimioterapia destrói qualquer mulher, ela leva tudo de mais precioso que as mulheres têm, a autoestima, ninguém nunca vai saber o que a gente passa para conquistar a cura. Ela acaba com absolutamente tudo, precisamos de muita força para não cair e desistir”, destacou Ribeiro.

    A quimioterapia é o principal processo de tratamento para pacientes com câncer e mesmo que ela não garanta a cura imediata, é método é considerado o mais eficaz para combater a doença. O tratamento é o processo mais dolorosa para as pacientes, a frentista Keila dos Santos, 37, que recebeu o diagnostico em novembro de 2019 conta que o processo tem sido difícil.

     “A gente nunca espera receber um diagnóstico desse, pior que a notícia são as sessões de quimioterapia. É muito difícil, tenho vômito e muita fraqueza, para mim, os dias mais difíceis são os de quimio, pois eu já sei que ficarei doente pelos próximos quatro dias, infelizmente é necessário”, analisou.

    Para as pacientes, o processo de quimioterapia é doloroso e requer dedicação para vencer
    Para as pacientes, o processo de quimioterapia é doloroso e requer dedicação para vencer | Foto: Lucas Silva

    Dificuldades

    Após o diagnóstico, as mulheres precisam mudar suas rotinas e deixar seus afazeres de lado e encarrar uma nova realidade. Para Keila, a maior dificuldade tem sido se adaptar às novas limitações.

    “Tudo muda, eu tinha uma vida ativa e do dia para a noite precisei me afastar do trabalho, desenvolvi novas limitações, do nada você não pode e nem consegue fazer atividades básicas em casa. Nesse momento tudo se torna um desafio”, contou a frentista.


    As limitações são apenas uma das dificuldades que as pacientes enfrentam no processo
    As limitações são apenas uma das dificuldades que as pacientes enfrentam no processo | Foto: Lucas Silva

    Já para Sildovane, a espera para realizar os exames e atendimentos no sistema público de saúde faz com que o processo fique ainda mais difícil, uma vez que o tratamento é fundamental em casos avançados.

    “O câncer não espera, ele vai te matando minuto após minuto, por isso esperar 120 dias para o resultado de uma biópsia é um absurdo. Eu precisei fazer um eco cardiograma no início do tratamento, até hoje estou na fila de espera do SUS. Para continuar viva precisei optar pelo particular, eu sei que muita gente já morreu esperando exames e a realidade é tão crítica que os próprios médicos recomendam a realização de exames nas unidades particulares”, ressaltou.

    Apoio

    De acordo com as pacientes, a falta de apoio psicológico e emocional nas unidades de saúde da rede pública faz com as mulheres busquem conforto familiar e religioso para enfrentar o tratamento e continuar tendo esperança na superação.

    “A minha família tem sido a base para que eu continue seguindo em frente e buscando melhorar. Eles são fundamentais em todos os sentidos desse processo, seja financeiro ou emocional são eles que me dão força”, afirmou Keila.

    O apoio da família é fundamental para as mulheres tenham força de continuar lutando pela cura
    O apoio da família é fundamental para as mulheres tenham força de continuar lutando pela cura | Foto: Lucas Silva

    “Se hoje eu estou de pé é graças a Deus, a minha família e ao meu trabalho, são eles que me dão vida. Eu sempre tive muita fé, entreguei nas mãos de Deus e eu sei que ele irá me curar, é por meio deles que eu tenho força de continuar vivendo e trilhando meu caminho nesse mundo, sem eles eu não sei o que seria de mim”, destacou.

    Segundo a  Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecom), o tempo de espera para os exames não condizem com as informações mencionadas, o exame de mamografia está sem filas de espera e já as filas para biópsia tipo core biopsy não excede uma semana. Já para questões como atendimento psicológico a FCecom informou que há redes de apoio em acomodação, cestas básicas e transporte realizado pelas ONGs que atuam com as pacientes da fundação, como a Liga Amazonense Contra o Câncer, Lar das Marias e Centro Integrado Amigas da Mama, além do atendimento que é fornecido diariamente pelos psicólogos da FCecon nas enfermarias, Ambulatório, quimioterapia e radioterapia. 

    Esperança

    A esperança e o tratamento do câncer precisam andar lado a lado. Segundo a ginecologista e mastologista, Tatiana Valois, ser diagnosticada com câncer de mama não é sinônimo de uma morte precoce.  

    “Ao receber o diagnóstico da patologia é normal que a mulher fique abalada, no entanto é preciso entender que assim como outros tipos de câncer, o câncer de mama tem cura. Por isso, é importante realizar o tratamento, ser forte e acreditar que a cura é consequência do processo”, afirmou.

    Valois destacou ainda que é importante que as mulheres acima de 40 anos realizem exames de rotina anualmente, pois em casos de patologia o ideal é que o diagnostico seja o mais precoce possível.

    “A melhor forma de prevenção é conhecer seu corpo, ficar atenta às mudanças nos seios e principalmente realizar os exames de rotina. É por meio deles que será identificado alguma alteração na mama e em casos de dúvidas procurar sempre um médico ginecologista e especialista na área para obter orientações”, recomendou a ginecologista.

    A costureira Maria Estelita Melo, 57, que lutou contra o câncer de mama durante três anos, conquistou a cura e agora está em processo de acompanhamento para controlar o crescimento de hormônios e prevenir outras patologias semelhantes.

    “Realizei a quimioterapia, retirei a mama esquerda e também realizei um ano de tratamento com vacina, hoje o pior já passou e estou no processo de acompanhamento para prevenir outros tipos de câncer. Por isso, é importante enfrentar e lutar contra essa doença, com o tratamento, o apoio da família e fé em Deus tudo isso passa e saímos mais forte e com uma grande história de superação”, finalizou. 

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