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    Doença


    Durante pandemia, crianças requerem cuidados para evitar depressão

    A doença considerada o mal de século, também afetou, no período de pandemia, crianças e adolescentes

    | Foto: (Foto: Marcello Casal Jr.)

    Dentre os sintomas de depressão, também, devem ser observados, perda ou ganho de peso rápido, sonolência, indisposição e fadiga
    Dentre os sintomas de depressão, também, devem ser observados, perda ou ganho de peso rápido, sonolência, indisposição e fadiga | Foto: Julia Manuela

    Manaus- Tristeza profunda, vontade de chorar, fazer xixi na cama, isolamento e insônia são algumas características apresentadas por crianças que estão com depressão. A doença popularmente conhecida como o mal do século, chegou no âmbito infantil preocupando os pais. Durante o enfrentamento da pandemia, crianças e adolescentes devem receber atenção redobrada e estímulos de esperança para novos dias.

    Em Manaus, de acordo com os registros do Centro de Atenção Psicossocial (Caps), as crianças e os adolescentes atendidos que apresentaram episódios depressivos  de janeiro à maio de 2019, foram 302. Em 2020, mesmo com a pandemia, comparado ao mesmo período, foram contabilizados 272 pacientes.

    Depressão x birra

    A médica pediatra Raquel Batista, em entrevista ao EM TEMPO, falou sobre a temática e fez alguns alertas sobre a doença. Especialista em pediatria, terapia intensiva pediátrica e neonatal e educadora parental, Raquel disse que os sintomas da depressão não podem ser confundidos com birra.

    “É muito importante que pais e responsáveis se façam presentes na vida dos filhos, realizando acompanhamento da rotina e dos hábitos. A conexão afetiva deve ser estimulada e o diálogo com essas crianças precisa ser mantido para uma identificação mais rápida dos sinais. Afinal, muitas vezes acabam sendo confundidos”, explicou a médica pediatra.

    | Foto: (Foto: Marcello Casal Jr.)

    Quais características físicas e comportamentais devem ser observadas pelos pais?

    De acordo com Raquel, a depressão infantil costuma  se apresentar com alterações bruscas de humor; isolamento e/ou distanciamento afetivo; mudanças no apetite; perda de interesse nas atividades que costumava gostar (jogar bola, brincar de boneca e outros); e em alguns casos mais agravados, sentimento de culpa acompanhado de desesperança e pensamentos de morte”.

    Outros sintomas a serem observados são perda ou ganho de peso rápido, sonolência, indisposição e fadiga. Identificado esses sinais, um pediatra deve ser procurado. Por isso a importância do diagnóstico precoce. Raquel alerta à predisposição da doença: “Os estudos sobre depressão são claros, neste âmbito a depressão infantil pode ser ocasionada tanto por fatores genéticos, hereditários ou de cunho emocional ocasionada pelas experiências dos menores”, afirma.

    Raquel Batista é especialista em pediatria, e atua no ramo de Terapia Intensiva Pediátrica Neonatal e como educadora parental
    Raquel Batista é especialista em pediatria, e atua no ramo de Terapia Intensiva Pediátrica Neonatal e como educadora parental | Foto: Arquivo Pessoal

    Outras patologias

    Priscilla Matos é pediatra em Manaus há nove anos, para ela, o isolamento social muda a rotina de todos e o confinamento dentro das casas foi uma adaptação abrupta de todo um contexto social. Tudo isso, influenciou tanto na vida dos adultos como nas crianças, causando não somente depressão, mais outras patologias emocionais como o estresse.

    “Eu converso muito com os papais e mamães a respeito do estresse tóxico, que nada mais é que uma resposta excessiva do corpo e do cérebro a uma situação de estresse. Como por exemplo a pandemia que estamos vivendo, causa irritabilidade, distúrbios do sono, falta de equilíbrio, excesso de medos imotivados, perda de imunidade, absorção de sentimentos devido aos conflitos familiares e mudança brusca de comportamento são alguns dos sinais de estresse tóxico na infância”, declarou Priscilla.

    Priscilla Matos é referência em pediatria no Estado há mais de nove anos
    Priscilla Matos é referência em pediatria no Estado há mais de nove anos | Foto: Arquivo Pessoal

    A especialista afirma que as doenças na devem esplanadas às crianças de maneira que elas entendam. “Não podemos esconder a verdade das nossas crianças, devemos explicar de forma lúdica o que está acontecendo, orientando e jamais amedrontá-las. Brincadeiras, interação com a família, menos tempo em telas, ocupam o tempo das crianças, para que elas não fiquem ansiosas com o isolamento”, disse.

    Onde buscar tratamento?

    Na rede municipal, o serviço de atendimento especializado destinado a essa faixa etária é o Caps infanto juvenil Leste, que atende crianças e adolescentes com problemas decorrentes do uso de álcool e outras drogas, com transtornos mentais e/ou autismo. O serviço está funcionando temporariamente na Rua Santa Catarina, nº 03, bairro Parque das Laranjeiras (Zona Centro-sul). Na rede estadual, há os Centros de Atenção Integral à Saúde da Criança (Caic), que contam com psicólogos em suas equipes. 

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