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    Descaso


    Denúncia: Pacientes oncológicos relatam descaso no FCECON

    Segundo os denunciantes, pacientes são maltratados e não conseguem socorro por falta de médico plantonista

    | Foto: Reprodução

    Manaus - Após idas à ouvidoria e escrever cartas de reclamação, familiares denunciaram ao EM TEMPO o que os pacientes com câncer estão passando na Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (Fcecon). Os depoimentos de vítimas e familiares retratam casos de maus tratos, descaso e negligência - inclusive com idosos.

    Maria tem 81 anos e é paciente do Cecon há pouco mais de um ano. Nesse mês de junho, ela precisou passar por um procedimento cirúrgico e precisou colocar uma bolsa de colostomia. Porém, houveram complicações e um edema se criou na região operada.

    Na tentativa de socorro, a idosa procurou ajuda no hospital, afinal de contas, essa é a instrução para os pacientes. Porém, a ajuda não veio.

    “Quando chegamos lá disseram que eu precisava esperar, pois tinham outros pacientes na minha frente. Depois de horas de espera, o médico que me atendeu nem olhou na minha cara. Me passou um remédio e encaminhou para o cirurgião plantonista. Quando cheguei no local indicado, descobrimos que não tinha médico e daí foi outra espera. Saímos do hospital depois de sete horas. Ainda bem que estava com minha filha”, contou a paciente.

    Outro caso

    A professora Fernanda Vale está acompanhando a sogra em seu tratamento oncológico. De acordo com ela, muitos pacientes estão com a Covid-19 e circulam no Fcecon sem isolamento nenhum, podendo transmitir a doença para outras pessoas. Outra queixa da professora, é que algumas pessoas recebem atendimento diferenciado de outras.

    “Minha sogra tem câncer nos ossos, está sofrendo com a doença e a ainda é tratada com indiferença. Os funcionários estão sempre chateados, aparentemente tristes. Não sabem dar informações sobre nada, e quando são questionados se aborrecem. Mas alguns pacientes são tratados como reis, tem privilégios inclusive nas filas de atendimento. Nunca tem médico na urgência, e quando vamos perguntar por eles somos ignorados. É um verdadeiro descaso com o povo”, contou a acompanhante Fernanda.

    Resposta do órgão

    Em nota, a Fcecon informou que fornece atendimento e tratamento aos pacientes oncológicos seguindo critérios da Política Nacional de Humanização (PNH), e que a informação de que os pacientes são tratados com descaso na instituição não procede.

    Quanto às filas para atendimento, o Centro afirma ter adotado desde 2018 no Serviço de Urgência o sistema de Classificação de Risco, que é baseado no Protocolo de Manchester e prioriza os quadros de saúde considerados mais críticos. O protocolo é definido em cores, definindo os casos de emergência, com prioridade imediata (cor vermelha); atendimento “muito urgente” (cor laranja), que deve ser feito em até dez minutos; e o atendimento a ser feito em até 60 minutos (cor amarela).

    Sobre o número de médicos no quadro e plantonistas, a Fundação informou que há sempre dois médicos clínicos plantonistas atendendo os pacientes na Urgência da FCecon, e o médico-prescritor, que dá assistência aos pacientes em observação, enfermeiros e técnicos de enfermagem. Ele atua pela parte da manhã.

    Além disso, a FCecon relatou que o local dispõe de assistentes sociais e psicólogos.

    *O nome "Maria" citado na reportagem é fictício e foi usado para preservar a real identidade da denunciante.

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