Fonte: OpenWeather

    Covid-19


    No Amazonas, Manacapuru chora os mortos por Covid-19

    A cidade do interior do Amazonas com maior índice de mortalidade luta diariamente contra a Covid-19

    A cidade do interior lidera o ranking de maior letalidade a cada 100 mil habitantes
    A cidade do interior lidera o ranking de maior letalidade a cada 100 mil habitantes | Foto: Lucas Silva

    Manaus - Manacapuru é a cidade do interior do Amazonas com maior número de mortes por Covid-19 a cada 100 mil habitantes. Com 129 mortes confirmadas até segunda-feira (11), conforme dados da Fundação de Vigilância e Saúde (FVS), a cidade é a que mais chora a perda de moradores. 

    Em relação ao número de casos, a terra da ciranda é a segunda colocada no Amazonas com 3.259 registros, ficando atrás somente de Manaus, que tem 30.640 casos da doença. 

    Segundo o Portal da Transparência da Controladoria-Geral da União, foram investidos em 2020 um total de R$ 156.657.621, 99.  Cerca de R$ 61.316.844,83 são de recursos transferidos apenas para o município e R$ 95.340.777,16 de benefícios ao cidadão de Manacapuru. 

    Mortes

    A cidade que vai comemorar 88 anos nesta quarta-feira (15) registrou uma média de sete mortes a cada três dias. No dia 5 de junho haviam registrados 107 mortes e no dia 8 de junho, o número subiu para 113 vítimas da Covid-19.

    O médico da atenção primária Rangel Ruiz foi uma das vítimas da Covid-19 no município. "O Dr. Rangel, durante sua atuação na Semsa, prestou excelentes serviços e era um profissional muito dedicado e educado com todos. Neste momento difícil e delicado, desejamos força, coragem e muita união para todos aqueles que tiveram o privilégio de conhecê-lo e de fazer parte de sua história”, publicou a prefeitura de Manacapuru, em nota. 

     

    O médico estava na linha de frente contra o Coronavírus
    O médico estava na linha de frente contra o Coronavírus | Foto: reprodução

    Um amigo do médico usou as redes sociais para comentar sobre a morte de Rangel. Segundo ele, o doutor havia dito que estava sobrecarregado com os atendimentos na cidade.

    "Dr. Rangel Ruiz era humilde, sereno, um homem de bem que gostava de ajudar as pessoas e um grande amigo. Como médico vindo do interior não há como não se colocar no seu lugar, deixou muita coisa de lado pra buscar o que queria. É incompreensível imaginar que pouco tempo após ter conquistado tenha morrido vítima dessa doença. Poucos dias antes ele tinha me dito que estava sobrecarregado no atendimento da pandemia. Quero que todos saibam, amigo, que você não se acovardou em nenhum momento e que você morreu como herói", afirmou consternado.

    A autônoma Joana Ailine Veiga conta que acompanhou os meses com o aumento de casos e mortes no município. Ela afirma que a cidade luta diariamente contra o vírus. 

     

    A moradora de Manacapuru conta como tem sido os últimos meses da pandemia
    A moradora de Manacapuru conta como tem sido os últimos meses da pandemia | Foto: reprodução

    “Não está sendo nada fácil. É uma guerra. Estamos com os cuidados como o uso de máscaras, álcool em gel e a fiscalização na cidade. As pessoas que podem estar em casa permanecem em casa. As pessoas que entraram no hospital sabiam que não tem cura e máximo era cuidar dos sintomas, foi doloroso para as famílias. Eu estava acompanhando todos os dias sobre a pandemia em Manacapuru. Tinha minha avó de 87 anos com diversos problemas de saúde. Nós optamos em levá-la para um sítio para que ela não fosse contaminada. Manacapuru mudou, foi um alerta geral, infelizmente. Estamos lutando”, afirmou. 

    A assistente de gerente Elinete Matias da Silva conta que a população “manacapurense” demorou para atender às medidas de segurança impostas pelas secretarias de saúde. Ela acredita que, durante a grande incidência de casos, a falta de credibilidade na mortalidade do vírus contribuiu com os números atuais. 

    “O que eu posso ver em Manacapuru é que as pessoas mais antigas tratam o assunto com ignorância, no sentido de não acreditarem que o vírus como esse possa fazer um estrago. Tem muita gente que vai para as ruas sem máscara e não usam álcool em gel. Muitos estão saindo sem proteção, mesmo no pico da doença as pessoas não respeitavam o isolamento”

    Outra moradora do município, a estudante universitária Suziane Maia, afirma que nas últimas semanas a rotina voltou ao normal. A grande incidência de mortes parece não influenciar na movimentação de pessoas nas ruas. 

     

    A estudante afirma que moradores do município não estão aderindo aos cuidados necessários contra a Covid-19
    A estudante afirma que moradores do município não estão aderindo aos cuidados necessários contra a Covid-19 | Foto: reprodução

    “Na cidade está ‘normal’, parece que não aconteceu nada. Poucas pessoas se previnem e andam de máscara. Os estabelecimentos estão todos abertos. O meu pai sai todo dia, mas ele usa máscara sempre. Os idosos são os que mais se cuidam, realmente. Final de semana passado eu passei pela praça de alimentação da cidade e estava, simplesmente, lotada,  eu me assustei porque nunca tinha visto a praça assim. Parece que as pessoas estavam agoniadas de não poder sair e não param mais em casa”, afirmou. 

    Sem UTI

    A assessoria da prefeitura de Manacapuru informou que a cidade não possui Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Os casos mais graves são transferidos para Manaus. Na cidade há Unidades de Cuidados Intensivos (UCI), seis leitos, ao todo, 32 leitos. Dos 129 óbitos, 32 foram em Manaus.

    A prefeitura afirmou que, desde fevereiro, tem feito ações e decretos para conter o avanço da doença. Quarentena, toque de recolher, cabines de desinfecção, desinfecção nas principais vias e estabelecimentos, uso de máscara e álcool em gel em todos estabelecimentos são algumas das medidas informadas. 

     

    A desinfecção das vias públicas é uma das medidas adotadas pela prefeitura de Manacapuru
    A desinfecção das vias públicas é uma das medidas adotadas pela prefeitura de Manacapuru | Foto: Divulgação

    Durante o estado crítico da pandemia, a cidade usou duas Unidades Básicas de Saúde (UBS) de referência que funcionavam com horário estendido das 7h até às 20h. 

    A testagem é direcionada não só para os que estão em estado grave, mas para todos que estão sintomáticos. A assessoria informou também que já foram realizadas mais de dez ações na zona rural do município. 

    Leia mais:

    Estudo identifica novas linhagens do Coronavírus no Amazonas

    Amazonas registra o número de mortes por Covid-19 em uma semana 

    Cinco cidades do AM lutam contra o aumento do número de casos de Covid-19