Inovação


Estudo analisa potencial de plantas amazônicas para bioprodutos

Coordenadora do projeto explica como ocorreu o processo da pesquisa e o que está em desenvolvimento no momento

Além de analisar as espécies propostas na pesquisa, o objetivo foi ampliado e outras também foram estudadas | Foto: Divulgação

Manaus - Um grupo de pesquisadores desenvolveu um estudo que analisa espécies de plantas medicinais amazônicas com potenciais para se tornarem bioprodutos como chás, bebidas não alcoólicas e também fermentadas. Por meio do Programa de Apoio à Fixação de Doutores no Amazonas (Fixam), que incentiva os docentes recém-formados à pesquisa, a professora doutora em Química Jaqueline de Araújo Bezerra foi a coordenadora do estudo.

A pesquisa foi financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), em parceria com a Universidade Federal do Amazonas (Ufam), a Universidade Federal do Paraná (UFPR) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária Amazônia Ocidental (Embrapa), além do Instituto Federal do Amazonas (Ifam), onde Jaqueline leciona. 

Jaqueline explica que o processo de pesquisa começou com um scrreening inicial, uma espécie de triagem, de várias espécies, para analisar quatro pontos: a análise de atividades antioxidantes e enzimáticas, e do potencial citotóxico e antimicrobiano. “Nós conseguimos deixar tudo funcionando para a rotina de análise com cinco ensaios, em que nós conseguimos avaliar cerca de 35 espécies de famílias diferentes. Nós destacamos a família Myrtaceae e Piperaceae porque são famílias que a gente já vinha estudando e nós colocamos elas nas seleções para analisar principalmente o potencial antioxidante”, explica a pesquisadora.

Jaqueline é doutora em Química e viu uma oportunidade para investir na pesquisa após o doutorado
Jaqueline é doutora em Química e viu uma oportunidade para investir na pesquisa após o doutorado | Foto: Divulgação

A família Myrtaceae possui mais de 3.000 espécies de plantas que são definidas como arbóreas, popularmente conhecidas pelas plantas frutíferas como jambo e goiaba. Já as plantas da família Piperaceae são consideradas medicinais ou ornamentais, com mais de 3.600 espécies. A coordenadora do projeto explica que as plantas foram escolhidas pensando também no fácil cultivo na região, visto a possibilidade de comercialização dos produtos no futuro.

Além de analisar as espécies propostas na pesquisa, o objetivo foi ampliado e outras também foram estudadas, que foram disponibilizadas por meio das parcerias. As melhores espécies, que possuíam maior potencial antioxidante para se tornarem bioprodutos, foram selecionadas e estão sendo trabalhadas em uma outra fase do estudo, que não faz mais parte do programa Fixam.

"Nós fizemos uma seleção de algumas espécies e publicamos cerca de 15 artigos, que a gente pôde contribuir com a plataforma de ensaios e selecionamos as melhores espécies para continuar o estudo para desenvolvimento de produtos. Agora, a nossa nova fase que já seria um outro projeto que nós submetemos à Fapeam, que está em desenvolvimento é o Projeto Universal, nós pegamos as melhores espécies com potencial antioxidante e desenvolvemos chás, bebidas não alcoólicas e outros tipos de produtos”, explica Jaqueline.

Também faz parte do Projeto Universal a análise de plantas alimentícias não convencionais, plantas que são de fácil acesso, mas não consumidas no dia a dia, algumas popularmente conhecidas e outras não.

Jaqueline explica que o processo de pesquisa começou com um scrreening inicia
Jaqueline explica que o processo de pesquisa começou com um scrreening inicia | Foto: Divulgação

“O recém-doutor tem a capacidade de coordenar o projeto, orientar os bolsistas e ainda fazer toda a parte de compra de materiais, além de ter uma experiência muito boa pela possibilidade de criar uma linha de pesquisa. Isso foi muito bom para mim, foi um programa fundamental para eu consolidar várias parcerias”, conta Jaqueline, que elogia a oportunidade oferecida pelo programa.

A equipe técnica foi fundamental para o desenvolvimento de todo o projeto, integrada por Marcos Batista Machado, Edgar Aparecido Sanches, Pedro Henrique Campelo e Rita de Cassia Saraiva Nunomura, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam); Lúcia Schuch Boeira e Valdely Ferreira Kinupp, do Instituto Federal do Amazonas (Ifam); Francinete Ramos Campos, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que continuam como parceiros de pesquisa do Projeto Universal, em desenvolvimento. Participaram também Josiana Moreira Mar, Laiane Souza da Silva e Edinilze Souza Coelho Oliveira, bolsistas do Fixam e Amanda Cristina Lira Souza e Andrezza da Silva Ramos, que contribuíram também na execução das análises.

A comercialização das espécies é economicamente benéfica tanto para os produtores, que terão a oportunidade de cultivar as plantas e também para aqueles que já cultivem, quanto para o comércio local, já que as plantas são amazônicas. 

“Tem frutos que a gente tem trabalhado que tem propriedades organolétricas interessantes para a elaboração de produtos, e a partir do momento que a gente elabora vários produtos com propriedades antioxidantes ou anti-inflamatórias comprovadas é estimulada toda uma logística para consolidar esse mercado. Nós podemos contribuir com os agricultores familiares, para eles plantarem essas espécies, cultivarem e fomentarem essa cadeia produtiva”, finaliza a pesquisadora.

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