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    Riscos


    Sem iluminação, moradores ficam expostos ao perigo na ponte Rio Negro

    Com a falta de iluminação pública, o ponto turístico é cenário de assaltos e crimes

    Moradores das redondezas que utilizam a ponte para se locomover padecem com a falta de segurança e iluminação pública | Foto: Lucas Silva

    Manaus – Apesar de ser considerado o segundo ponto turístico mais belo da capital amazonense, a ponte jornalista Phelippe Daou, conhecida popularmente como Ponte Rio Negro, também é cenário para assaltos e tráfico de drogas devido à falta de iluminação no local durante a noite. Com a escuridão que assola o trajeto até o município de Iranduba, moradores das redondezas que utilizam a ponte para se locomover padecem com a falta de segurança e iluminação pública.

    A ponte liga Manaus ao município de Iranduba (a 27 quilômetros da capital) e atrai diariamente inúmeros visitantes todos os dias, que desejam contemplar tal vista panorâmica da cidade. No entanto, após o anoitecer o ponto turístico perde a iluminação e é tomado pela alta criminalidade que acaba limitando o acesso aos moradores das redondezas. De acordo com a costureira Nadi Moraes, que reside no bairro da Compensa mais de 32 anos, acredita que a falta de iluminação não está ligada ao descaso das autoridades públicas e sim aos infratores que furtam os cabos de energia e lâmpadas do local.

    “Quando a ponte inaugurou era linda. Infelizmente as pessoas que vivem no crime, roubaram os cabos e lâmpadas dos postes de energia. O poder público repôs a iluminação, mas os roubos continuaram e a luz não dura aqui. É triste, pois a ponte é importante para quem mora do outro lado e atravessar na escuridão é perigoso”, contou.

    A costureira frequenta a ponte diariamente para realizar caminhadas e disse que já virou regra para quem deseja se exercitar. Caminhada somente até ás 18h30 quando ainda tem luz do sol.

    “Todos aqui já sabem, ninguém vem na ponte a noite. Temos medo de ser assaltados ou até pior né, ninguém sabe do que essas pessoas são capazes, melhor evitar e vir durante o dia para aproveitar a luz do sol”, afirmou Moraes.

    Travessia perigosa

    Mesmo de carro, a travessia apresenta riscos aos pedestres e motoristas
    Mesmo de carro, a travessia apresenta riscos aos pedestres e motoristas | Foto: Lucas Silva

    Com a construção da ponte, travessia que antes era feita por balsas e durava cerca de 40 minutos, agora dura menos de dez minutos de carro. O monumento também viabilizou o acesso de moradores dos municípios de Iranduba, Manacapuru e Novo Airão possibilitando que o mercado de trabalho fosse unificado e o acesso à educação fosse expandido. A pedagoga Adriana Mar, que mora no Iranduba e trabalha na capital amazonense, conta que mesmo de carro o trajeto para atravessar a ponte a noite é perigoso devido à alta criminalidade presente no local.

    Ciclistas se arriscam na escuridão
    Ciclistas se arriscam na escuridão | Foto: Lucas Silva

    “Atravesso a ponte todos os dias entre às 19h e 22h e noto que o risco de assalto e acidentes é grande devido à falta de iluminação que é presente em quase toda a extensão da ponte. A ponte fica à mercê de vândalos e os moradores precisaram se adaptar a isso”, disse.

    Adriana acrescentou ainda que a falta de iluminação já se tornou algo “normal”. “A ausência de luz é um fato constante na ponte, o escuro virou rotina. Sem policiamento, o medo de ser surpreendido é enorme, pois nunca sabemos o que nos espera durante a travessia, mesmo de carro não me sinto segura e imagino o desespero de quem faz o trajeto de ônibus ou andando”, analisou a pedagoga.

    Lazer interrompido

    Com a via deserta e sujeita ao perigo, moradores desistem de frequentar a ponte durante a noite
    Com a via deserta e sujeita ao perigo, moradores desistem de frequentar a ponte durante a noite | Foto: Lucas Silva

    Para a dona de casa Fabiana Amorim, o lazer dos filhos que gostam de caminhar pela ponte foi interrompido pela criminalidade que toma conta do ponto no anoitecer.

    “Eles me pedem muito para passear aqui, mas eu fico com medo. Conheço pessoas que foram assaltadas e outras até que morreram por resistir aos assaltos, isso é complicado, pois em momento como o atual passear pela ponte é uma opção para as crianças relaxarem e se divertirem com a vista”, destacou.

    O receio de frequentar a ponte a noite também assola a moradora Claudia Maria, que fica limitada de se exercitar na ponte devido a escuridão. “Muito cedo é quente e muito tarde é perigoso, então acaba que a população não tem muito opção. A ponte foi feita para atender os moradores da capital e na verdade ela está sendo usada para a prática de crimes, acredito que as autoridades precisam fazer algo para devolver a iluminação na ponte”, ressaltou.

    Ponte fica à mercê de vândalos e os moradores precisaram se adaptar a isso
    Ponte fica à mercê de vândalos e os moradores precisaram se adaptar a isso | Foto: Lucas Silva

    Posicionamento

    Em nota, a Secretaria de Infraestrutura e Região Metropolitana de Manaus (Seinfra) informou que a instalação e manutenção de iluminação na ponte encontra-se em fase de licitação. Entre os processos existentes no trâmite estão os contratos de “Reforma da Iluminação Viária da Ponte Philipe Daou” e “Recuperação do Sistema de Proteção e Sinalização da Ponte”. A secretaria garantiu ainda que assim que os processos forem concluídos a iluminação será restabelecida pela empresa contratada.

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