Fonte: OpenWeather

    Dia dos avós


    Dia dos avós: netos recorrem à tecnologia para matar a saudade

    Pandemia mudou a forma como os netos encontram seus avós, mas a distância foi apenas física, o amor e carinho continuam os mesmos

    EM TEMPO separou algumas histórias de netos que relembram as relações com seus avós com muito carinho | Foto: Divulgação

    Manaus - Os avós são conhecidos por serem aqueles que mimam os netos, os que protegem quando os pais estão bravos ou até mesmo os que criam. Nesse dia dos avós, o EM TEMPO separou algumas histórias de netos que relembram as relações com seus avós com muito carinho e conseguiram driblar a dificuldade da distância gerada pela pandemia e a necessidade de isolamento social.

    Vovó das toalhas

    Nicole Baracho, 22, relembra momentos que passou com seus avós durante a infância e diz que a relação permanece até hoje. O sentimento de carinho e acolhimento é presente nas relações com ambos familiares e ficar distante durante o período de isolamento social está sendo difícil.

    “Eu tenho uma avó que, quando nós éramos pequenos, dava uma toalha de presente de aniversário para todos os netos dela e aí já era uma piada interna entre os netos porque a gente sabia que ela ia dar uma toalha de presente. Ela dizia que era porque ela não sabia o que dar de presente e comprava toalha porque era útil”, conta ela entre risadas.

    Sua relação com seus avôs também sempre foi regada com muito carinho. “Toda vez que faltava luz na casa da minha avó e a gente estava lá, meu avô levava a gente lá para fora, sentava na calçada ao redor dele e ficava contando um monte de histórias, da infância dele ou de terror. É um momento que eu lembro com muito carinho. Durante a pandemia, foi muito difícil porque minha avó paterna era muito acostumada a sair, visitar os netos, filhos, e ficar presa deixou ela muito triste”, explica.

    Nicole relembra com carinho momentos que teve com os avós
    Nicole relembra com carinho momentos que teve com os avós | Foto: Divulgação

    Nicole fala que sempre que a avó liga, ela deixa tudo de lado para lhe dar atenção, pois sabe que é importante, já que estar isolada é muito mais difícil para a avó do que para ela. Ela conta que a avó mora em uma casa com um pátio grande e, para compensar a distância, quando vai visitá-la, fica no pátio conversando enquanto a avó fala da janela. “Às vezes eu passo dez ou quinze minutos ali conversando com ela e dá para ver que ela ficava muito feliz”.

    Avós quase pais

    Durante seus 25 anos de idade, Bianca Fatim sempre foi muito envolvida com a família. Desde criança convive com seus avós maternos e tem uma relação de amor muito forte com eles. Ela se recorda de momentos de sua infância em que brincava com os avós e isso a marcou muito. “Eles sempre fizeram meus gostos, mas não de um jeito mimado e sim com muito carinho”.

    “Eu sempre fui muito próxima dos meus avós maternos, mesmo tendo meus pais presentes, eu convivia muito mais com os meus avós, do que com os meus pais. Costumo dizer que foi até eles que me criaram e contribuíram para o que eu sou hoje. Também sempre tive uma relação incrível com a minha avó paterna que morava no interior de São Paulo, em Bauru. Mesmo distantes, a gente sempre se identificou e mantinha contato como se nos víssemos todos os dias”, conta a jovem.

    Ela diz que os familiares se reúnem na casa dos avós maternos, que adoram receber e ver a família toda reunida. “Quando começou a pandemia e a gente se deparou com a situação de não poder mais fazer isso, foi um baque muito grande. A gente contava com aquilo não importava o que acontecesse e a gente se viu sem essa possibilidade. Para mim e para minha irmã foi um baque maior ainda, tínhamos acabado de perder nossa avó paterna e nos vimos sem a chance de ver nossos outros avós, por causa da pandemia, justamente no momento em que mais precisávamos. Para eles não foi fácil também. Tinha vezes que meu avô ligava chorando de saudades, até a minha avó que é o contrário, chorava bastante também. Isso doía demais”.

    Apesar da distância, Bianca conta que a relação permaneceu intacta principalmente com a ajuda da tecnologia, por ter a possibilidade de fazer videochamadas com todos os membros da família e isso acalentava o coração dos avós. “Eles não sabiam mexer muito bem, mas acabaram aprendendo depois de diversas tentativas e foi assim que ficávamos nos vendo. Ou como eles moram perto, íamos no carro e ficávamos lá na frente e eles ficavam falando pela janela. E foi assim que nos readaptamos a isso. Nossos cafés da tarde de forma presencial nos sábados, se tornaram chamadas de vídeo com cada um na sua casa. Foi a forma que encontramos de matar um pouco da saudade”, finaliza.

    A tecnologia se tornou presente na vida da família e os encontros passaram a ser por meio de videochamadas
    A tecnologia se tornou presente na vida da família e os encontros passaram a ser por meio de videochamadas | Foto: Divulgação

    Liberdade do interior

    “A minha relação com meus avós é muito marcante para mim. Eles moravam na roça e isso era muito legal e divertido, eu gostava muito de me sentir livre naquele ambiente com a presença deles. Meu avô sempre foi um símbolo muito forte, ele pegava o trator para ir trabalhar e me levava com ele, eu gostava muito. Acho que por isso que hoje em dia eu prezo tanto pela minha liberdade”, conta Humberto Sarnaglia, 23.

    Para ele, a infância na roça foi memorável. Ele conta que passava muito tempo com os avós, colhendo café, alimentando porcos e passeando com os primos. Os avós sempre valorizaram a união dos filhos e netos, tanto que muitos passaram a ser vizinhos deles.

    “A minha avó ficava em casa e me ensinou muita coisa, como arrumar as roupas, fazer bolo, cozinhar. E eu sabia que quando eu fosse para roça encontraria todos os meus familiares porque meus avós queriam todo mundo perto. Passei momentos muito felizes até que eles ficaram muito velhinhos e vieram morar comigo”, relembra.

    A infância com os avós, na roça, foi motivo de felicidade e liberdade para Humberto
    A infância com os avós, na roça, foi motivo de felicidade e liberdade para Humberto | Foto: Divulgação

    Um porto seguro

    Mariana Costa, 22, conta que a relação com sua avó é única e que ela é referência de mulher moderna e forte, principalmente por ter tido uma vida muito difícil e ter superado isso. “Ela teve cinco netos, quatro moraram com ela, inclusive eu. Ela é o super exemplo de matriarca, que todo mundo respeita muito, sabe do que ela é capaz e quer estar sempre junto. Junta todos na mesa, não podemos sair enquanto todos não estiverem acabado de comer, cheia dos bons modos, mas é a pessoa com a cabeça mais aberta que eu já conheci na vida. Sempre conversei com ela sobre homens. Ela já me contou dos seus namorados e uma vez eu saindo de casa após um término ela disse: ‘agora que está solteira, vê se não vai distribuir, se valoriza’”, conta rindo.

    A avó sempre morou na capital e Marina no interior. Durante os finais de semana, quando Marina ia visitá-la, dormia entre os avós na cama. Hoje, a única coisa que mudou foi que o avô já sabe e não dorme junto.

    A avó de Mariana é um exemplo de mulher, superou as dificuldades e hoje é inspiração para a neta
    A avó de Mariana é um exemplo de mulher, superou as dificuldades e hoje é inspiração para a neta | Foto: Divulgação

    “Ela é tipo meu Porto Seguro, aquela pessoa que eu ligo e sei que sempre vai me entender. Meus pais costumavam ser meio ausentes, nunca tivemos muito diálogo e ela sempre fez questão de conversar bastante comigo”, conta Marina. Durante a pandemia, quando a saudade aperta ela costuma ir até a casa da avó, mas prefere ligar porque poder ver e não abraçar é difícil.

    “Tem sido bem difícil, porque estou na mesma cidade que ela, mas não posso encontrá-la. Vou no portão da casa dela vê-la de longe, mas não gosto muito de ir porque dá muita saudade, vontade de abraçar e ela sempre vai tentando chegar mais perto, então a solução é ligar mesmo”.

    Leia mais

    Amazonense monta a própria "Kombi Home" para viajar pelo mundo

    Administradora destaca ascenção da mulher no mercado de trabalho

    Grávidas recebem enxoval do programa ‘Abraço Solidário’ em Manaus