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    Preservação ambiental


    Corredores ecológicos permitem relação entre animais e população

    Maioria dos animais silvestres encontrados no meio urbano possuem relação de convivência com os seres humanos

    | Foto: Arlesson Sicsú/Semmas

    Manaus - Manaus está no coração da Amazônia, com áreas de preservação ambiental ricas em fauna e flora. Essas áreas, como corredores ecológicos, permitem que diferentes espécies de animais silvestres sejam vistas no meio urbano. Biólogos explicaram ao EM TEMPO pontos importantes de o porquê isso acontece e que muitos desses animais se beneficiam das condições ecológicas criadas no processo de urbanização, conseguindo conviver com a população.

    O biólogo Rogério Fonseca, doutor em Ecologia, Conservação e Manejo de Vida Silvestre, explica a importância dos chamados corredores ecológicos para a existência dos animais. “Nas áreas urbanas de Manaus, temos algumas tímidas tentativas de estabelecer corredores ecológicos. Esses corredores comportam uma vida animal significativa para a cidade, animais de comportamentos sinantrópicos, ou seja, que têm relação de convivência com o humano. Na cidade nós temos populações de capivaras, principalmente nos bairros Flores, Alvorada e o próprio condomínio Ephigênio Salles, que possui uma capivara que fica transitando lá”, explica.

    Antas e macacos são exemplos de animais que podem ser encontrados no entorno da capital
    Antas e macacos são exemplos de animais que podem ser encontrados no entorno da capital | Foto: Clodoaldo Costa Junior

    Muitos mamíferos de grande porte possuem capacidade de inteligência, como antas e onças, e se deslocam aos lugares em que historicamente nasceram, que foram convertidos em áreas urbanas, isso explica o aparecimento desses animais em algumas áreas de Manaus. Nos perímetros metropolitanos e periurbanos da cidade, as propriedades privadas que possuem legalmente áreas de reserva legal e Áreas de Preservação Permanente permitem o trânsito desses animais. 

    Manaus cresceu avançando na floresta amazônica e muitos bairros ainda possuem áreas de fragmentos florestais importantes para a conservação de muitas espécies, conforme explica Carlos Durigan, geógrafo, ambientalista e diretor da WCS Brasil (Associação Conservação da Vida Silvestre).

    “Alguns desses fragmentos florestais são inclusive áreas institucionais, como áreas da aeronáutica no entorno do aeroporto, área do Inpa, a reserva Ducke que, em parceria com o Musa, tem uma parte que é usada no jardim botânico, a área da Ufam também é muito importante e alguns trechos do igarapé do Mindu onde se tem buritizais e áreas de floresta. A cidade foi crescendo e algumas áreas importantes não foram sendo conservadas pela falta de planejamento adequado para a expansão urbana. Nessas áreas têm a fauna, principalmente com pequenos e médios animais, desde jacaré, sucuri, jiboia, sauim-de-coleira, outras espécies de macaco como mico de cheiro, parauacu, tucano, arara, animais da Amazônia”, explica o ambientalista.

    A criação de diversos corredores ecológicos, como as cachoeiras do Tarumã e os igarapés que se seguem, possibilitam o fluxo das espécies silvestres e a convivência com os humanos. O ideal é que esses espaços sejam preservados da melhor forma possível para atender a capacidade de fauna existente, tendo em vista as ações do tempo e clima.

    Rogério explica que é indicado para manter a coexistência dos animais sem maiores problemas, levando em consideração diferentes situações, a plantação de diferentes espécies de árvores frutíferas, que servem de base alimentar aos animais. “Aqui no meu quintal e dos meus vizinhos, na área dos bairros Tarumã e Ponta Negra, temos uma grande quantidade de árvores sementeiras ou mesmo frutíferas, que acabam servindo de base alimentar para esses animais. Tem parauacu, macacos mico-de-cheiro e sauim-de-coleira, mamíferos arborícolas como a mucura, jupará, essas espécies transitam aqui nessa área”, conta.

    O primeiro corredor ecológico da capital amazonense foi o Corredor Ecológico do Igarapé do Mindu, criado em 2007. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) é responsável pela gestão de 12 áreas protegidas, sendo 10 Unidades de Conservação e dois corredores ecológicos, que correspondem a cerca de 4,75% da área do município. Esses locais priorizam a conservação da fauna e o bem-estar da vida animal, além de ser opções de lazer aos moradores das áreas. Algumas são o Parque Municipal do Mindu, Parque Nascentes do Mindu, Refúgio da Vida Silvestre Sauim Castanheiras e Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Tupé.

    Manaus foi a primeira capital brasileira a ter a iniciativa de criar um corredor ecológico, no Igarapé do Mindu
    Manaus foi a primeira capital brasileira a ter a iniciativa de criar um corredor ecológico, no Igarapé do Mindu | Foto: Reprodução

    As Áreas de Preservação Permanentes (APA) têm um papel fundamental para esse deslocamento da fauna. Manaus dispõe de seis, que são: APA Tarumã-Ponta Negra, APA Parque Linear do Gigante, APA Floresta Manaós, APA Adolpho Ducke, APA Sauim-de Manaus, APA Parque Ponta Negra e a APA Linear do Bindá. A Prefeitura de Manaus atua na valorização de áreas verdes e na implantação de parques nas áreas protegidas.

    A APA Sauim-de-Manaus foi criada em 2018 pela necessidade de uma proteção maior ao Sauim-de-coleira que está em extinção na região. Ela foi criada por decreto-lei, com a finalidade de estabelecer uma conexão entre espaços protegidos existentes na cidade que garantam o fluxo gênico da espécie, com um caminho entre o Parque do Mindu até a Reserva Adolpho Ducke. 

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