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    Denúncia


    Indígenas do AM dizem não ter recebido alimentos do Governo Federal

    Mais de 60 mil cestas básicas foram encaminhadas com objetivo de minimizar os impactos da pandemia da Covid-19 mas famílias dizem que alimentos nunca chegaram à comunidade

    | Foto: Willian Meira/MMFDH

    Manaus- Há 46 dias os povos indígenas e comunidades tradicionais do Amazonas aguardam a distribuição do Governo Federal de 60,2 mil cestas básicas. Famílias afirmam que os alimentos nunca chegaram a eles e que se fossem depender deste alimento para sobreviver haveriam morrido. As cestas deveriam ser entregues no ápice da pandemia no Estado.

    No dia 17 de junho deste ano houve um evento em Manaus para marcar a entrega dos itens alimentícios não perecíveis. Na cerimônia estavam presentes a titular do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, ministra Damares Alves, e o assessor de Assuntos e Pesquisas da Fundação Nacional do Índio (Funai), Claudio Badaró. Os denunciantes relatam ao EM TEMPO não terem visto as cestas.

    “Esses alimentos nunca chegaram aqui na comunidade. Não sabemos para qual destino foi enviado, mas se dependêssemos das cestas para o nosso alimento, com certeza teríamos morrido de fome. Nós, indígenas tivemos muitos problemas durante o enfrentamento da pandemia, inclusive dificuldades para alimentar o nosso povo” contou o denunciante que preferiu não revelar a identidade.

    Ainda de acordo com a denúncia, alguns alimentos da cesta já estão prestes a ter o prazo de validade vencido. “Alguns dos itens dos não perecíveis estão prestes a estragar. Alguns deles estam com datas para julho deste ano. Quer dizer, vão estragar comida e não entregar a quem precisa”, relatou a testemunha.

    Programa Federal

    Com o objetivo de minimizar os impactos da pandemia da Covid-19, a distribuição de cestas básicas englobava o Plano de Contingência para Pessoas Vulneráveis, anunciado pelo Governo Federal. Para povos e comunidades tradicionais, a medida prevê o investimento de R$ 4,7 bilhões.

    A iniciativa visava beneficiar as seguintes etnias: Apurinã, Arapaço, Banawá, Baniwa, Baré, Camadeni, Deni, Dessano, Hexkaryana, Hupdäh, Jamamadi, Jaminawa, Jarawara, Jiahui, Juma, Kahyana, Kaixiana, Kambeba, Kanamari, Karipuna, Katukina, Kaxuyana, Kokama, Koripaco, Korubo, Kubeo, Kulina, Kulina Madjah, Kulina Pano, Maku, Maku-Yuhup, Marubo, Matis, Mayoruna, Miranha, Munduruku, Mura, Nadëb, Parintintin, Paumari, Pirahã, Piratapuia, Sateré-Mawe, Tariano, Tenharin, Ticuna, Torá, Tshon Dyapa, Tuyuka, Wanano, Witota e Yanomami.

    Posicionamento da Funai

    Em nota, a Fundação Nacional do Índio (Funai) informou que já distribuiu cerca de 37 mil cestas de alimentos às famílias indígenas do Estado do Amazonas. Outras 33 mil estão em processo de conclusão de entrega, ação que envolve complexa logística de transporte, dadas as particularidades de cada região e dificuldades de acesso.

    Segundo a assessoria, a distribuição das cestas ocorre por meio de recursos próprios, doações e parcerias com outros setores do Governo Federal, como o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos e a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A Funai ressalta, ainda, que não procede a informação de que os alimentos estão com prazo de validade vencido.

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