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Promessa de novas ciclovias é alternativa de mobilidade em Manaus

Sabia que Manaus irá receber mais 47 km de ciclovias até setembro? Antes disso, você sabe onde já pode andar? O que precisa levar além da bike? Ciclistas manauaras respondem a essas e outras perguntas. Confira!

Leonan Valente é um engenheiro ambiental que mora em Manaus e desde o ano passado adaptou completamente a sua vida para às duas rodas | Foto: Lucas Silva

Manaus - Quem gosta de bicicleta, está cheio de novidades em relação ao meio de transporte em Manaus. Isso porque a Prefeitura anunciou mais 47 km de ciclovias e ciclofaixas em grandes avenidas da cidade. Promessa de novas ciclovias é alternativa de mobilidade em Manaus, que segundo ciclistas, lidam com o perigo em ter que pedalar entre os carros. E se a ideia já animou, que tal conhecer onde já se pode andar de bicicleta? Como lidar com o calor ou o trânsito? O EM TEMPO deixou que essas e outras perguntas os próprios ciclistas manauaras respondessem. Confira!

Antes dos especialistas na vida em duas rodas, é importante saber o que vem por aí. De acordo com a Secretaria Municipal em Infraestrutura, até setembro deste ano, Manaus vai receber mais 47 km de ciclovias e ciclofaixas.

Saiba a diferença dos nomes
Saiba a diferença dos nomes | Foto: Waldick Junior/Em Tempo

"Elas irão beneficiar trechos como a avenida Senador Álvaro Maia, avenida Brasil, bairro Ponta Negra,  avenida das Torres e a recreativa na avenida Itaúba, Zona Leste, que será dedicada para toda família. Os serviços se concentram na marcação de algumas vias que irão receber as ciclofaixas e nos próximos dias também se iniciam as obras de novas ciclovias. A implantação é realizada pela empresa SR Empreendimentos e Serviços, vencedora de licitação", informa a pasta.

A Seminf aproveita para atualizar sobre as atuais ciclovias, ciclorrotas e ciclofaixas. De acordo com a Secretaria, a capital do Amazonas conta com cerca de 38 quilômetros delas.

Para ficar por dentro de tudo
Para ficar por dentro de tudo | Foto: Divulgação

"Alguns parques e praças da cidade também contam com espaço delimitado para os ciclistas. O Parque Ponte dos Bilhares, gerido pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), é referência para os ciclistas da cidade. A ciclofaixa existente no local tem 1.450 metros nas duas etapas. Os ciclistas contam, ainda, com duas bike station (estações de reparos para bicicletas, contendo ferramentas de utilidade)", destaca o órgão.

Além disso, a Seminf informa que o Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb) permitiu a criação de mais 4,7 km de ciclovia e ciclofaixa espalhadas pelos seguintes locais públicos: Passeio do Mindu (0,733 km de ciclofaixa e 0,833  km de ciclovia); Complexo Turístico Ponta Negra (2,9 km de calçadão compartilhado); Parque Campo Dourado (200 metros de calçadão compartilhado).

"Com a inauguração do projeto Manôbike, foram criados inéditos 14,4 km de ciclorrotas no Centro Histórico de Manaus. Na avenida do Futuro, no Tarumã, que recebeu recapeamento completo, são mais 4 km de ciclofaixa nos dois sentidos da via", afirma a pasta.

De bike para o trabalho

Leonan Valente adotou a bike como meio de transporte
Leonan Valente adotou a bike como meio de transporte | Foto: Lucas Silva

Leonan Valente é um engenheiro ambiental que mora em Manaus e desde o ano passado adaptou completamente a sua vida para às duas rodas.

"Eu aprendi a andar de bicicleta ainda na infância quando morava no município de Coari-Amazonas e sempre andei por esporte. No ano de 2018, conheci o projeto da Prefeitura de Manaus com patrocínio da Hapvida de bicicletas compartilhadas, o ManôBike, e passei a utilizar semanalmente essas bicicletas com vários amigos para lazer nas ruas do centro histórico de Manaus. Em 2019, tive a experiência de morar com Lyvia Amado, uma amiga ciclista de São Paulo. Ela me incentivou a comprar minha própria bicicleta e foi quando aderi ao transporte. De acordo com um aplicativo de registro de pedaladas, eu já fiz mais de 764 km nos últimos meses", comenta o jovem.

O engenheiro mora no bairro Petrópolis, Zona Sul, e trabalha no Parque 10 de Novembro
O engenheiro mora no bairro Petrópolis, Zona Sul, e trabalha no Parque 10 de Novembro | Foto: Lucas Silva

O engenheiro mora no bairro Petrópolis, Zona Sul, e trabalha no Parque 10 de Novembro, Zona Centro-sul. A distância de 6,6 quilômetros não o impede de ir pedalando.

"O percurso é de aproximadamente 24 minutos de bicicleta. Quando tenho de ir à Universidade (UFAM, bairro Coroado\Japiim) e depois ao trabalho, o percurso de ida é de 9,6 km. É muito tranquilo para mim porque eu evito passar muito tempo esperando ônibus e também economizo dinheiro. Para não me atrasar eu tento sair sempre com antecedência de casa. Para não chegar suado na faculdade ou no trabalho, eu levo uma muda de roupa e uma toalha pequena para tomar banho no vestiário, é realmente um momento de adaptação, mas vale muito a pena", comenta Leonan.

O percurso é de aproximadamente 24 minutos de bicicleta
O percurso é de aproximadamente 24 minutos de bicicleta | Foto: Lucas Silva

Período de pandemia

O engenheiro ambiental não deixa de lado uma observação sobre o período de pandemia da Covid-19. Ele lembra como as bikes são indicadas para um estilo de vida saudável.

"Estamos vivendo um momento de pandemia em que temos restrições a fim de limitar o contato físico para evitar a contaminação do vírus da Covid-19, enquanto temos a necessidade de nos deslocarmos para alguns lugares. Nesta situação, o ciclismo e a caminhada são defendidos como formas de limitar o contato físico e prevenir a doença. A bicicleta vem recebendo destaque positivo nesta pandemia, como, por exemplo, no Reino Unido, onde houve pedidos para criar um espaço extra protegido para ciclistas enquanto a pandemia durar, algo que já acontece em cidades como Berlim, na Alemanha", comenta ele. 

Acidentes 

De acordo com o setor de estatística do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (Immu), em 2018, três ciclistas morreram em Manaus
De acordo com o setor de estatística do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (Immu), em 2018, três ciclistas morreram em Manaus | Foto: Lucas Silva

De acordo com o setor de estatística do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (Immu), em 2018, três ciclistas morreram em Manaus. No ano passado, os óbitos somaram dois, sendo um deles, no primeiro semestre do ano. Em 2020, até julho, uma morte havia sido registrada.

"Ressaltamos que os acidentes fatais registrados na área da ponte Phellipe Daou [que liga Manaus ao Iranduba], rodovias federais e estaduais não entram nas estatísticas da área considerada município de Manaus", informa a pasta. 

Ciclistas reclamam que existem poucas ciclovias em Manaus
Ciclistas reclamam que existem poucas ciclovias em Manaus | Foto: Lucas Silva

Gabriel Souza é um entregador de aplicativo que atua em Manaus e já tem em seu histórico um acidente no trânsito. À época, lhe causou prejuízos não apenas físicos, mas também financeiros.

"Foi antes de iniciar a quarentena, meados de março. Eu estava antes do Terminal 3, na cidade Nova. Pedalava sentido bairro-centro quando um carro vinha em alta velocidade e não me viu. Ele até tentou desviar, mas mesmo assim a lateral dele me atingiu. Terminei com o joelho ralado, bati a cabeça e minha bike quebrou. Fiquei parado quase um mês", conta o jovem.

Os desafios da mulher ciclista

Marileia Seixas é professora e, assim como os outros desta matéria, também uma ciclista. Ela utiliza a bike diariamente para ir ao trabalho, o que diz ser cerca de 5 km.

"Faço praticamente tudo de bike, vou ao mercado, à padaria, visito familiares e amigos e fora os passeios noturnos em grupo", comenta ela.

"Optei pela bicicleta pela praticidade e redução de tempo no congestionamento", afirma a ciclista
"Optei pela bicicleta pela praticidade e redução de tempo no congestionamento", afirma a ciclista | Foto: Divulgação

A professora conta que, no trabalho, a bicicleta fica dentro da escola. Quando precisa ir a algum lugar distante, diz que leva dois 'u-lock', que são cadeados para prender as rodas. E faz uma crítica.

"Infelizmente Manaus possui pouco ou nenhum bicicletário e muitas vezes preciso contar com a colaboração do guardinha dos espaços públicos", comenta a ciclista.

De acordo com ela, "pedalar em Manaus é um desafio diário", porque diz haver pouca infraestrutura cicloviária e falta de respeito por parte dos motoristas.

Mari critica o risco de acidentes por baixa infraestrutura
Mari critica o risco de acidentes por baixa infraestrutura | Foto: Divulgação

"Segundo o código de trânsito, a bicicleta é um veículo não motorizado e com direito para trafegar nas vias no mesmo fluxo dos carros na ausência de ciclovia. Como Manaus é uma cidade basicamente planejada para carros, os pedestres e ciclistas são as partes mais vulneráveis do trânsito e, por esse motivo que motoristas deveriam ter uma atitude de proteção em relação a eles, já que o risco de um acidente acontecer é muito grande", argumenta Seixas.

Ela ainda ressalta os desafios extras que mulheres podem sentir ao escolher a bicicleta como meio de transporte. "O maior medo sendo mulher ciclista é a falta de segurança nas ruas, em especial com assaltos e até assédios. Em Manaus é incomum você encontrar mulheres pedalando sozinhas", destaca ela.

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